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Economia

Siemens, soluções de infra-estrutura

Poucas empresas mundiais têm produtos tão diversificados como a Siemens. Fabricando desde telefones celulares até reatores nucleares, a empresa nascida na Alemanha é hoje um dos pesos-pesados da economia global.

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Werner von Siemens, 1885

A história da Siemens se confunde com o próprio desenvolvimento da eletricidade. Fundada em 1847, a Telegraphenbauanstalt von Siemens & Halske (empresa de construção de telégrafos) tinha na construção de telégrafos o seu principal segmento de negócios, que incluía também transportes ferroviários e energia.

Em poucas décadas tornou-se umas das maiores indústrias mundiais de eletricidade e produtos eletrônicos. Uma das invenções mais espetaculares, patenteada em 1866 por Werner von Siemens, foi a do dínamo elétrico. As máquinas de dínamo inauguraram uma nova era, permitindo o aproveitamento industrial, em larga escala, da energia elétrica.

Em 1870, a Siemens inaugurou a linha telegráfica entre Londres e Calcutá; em 1874, o primeiro cabo telegráfico submarino entre a Irlanda e os Estados Unidos. O primeiro trem elétrico saiu da fábrica da Siemens em Berlim em 1879; naquele mesmo ano, implantou a primeira iluminação elétrica nas ruas de Berlim. O primeiro elevador elétrico da Siemens data de 1880 e o primeiro bonde elétrico de 1881. Em 1896, começou a circular em Budapeste o primeiro bonde subterrâneo da Siemens.

Expansão e guerras mundiais

1866 Werner von Siemens entdeckt das dynamoelektrische Prinzip

O dínamo elétrico, inventado em 1866, inaugura uma nova era do aproveitamento industrial da eletricidade

Após a morte de Werner von Siemens, em 1892, seus descendentes seguiram a política de inovação e expansão da empresa. A luz, a tecnologia médica, a transmissão de mensagens sem fio e, em 1920, os primeiros eletrodomésticos, são alguns exemplos do leque de segmentos e produtos desenvolvidos pela Siemens. Em 1914, as diversas fábricas da Siemens em Berlim ocupavam todo um bairro que foi batizado de Siemensstadt (Cidade da Siemens).

Os prejuízos com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) afetaram 40% do volume de negócios. Mas a recuperação foi rápida. Na década de 1920, a Siemens havia se tornado uma das cinco maiores empresas mundiais de eletrotécnica. Alguns dados do período entreguerras:

Em 1919 foi fundada a Osram, fabricante de lâmpadas elétricas, uma joint venture da Siemens e duas outras empresas, que se tornou sinônimo de eletricidade no lar. O primeiro receptor de rádio da Siemens, de válvulas elétricas, foi apresentado em 1924. Em 1926 a Siemens instalava na Praça Potsdam de Berlim o primeiro semáforo totalmente automático. O primeiro aparelho de televisão da Telefunken, empresa com participação da Siemens, ficou pronto em 1935; o primeiro microscópico eletrônico, com poder de ampliação de 30 mil vezes, foi apresentado em 1939.

Militarização e trabalhadores escravos

1847 Werner von Siemens entwickelt den Zeigertelegrafen

O telégrafo com ponteiros, inventado por Werner von Siemens em 1847, marcou o início da sua empresa

A partir de 1933, quando os nazistas assumiram o poder na Alemanha, a Siemens seguiu a tendência da economia alemã e passou a orientar suas atividades para a guerra. Para atender à crescente demanda, inclusive de armamentos e instalações bélicas, empregou trabalhadores escravos, sobretudo da Europa do Leste, em suas fábricas.

Os prejuízos causados pela guerra afetaram 80% do faturamento. A reestruturação da empresa começou a partir da Alemanha. Em 1949, a sede da Siemens foi transferida de Berlim para Munique e, na década de 1950, começou um novo e rápido período de expansão para o exterior. O ano de 1954 marca a entrada da Siemens no setor de informática e processamento de dados.

Em meados de 1960, a Siemens já havia recuperado sua posição de liderança nos mercados mundiais. Em 1969, as atividades da empresa foram repartidas em segmentos, criando-se seis empresas independentes. Esta estrutura modular foi mantida até hoje, com reformulações.

Atualmente, a Siemens constitui uma rede de empresas internacionais operando em 190 países e oferecendo um portfólio de produtos e serviços que abrangem:

  • automatização e controle, incluindo logística, tecnologia de construção e sistemas de medição;
  • informação e comunicação, compreendendo fabricação de computadores, semicondutores, telefones celulares e redes informáticas;
  • tecnologia médica e hospitalar;
  • energia e infra-estrutura;
  • sistemas de transporte ferroviário;
  • e prestação de serviços burocráticos, financeiros e industriais.

    Siemens no Brasil

    A subsidiária brasileira da Siemens foi fundada em 1905, mas suas atividades no país já são anteriores. Por exemplo, na instalação da primeira linha telegráfica entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, em 1867. A Siemens participou de grandes projetos de infra-estrutura brasileiros, como a hidroelétrica de Itaipu (fornecimento de geradores) e a usina nuclear de Angra dos Reis.

    Segundo dados da empresa, o grupo Siemens emprega 7482 pessoas em dez fábricas espalhadas pelo país. O faturamento líquido alcançou 4,086 bilhões de reais em 2002. Em Manaus funciona a fábrica da Siemens de telefones celulares GSM, a tecnologia de telefonia móvel adotada na Europa, e que está disputando o mercado brasileiro.

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