Sob críticas, Exército alemão lança reality show | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 02.11.2016
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Alemanha

Sob críticas, Exército alemão lança reality show

Ao custo de 1,7 milhão de euros, Forças Armadas criam série na web com o objetivo de melhorar imagem perante público jovem e recrutar novos soldados. Projeto é recebido com críticas.

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Jovens soldados do Exército alemão: país precisa de 14 mil novos soldados

"A partir de novembro, os dias serão mais longos”. Assim o Exército alemão anuncia Die Rekruten (os recrutas), uma série feita para a web no modelo reality show, lançada na terça-feira (01/11) como parte do esforço da corporação para promover a própria imagem no país.

O objetivo, segundo os militares, é desmistificar alguns clichês associados às Forças Armadas. E o público alvo é a geração que atingiu a maioridade depois que a Alemanha extinguiu o serviço militar obrigatório, em 2011.

Na série, 12 jovens – dez homens e duas mulheres – são enviados para o norte do país por três meses para um treinamento militar. As imagens são em grande parte feitas pelos próprios participantes. A produção custou cerca de 1,7 milhão de euros – e gerou críticas.

"A campanha é profissional, mas não propaga necessariamente a imagem de um Exército, onde se precisa também lutar e matar", disse o militar da reserva e especialista em relações públicas Sascha Stoltenow, ao jornal Die Welt. "A impressão deixada é que o Exército alemão é um grande parque de diversões."

Alguns políticos criticaram o projeto, dizendo ser um desperdício de dinheiro e de recursos. Hans-Peter Bartels, comissário parlamentar para as Forças Armadas, questionou a utilidade da série e disse que as Forças Armadas precisam de investimentos importantes em equipamentos.

"A atual situação de segurança exige que as decisões sobre estes investimentos não sejam empurradas com a barriga”, disse Bartels, do Partido Social-Democrata (PSD), sigla que governa em coalizão com a União Democrata Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel.

O partido A Esquerda também criticou a série, a qual classificou como "baboseira”. "Não precisamos de propaganda para morrer no exterior”, afirmou o legislador estadual Peter Ritter, segundo o jornal Göttinger Tageblatt.

A série estreia pouco depois de a chanceler federal Angela Merkel anunciar planos para expandir as Forças Armadas. Entre as medidas, o fim do teto de 185 mil soldados em serviço, com a perspectiva de recrutar mais de 14 mil novos militares até o ano de 2023.

A medida representa uma guinada de tendência na Alemanha, onde as Forças Armadas têm diminuído desde a Reunificação. Em 1990, o número de soldados chegava a 550 mil; em maio passado, havia 177 mil alemães servindo o Exército.      

A expansão militar vem à luz de novos desafios, como a crise migratória – mais de 1 milhão de migrantes entraram na Alemanha em 2015 – e as missões no exterior. O país envia, por exemplo, cada vez mais soldados à base turca de Incirlik para apoiar o combate ao "Estado Islâmico".

Sob pressão dos EUA, que pediu mais de seus aliados da Otan, Merkel anunciou em outubro que aumentaria o orçamento da Defesa até 2020 de 39,2 para 60 bilhões de euros.  "No século 21, não receberemos tanta ajuda como recebemos no século 20”, disse a chanceler alemã na ocasião.

 

 

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