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Mundo

Sob forte segurança, França realiza seu 1º casamento gay

Após protesto violento em Paris e série de incidentes homofóbicos, cerimônia que uniu dois homens é realizada de forma pacífica em Montpellier. Prefeita fala em momento histórico para o país.

Três dias após a mais violenta manifestação contra a ampliação dos diretos dos gays, que terminou com quase 300 detidos em Paris, o "sim" oficial ao primeiro casamento homossexual da História da França aconteceu de forma pacífica na tarde desta quarta-feira, em Montpellier, no sul do país.

Sem enfrentar protestos, Vincent Autin, 40 anos, e Bruno Boileau, de 30, oficializaram o relacionamento de sete anos na presença de centenas de convidados, uma multidão de jornalistas, além de autoridades, como a prefeita Helene Mandroux.

"É um momento histórico em nossas vidas e para o nosso país", disse Helene Mandroux, que agradeceu a oportunidade de declará-los casados. "Nós estamos construindo aqui, juntos, a sociedade de amanhã."

Depois da troca de alianças e do beijo final, um dos noivos discursou emocionado: "A solidariedade sempre leva vantagem sobre o ódio", disse Vincent Autin, que agradeceu à família e aos amigos pelo apoio.

Apelos por calma

Apesar de Montpellier ser considerada uma cidade “tolerante aos homossexuais”, por medidas de segurança os planos de transmitir o casamento ao vivo por um telão foram cancelados. Ao invés disso, a cerimônia foi transmitida online por um site da cidade. Um forte esquema de segurança, com cerca de 150 policiais, também foi organizado para evitar novos protestos, após meses de manifestações populares contrárias à medida.

Antes da cerimônia, a humorista Frigide Barjot, uma das líderes do movimento contrário ao casamento gay, pediu que seus partidários ficassem longe do casamento e manifestou preocupação especial com os radicais de direita, que no domingo atiraram tijolos, garrafas e fogos de artifício durante a passeata.

"Eu proíbo os militantes de protestarem em Montpellier", disse Barjot.

Homophoben-Demo in Paris

Milhares de pessoas protestaram no último domingo, em Paris, contra o casamento homossexual

Apesar do clima pacífico, momentos antes da cerimônia, uma bomba de fumaça atingiu uma área fora nos arredores do prédio da prefeitura. A polícia se apressou para investigar o que seria um possível ataque, e o casamento prosseguiu como planejado.

Um pouco antes, o ministro do Interior francês, Manuel Valls, prometeu ser mais rígido com relação aos comportamentos homofóbicos, citando um aumento no número de ameaças contra os gays em fóruns na internet.

"Por que precisamos endurecer a segurança? Porque há ameaças", afirma Valls. " Provavelmente teremos que endurecer por lei as penas para discursos homofóbicos."

Maioria ainda apoia

Apesar da grande oposição à união gay e à possibilidade de adoção de crianças por casais do mesmo sexo, 65% dos franceses são a favor do casamento homossexual, segundo uma pesquisa realizada pelo instituto francês de opinião pública (IFOP). No domingo, uma enquete no site do Journal du Dimanche apontou que três quartos do franceses estão cansados dos protestos e acreditam que eles devem cessar.

A campanha "casamento para todos" foi uma das principais promessas do presidente François Hollande antes de chegar ao poder – e se concretizou oficialmente no dia 18 de maio, após a publicação no Diário Oficial francês. Desde então, os protestos, já intensos, tornaram-se também violentos.

Há pouco mais de uma semana, um ativista matou-se com um tiro na cabeça perto de um altar da catedral de Notre-Dame, em Paris, em protesto contra o casamento gay e os imigrantes.

A França – um Estado laico, mas de maioria católica – é o 14º país do mundo a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A Holanda foi o primeiro, em 2001.

FA/rtr/ap/afp/lusa

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