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Mundo

Snowden prestou enorme serviço ao povo, diz especialista em espionagem

Autor de vários livros sobre a NSA, James Bamford critica excessos do programa de vigilância americano e pede correções drásticas. Para ele, EUA foram longe demais com medidas de segurança desde o 11 de Setembro.

O americano James Bamford escreveu mais livros sobre a Agência Nacional de Segurança (NSA) do que qualquer outro escritor. E, para ele, Edward Snowden não é herói nem vilão, mas prestou nobre e corajoso serviço à sociedade ao revelar ao mundo o megaesquema de espionagem.

Nada na Constituição americana, diz Bamford, permite ao governo acessar dados pessoais dos cidadãos sem uma suspeita razoável. Mas, mesmo assim, Washington tem o maior aparato mundial de espionagem online, não comparável a nenhum outro país. “Os americanos espionam numa escala comparável a uma arma nuclear. Os outros países espionam na escala de um canhão”, afirma.

Deutsche Welle: Em sua opinião, Edward Snowden é um traidor, um herói ou apenas um informante?

James Bamford: Esses são rótulos adequados para alguém como ele. De qualquer forma, ele prestou um enorme serviço ao povo americano. Porque as pessoas não tinham a menor ideia de que o governo tinha acesso às conversas telefônicas numa base diária, pode-se até dizer a cada minuto.

Eu não conheço nenhuma passagem em nossa Constituição que permita ao governo ter acesso, sem uma suspeita razoável, aos meus dados pessoais. Ninguém sabe qual será o destino de Snowden, mas seu comportamento foi nobre e corajoso.

Soubemos a partir dos documentos divulgados por Snowden que a Agência Nacional de Segurança (NSA) espionou a União Europeia e, sobretudo, a Alemanha. O que sabe sobre isso?

Os EUA têm uma relação ambígua com esses países, principalmente com Alemanha e Reino Unido. Por um lado, eles são parceiros. Durante a Guerra Fria, a NSA coordenou a maioria das escutas a partir da Alemanha. E existe uma parceria muito próxima entre a NSA e o serviço alemão de inteligência. Eles trocam muitas informações – sobre temas econômicos, mas também sobre ameaças terroristas.

E há o outro lado: a própria Alemanha é alvo de espionagem. Pode-se dizer que todo cidadão alemão o é. Somente algumas poucas diretrizes protegem os cidadãos americanos em relação à NSA. Na Alemanha, não existe nada que proteja os cidadãos.

As estatísticas divulgadas da NSA mostram que a Alemanha é tão espionada quanto a China e o Iraque. Os EUA veem a Alemanha como um inimigo?

O público americano certamente não vê os alemães como inimigos. Mas talvez a NSA tenha outra visão das coisas. A NSA vive num mundo muito próprio, que quase nunca tem a ver com o mundo real. Eles vivem num casulo. Escrevi três livros sobre o tema, mais do que qualquer outro autor. Eles têm uma visão estranha do mundo e isso pode ser muito perigoso.

Edward Snowden

Edward Snowden desencadeou escândalo ao divulgar documentos sobre vigilância da NSA

Mas por que eles se concentram tão fortemente na Alemanha?

Como potência econômica da Europa, a Alemanha é muito interessante para os EUA. Além disso, era ali que residiam os terroristas do 11 de Setembro. E a Alemanha também tem uma forte influência política na Europa. Quando se "escuta" a Alemanha, também se sabe muito sobre o que pensa o governo holandês ou grego.

A Alemanha foi classificada pela NSA como "parceiro de terceira classe". O que significa isso?

Trata-se antes de um conceito técnico. Com isso, eles querem dizer que a Alemanha é a terceira facção. Os EUA são a primeira, a segunda são Austrália, Nova Zelândia, Canadá e Reino Unido. Os cinco juntos são conhecidos como os "cinco olhos". Após a Segunda Guerra Mundial, eles dividiram o mundo em regiões, nas quais eles executam as respectivas ações de escuta.

Sabemos que também os alemães e os europeus espionam os respectivos vizinhos e também os americanos. Há uma diferença em relação ao que os americanos fazem?

E como há uma diferença! O presidente Barack Obama disse que, sim, todos nós espionamos uns aos outros. A única diferença é que os americanos espionam numa escala comparável a uma arma nuclear. Isso está ligado ao dinheiro, tecnologia e ao poder deles. Com 35 mil funcionários, a NSA é o maior serviço de inteligência do mundo. Os outros países espionam na escala de um canhão. E outra vantagem dos americanos é que as grandes empresas de internet estão sediadas nos Estados Unidos. Elas podem ser colocadas sob pressão, a fim de que forneçam informações.

Consideremos a rede mundial de telecomunicações: quase 100% da comunicação pela internet passam pelos EUA. Também mais de 80% da comunicação por telefone são transmitidos por ali. Os EUA estão na situação única de poder interceptar a comunicação mundial sem grandes problemas.

O presidente deveria tomar uma ação corretiva nessa situação? Em sua opinião, qual seria o próximo passo?

Eu não permitiria agora que o presidente coordenasse as modificações. Foi ele quem ampliou os poderes da NSA. Já na década de 1970, tivemos uma grande averiguação sobre o trabalho do serviço secreto. Os métodos de investigação eram muito agressivos. Uma comissão independente fazia as perguntas, ninguém ia para lá de boa vontade. E, hoje, precisamos disso novamente.

Desde o 11 de Setembro, fomos longe demais com as medidas excessivas de segurança. Para fazer correções, precisamos de uma comissão independente, que tenha o poder de mudar alguma coisa.

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