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Mundo

Sistema de alerta teria evitado maioria das vítimas

Técnicos dos EUA não sabiam quem avisar na Ásia. Ondas gigantescas levaram até uma hora e meia para chegar à costa. Há notícias de 26 mil mortos e um milhão de desabrigados.

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Faltaram bóias de advertência e sistema de comunicação

Até mesmo na costa africana, milhares de pessoas morreram em conseqüência do maremoto de domingo (26/12), no Oceano Índico. No Chifre da África, distante 4500 quilômetros do epicentro do tremor ocorrido próximo às Ihas Sumatra, povoados inteiros foram varridos pela violência das ondas de até 10 metros de altura, informou o governo do Quênia.

Até o final da tarde desta segunda-feira (27/12), o maior número de vítimas tinha sido registrado no Sri Lanka: 12.029. Nos arredores da cidade de Mullaittivu, 20 povoados foram completamente arrasados pelos tsunamis (termo japonês que significa "montanha de ondas"), disse Martin Baumann, coordenador de projetos da organização Deutsche Welthungerhilfe (Ação Agrária Alemã) no país.

Na Indonésia, segundo estimativas do governo, o número de mortos pode chegar a 10 mil. Na Índia, morreram pelo menos 2958 pessoas, sem contar as possíveis vítimas nos arquipélagos de Nicobar e Andaman, cujo número oscila entre 3 e 10 mil, dependendo da fonte. A Tailândia confirmou 866 mortes; a Malásia, 50; as Ilhas Maldivas, 43; a Birmânia, cerca de 30; e Bangladesh, 2.

Além da população local, supõe-se que há um grande número de turistas (mais de 30 europeus) entre as vítimas. Até agora, não se sabe quantos dos oito mil alemães que passavam férias na região atingida morreram nas enchentes.

Não houve advertência

Aufräumarbeiten nach der Flutwelle in Phuket, Thailand

Trabalho de limpeza, depois da catástrofe em Phuket, Tailândia

"Não houve qualquer alerta, a muralha de água apareceu de repente. E só demorou alguns minutos até a gigantesca onda atingir a gente. Carros, pessoas, gado – tudo foi arrastado pelas águas", relatou T.S.V. Hari, correspondente da Deutsche Welle em Madras, na Índia.

O número de vítimas do maremoto no Sudeste Asiático poderia ter sido bem menor, se houvesse na região do Oceano Índico um sistema de alerta para tsunamis como o que existe no Pacífico. É o que disse o sismólogo Rainer Kind, do Centro de Pesquisas Geológicas de Postdam, em entrevista à DW-WORLD.

"Eles não têm bóias de alerta e observação da maré nem qualquer esquema de advertência", disse o geólogo Waverly Person, do Centro Nacional de Terremotos do Colorado (EUA). O centro de alerta para tsunamis do Pacífico, em Honolulu, no Havaí (EUA), detectou o tremor de 9 pontos na escala Richter sob o mar na costa da Indonésia e tentou, sem êxito, avisar as autoridades na Ásia de que gigantescas ondas se aproximavam do litoral.

O centro localizado no Havaí monitora há 50 anos a atividade sísmica no Pacífico e informa os governos da região. "Não existe um sistema de comunicação desse tipo funcionando para a Índia, Tailândia, Bangladesh, Indonésia, Malásia e Sri Lanka", informaram funcionários da instituição.

Segundo Karl-Otto Zentel, do Comitê Alemão de Prevenção de Catástrofes, o tempo de alerta para tsunamis decorrentes de maremotos é mais longo do que o de terremotos em si, que é mínimo. Segundo cálculos de peritos, a muralha de água provocada pelo maremoto em Sumatra deve ter demorado uma hora e meia até atingir o Sri Lanka e uma hora até chegar à costa leste da Tailândia e Malásia. "Tempo suficiente para procurar um lugar seguro. A maioria das pessoas poderiam ter sido salvas, se tivesse existido um sistema de alerta para tsunami e enchentes", disse Person.

Segundo Roger Musson, do Serviço Geológico Britânico, no abalo de domingo o fundo do mar elevou-se no epicentro com a energia de 10 mil bombas atômicas, causando a maior catástrofe do ano de 2004. "Nessa região, os tremores são freqüentes, mas ainda não são previsíveis", disse.

Geólogos e sismólogos não descartam a possibilidade de ocorrerem novos tremores na região do Índico. "Desde o maremoto principal de domingo, o maior dos últimos 40 anos, já ocorreram vários abalos mais fracos, que foram detectados a centenas de quilômetros na direção norte-sul. Não se pode prever quando esta atividade sísmica vai terminar", explicou o geólogo Rainer Kind.

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