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Ciência e Saúde

Sobe número de peixes de água doce ameaçados no Brasil

Pesquisa ainda está em andamento e lista pode aumentar. Algumas das espécies identificadas vivem exclusivamente em bacias hidrográficas fora das áreas de proteção ambiental.

Pesquisadores trabalham em um novo levantamento de espécies de peixes que vivem em rios e lagos do Brasil e correm risco de desaparecer. Até agora, 1,2 mil das 3 mil espécies catalogadas no país já passaram pela lupa dos cientistas. A conclusão supreendeu: 20% das espécies analisadas foram consideradas ameaçadas de extinção. E esse número ainda pode aumentar até a conclusão da pesquisa, que deve ser apresentada ao Governo Federal em 2014.

Em comparação com os últimos dados de um estudo realizado pelo Museu Nacional da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2009, o número de espécies de peixes de água doce em risco cresceu consideravelmente. A análise anterior havia revelado que mais de 70% das áreas habitadas por esses peixes, identificadas como prioritárias, não estavam devidamente protegidas. Na época, especialistas criaram um catálogo com todos os peixes de água doce do Brasil, o que totalizava 2.587 espécies.

Outro levantamento feito pela ONG Conservação Internacional mostrou resultados alarmantes: apenas 26% das 540 bacias hidrográficas identificadas como áreas prioritárias podem ser consideradas protegidas no país. Essas bacias são essenciais para a manutenção da biodiversidade, por abrigarem espécies encontradas somente no Brasil.

Steindachneridium parahybae

Ameaçado, 'Steindachneridium parahybae' é natural da Bacia do Rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro

Nova pesquisa deve levar a ações

Desta vez, o trabalho é coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Carla Polaz, analista ambiental da organização, comenta que a pesquisa realizada pela USP e pela UFRJ é abrangente e confiável, mas que o Governo Federal preferiu encomendar resultados mais recentes para elaborar um plano de ação.

"Não houve, até hoje, uma atualização dos dados publicados no estudo da USP e da UFRJ, e isso é um problema, porque todos os anos aparecem em média 100 novas espécies ameaçadas", considerou a analista do Instituto Chico Mendes.

Polaz disse ainda que o Brasil está analisando peixes em nove categorias, para que o plano de ação possa, no futuro, ser mais direcionado. "O número apresentado até agora parece pequeno, mas só parece. O novo parâmetro de análises fará com que muito mais espécies sejam identificadas como ameaçadas."

Austrolebias univentripinnis

Também em risco, 'Austrolebias univentripinnis' faz parte do sistema Lagoa dos Patos-Mirim, no RS

Espécies endêmicas

Entre as espécies raras identificadas pelo catálogo está o Hasemania crenuchoides, típico do Pantanal, assim como a espécie Simpsonichthys santanae, da região do Distrito Federal – as duas não possuem nome popular e só existem no Brasil. Por isso a urgência no frequente monitoramento. O Simpsonichthys boitonei, popularmente conhecido como Pirá-Brasília, ainda pode ser encontrado, mas está entre os tipos que correm maior perigo.

Segundo Marcelo Brito, do Museu Nacional da UFRJ, a lista dos animais em risco é urgente para forçar medidas de proteção. Antes disso, não há possibilidade de mudança. "Depois da lista pronta, algumas das medidas que poderiam reduzir o perigo de extinção destas espécies seriam inibir o desmatamento nas microbacias onde eles se reproduzem e controlar a pesca."

Brito disse que está marcada ainda para este mês uma reunião com vários membros do governo para debater medidas de proteção. "Serão definidas as novas espécies que correm risco de desaparecer. A partir daí, podemos começar a trabalhar."