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Economia

Siderúrgicas alemãs operam sob alta pressão

A demanda mundial aumenta e arrasta consigo o preço do aço, devido especialmente ao crescimento econômico da China. Especialistas discutem na 38ª Conferência Internacional do Aço em Istambul.

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ThyssenKrupp, maior siderúrgica alemã, avalia aumento de preços

Para Dieter Ameling, presidente da Stahl, a Associação Alemã da Indústria do Aço, não há por que falar em "tempos paradisíacos". Pois, embora o setor atualmente apresente as mais altas taxas de crescimento dos últimos 20 ou 30 anos, o aumento da demanda internacional arrasta consigo o preço do metal bruto, colocando diversos setores da indústria sob pressão.

Especialistas prevêem um boom do mercado internacional, provocado em grande parte pela expansão do mercado chinês. "A economia chinesa cresce, ao longo de cinco anos, 7% ao ano. De fato, ela cresce de 8 a 10% ao ano e a demanda pelo aço é tão alta que a indústria siderúrgica chinesa, apesar do aumento da produção e de enormes investimentos, não consegue cobri-la sozinha", explica Ameling. "A China precisa importar de 30 a 35 milhões de toneladas de aço além da própria produção e acaba consumindo sozinha boa parte da produção mundial."

Desde 2000, a produção de aço bruto da China deve praticamente dobrar, passando de 130 milhões para estimados 260 milhões. Ou seja, mais de um quarto da produção mundial de um bilhão de toneladas é produzido lá. Conforme anunciado na 38ª Conferência Internacional do Aço, em Istambul, os cinco maiores produtores chineses agora passam a fazer parte do Instituto Internacional de Ferro e Aço (IISI).

Stahlproduktion in China

A China é o maior produtor de aço do mundo

A entrada da China no federação ajuda a esclarecer um pouco as tendências no setor. "Estamos muito contentes com o fato de que nossos colegas chineses tenham se tornado membros do IISI. Agora podemos discutir diretamente com eles e saber, por exemplo, quando a China deixará de importar", conta Ameling. "Embora eu não conte com isso nos próximos dois ou três anos. Segundo minhas estimativas, isso não deve acontecer antes de 2010. A China se prepara para os Jogos Olímpicos em 2008 e vai precisar de muito aço para a infra-estrutura, sem dúvida."

Alemanha produz em capacidade máxima

A indústria siderúrgica alemã prevê um aumento de 3%, elevando a produção para 46,5 milhões de toneladas. Diante das circunstâncias, esse índice pode até ser superado. Entretanto, embora as fundições alemãs operem atualmente sob alta pressão, Ameling é contra a sugestão de reiniciar a operação em velhas minas de carvão do Vale do Ruhr.

"Trazer uma tonelada de carvão de pedra à superfície e torná-la comercializável custam na Alemanha 150 euros. É possível adquirir a mesma quantidade no mercado internacional por 60 euros", explica Ameling. "São quase 100 euros de subsídios por tonelada e quem paga é o contribuinte".

Agora, seguindo o anúncio da maior produtora de aço do mundo – a Arcelor, de Luxemburgo, empresas alemãs também falam em elevar o preço do produto. "Devido ao aumento do custo da matéria-prima, só nos resta repassar esse aumento a nossos produtos", disse Wolfgang Leese, presidente da Salzgitter, ao jornal Tagesspiegel. O lucro bruto estimado pela Salzgitter para este ano fiscal é de 160 milhões de euros.

A concorrente ThyssenKrupp também avalia aumentar os preços. "Falaremos a respeito com clientes de grande porte ao negociar novos contratos de longo prazo", disse um porta-voz da empresa. No último ano fiscal, encerrado em 30 de setembro, a maior siderúrgica alemã registrou um lucro bruto recorde de 800 milhões de euros – quase o dobro dos 384 milhões obtidos no ano fiscal anterior.

Indústria automobilística reclama

Volkswagen

Fábrica da Volkswagen em Wolfsburg

O aumento do preço do aço vem causando inquietações na indústria alemã, especialmente no setor automobilístico. "Nossas empresas são confrontadas com desdobramentos que não podemos entender", criticou o presidente da Confederação Alemã da Indústria Automobilística, Bernd Gottschalk. Para ele, o aumento do preço do aço é uma "espada de Damocles" para a indústria automobilística e necessita de um "esclarecimento urgente".

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