1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Simpósio discute papel do Brasil no mundo

A sétima edição do Simpósio Brasil-Alemanha reuniu, em Berlim, intelectuais e políticos brasileiros e alemães para discutir as novas responsabilidades do Brasil no sistema internacional.

default

Embaixador brasileiro falou em amadurecimento interno

Cerca de um ano e meio após o presidente Lula ter assumido o governo, a Fundação Konrad Adenauer e a Sociedade Brasil-Alemanha reuniram, na capital alemã, intelectuais e políticos brasileiros e alemães para discutir as "novas responsabilidades do Brasil no sistema internacional".

O objetivo do simpósio bienal e que durou dois dias foi apresentar, além das diretrizes da política externa do governo Lula, projetos de reforma brasileiros e interesses mútuos entre Brasil e Alemanha. A discussão, que envolveu temas como segurança internacional, políticas de desenvolvimento e zonas de livre comércio, como Mercosul e Alca, girou em torno de uma questão central: a necessidade de reformas internas como condição para uma maior atuação política internacional.

"Vemos o Brasil em um bom caminho, tanto como um player nacional quanto internacional", disse Wilhelm Staudacher, secretário-geral da Fundação Konrad Adenauer. "Ele assume cada vez mais o papel de porta-voz dos países em desenvolvimento", disse, alertando, entretanto, para a necessidade de uma base estável no próprio território.

Tempo de "conquistas expressivas"

O embaixador brasileiro na Alemanha, José Artur Denot Medeiros, ressaltou "conquistas expressivas" do governo Lula, tanto no âmbito comercial e financeiro, como a criação do Grupo dos 20, que reúne países em desenvolvimento, quanto político, citando a participação mais ativa do Brasil na ONU e sua luta por um assento permanente no Conselho de Segurança.

"Temos as credenciais para isso e muitos países concordam conosco", afirmou, pleiteando reformas no sistema das Nações Unidas. Segundo ele, o Brasil ofereceu a contrapartida para "uma ordem internacional mais democrática e multipolar e uma globalização mais solidária, menos excludente dos países em desenvolvimento".

Para o professor Luís Cervo, da Universidade de Brasília e do Instituto Rio Branco, a política externa de Lula não é apenas uma continuação da exercida no governo FHC. Para ele, Lula está empenhado em resgatar os "laços perdidos com a Índia, a China, a África do Sul e os países árabes", criando uma cooperação Sul-Sul. "Lula subordinou a criação de regras no comércio internacional aos interesses reais do Brasil", defendeu, enquanto FHC teria agido com um "idealismo kantiano" e lutado apenas por uma aliança com o Ocidente.

Indícios de uma nova consciência política

Segundo Christian Ruck, membro da Comissão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento do parlamento alemão, "por muito tempo o Brasil foi visto na Alemanha como um poder passivo, com uma política decidida, mas discreta". Agora, segundo ele, há "indícios de uma nova consciência política" do Brasil no âmbito internacional.

Denot Medeiros garante que a mudança é "resultado do amadurecimento interno alcançado pelo Brasil" e que a ambição internacional de Lula nada tem a ver com "vaidade ou motivações hegemônicas não justificadas".

Brasil e Alemanha: interesse mútuos

Nas relações bilaterais Brasil-Alemanha, Ruck identificou interesses mútuos, como o reconhecimento da necessidade de reformas essenciais na ONU, o desejo de obter uma vaga no Conselho de Segurança e a luta pela aprovação do Protocolo de Kyoto e pela criação de uma zona de livre comércio entre UE e Mercosul.

Quanto ao último tema, Ruck salientou a urgência das reformas agrária e previdenciária e da diminuição do fosso entre ricos e pobres no Brasil e da importância da conscientização da população rural européia quanto a medidas de liberalização. "Já não é o Norte quem exige do Sul abertura de mercados e liberalização do comércio", lembrou.

Na seqüência, leia sobre um tema polêmico apresentado na conferência.

Leia mais