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Cultura

Sinfônica de São Paulo triunfa na Alemanha

Em sua primeira excursão à Europa, a OSESP fez um grande sucesso em seus concertos em Nurembergue e Augsburg. A DW-WORLD conversou com seu maestro assistente Roberto Minczuk.

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Maestro brasileiro Roberto Minczuk: "O maior desafio de nossas carreiras"

"Brahms é testemunha" - intitulou um jornal de Nurembergue sua crítica sobre o sucesso do concerto da OSESP, que se apresentou com obras de Villa-Lobos e Edino Krieger e a Sinfonia nº 1 de Brahms. A surpresa foi grande. " Passacaglia para o Novo Milênio, de Edino Krieger, durou apenas uns momentos impressionantes, mas foi o suficiente para se perceber: estamos diante de músicos de classe mundial. Com uma incrível vitalidade e um elã exuberante, uma musicalidade muito fina e extrema precisão, os brasileiros captaram a essência da composição e conquistaram o coração do público na Sala de Concertos dos Mestres Cantores de Nurembergue" - diz o Abenzeitung, um de três jornais que trouxeram comentários muito elogiosos.

Em Augsburg o público não parava de aplaudir depois de dois bis, e o maestro Roberto Minczuk, que regeu os dois concertos, teve que voltar dez vezes ao palco para agradecer os entusiásticos aplausos. "Os concertos na Alemanha, graças a Deus, foram grandes triunfos para a OSESP, para mim e para a música brasileira no sentido mais amplo, porque é a primeira vez que uma orquestra brasileira vem à Europa, tocar em salas de concertos importantes, em séries de concertos importantes, ao lado de outras grandes orquestras, e trazendo um repertório sofisticado."

Brahms, a referência

Se os compositores brasileiros eram desconhecidos para o público alemão - só um público muito restrito e especial conhece Villa-Lobos - o mesmo não se pode dizer da Sinfonia nº 1 de Brahms.

Por ser um repertório muito conhecido, ela serviu de referência, como destacou Minczuk, que também é maestro assistente da Orquestra Filarmônica de Nova York: a sinfonia não deixa dúvidas em relação à performance, à execução da obra. "O público conhece essa obra muito bem, já ouviu-a várias vezes por muitas orquestras, inclusive as suas próprias orquestras aqui da Alemanha. Então, vir à Europa foi um grande desafio para nós. Não somente vir à Europa, mas vir à Alemanha tocar Brahms e poder trazer essa sinfonia de Brahms com a melhor qualidade possível, a qualidade de uma grande orquestra internacional e uma interpretação que faz jus ao Johannes Brahms e à tradição européia da música sinfônica."

Nesta sexta-feira (31), a OSESP inicia pela Basiléia sua turnê na Suíça, onde tem cinco concertos agendados de longa data. Os da Alemanha foram marcados depois, mas acabaram sendo os primeiros concertos na Europa, o que despertou uma grande expectativa nos músicos e no maestro, conscientes de sua responsabilidade de estrear na Europa justamente com Brahms, no país do compositor, de Bach, Beethoven e outros grandes nomes da música.

Tocar na Alemanha: o grande desafio

Roberto Minczuk

Roberto Minczuk morou na Alemanha em 1987. O maestro também é trompista e tocou na Orquestra Gewandhaus de Leipzig.

"Eu acredito que para muitos de nós foi o maior desafio de nossas carreiras. De vir à Alemanha, que é o país reverenciado por todos os músicos, por sua produção cultural [...], porque os maiores gênios da música procederam da Alemanha; esse foi o lugar onde as orquestras surgiram, o lugar onde se inventaram as orquestras."

Mas a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo não tinha o que temer, com o talento de seus músicos e maestros e o trabalho de alta qualidade em relação à música clássica que vem realizando desde sua reestruturação há sete anos, sob a batuta de John Neschling, o regente titular, e Roberto Minczuk.

Sua primeira turné no exterior deu-se em 2000, e em 2003 a OSESP apresentou-se em 20 concertos nos EUA. Também nessa ocasião Minczuk regeu a Passacaglia de Krieger, "também um dos maiores compositores brasileiros da atualidade, uma obra que foi escrita para nós. Eu tive o privilégio de estrear essa obra com a OSESP em 1999. É uma obra de grande interesse para o público de qualquer parte do mundo", ressaltou o maestro.

Crítica alemã não poupou elogios

O diário Nürnberger Nachrichten ressalta a interpretação de "alto profissionalismo e apaixonada, intensa e de claros contornos formais" da sinfonia. Depois de referir-se ao maestro, que deixou de lado a batuta e regeu seus músicos "diretamente com o corpo", o crítico faz o grande elogio: "E com uma intensidade apoiada pelos tímpanos, a exposição soa 'alemã' [...], mas sem demasiados cânones da tradição. O vigor, a espontaneidade e o senso formal da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo também são reconhecidos pelo Nürnberger Zeitung, que dedicou ao concerto duas longas colunas, repartindo seus elogios às cordas, madeiras e aos metais. Na interpretação de Villa-Lobos, o crítico nota "a sonoridade clara, equilibrada e de grande volume".

Mas a sinfonia de Brahms mereceu os maiores elogios, principalmente o primeiro e o último movimentos. A orquestra "[...] conseguiu de forma brilhante estabelecer um equilíbrio em todos os intrumentos e os solos, como de oboé e flauta; o aveludado e nobre som das cordas deu uma beleza suave ao agitado desenvolvimento temático do compositor. As pausas, muito bem colocadas, aumentaram a dramaturgia do todo, que se concentrou no leitmotiv do último movimento, coroando a sinfonia com um fecho esplendoroso".

Depois disso tudo, só resta dar os parabéns aos 105 músicos, aos maestros, e desejar à orquestra uma nova turnê pela Alemanha e por mais países europeus, com o mesmo êxito.

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