Shimon Peres requer em Berlim punição de criminosos nazistas ainda vivos | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 27.01.2010
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Alemanha

Shimon Peres requer em Berlim punição de criminosos nazistas ainda vivos

Juventude não deve esquecer o que aconteceu no Holocausto, diz presidente de Israel em pronunciamento no Parlamento alemão pelos 65 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz.

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Peres (e) e Köhler depositaram flores no antigo campo de concentração de Buchenwald

Em comovente pronunciamento diante do Parlamento alemão, o presidente de Israel, Shimon Peres, requereu a punição dos criminosos nazistas ainda vivos. "A Shoah [Holocausto] tem de ser um eterno sinal de alerta para a consciência humana", disse Peres nesta quarta-feira (27/01) na cerimônia pelos 65 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, o maior do regime nazista.

Israel não quer "vingança", mas a "educação" de uma juventude que não deve esquecer o que aconteceu durante o Holocausto, lembrou o Prêmio Nobel da Paz de 1994 no Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, diante da chanceler federal Angela Merkel e do presidente da Alemanha, Horst Köhler.

Para evitar um segundo Holocausto, a paz deve ser assegurada com todos os países, disse o político de 86 anos. As ameaças de destruição de Israel vêm de pessoas irresponsáveis, acrescentou, referindo-se à liderança iraquiana.

"Meu filho, seja sempre judeu!"

No emotivo discurso de 35 minutos, o presidente israelense se lembrou do avô e de outros membros da família mortos pelos nazistas. Quando viu o avô pela última vez, este lhe teria dito: "Meu filho, seja sempre um judeu!"

O olhar deve ser dirigido ao futuro, acrescentou: "Nunca mais uma teoria racial, nunca mais o sentimento de superioridade", apelou Peres, acrescentando que "nunca mais demagogos com intenções assassinas devem ameaçar um povo".

"A mais importante de todas as lições" dos crimes do nacional-socialismo é: "Nunca mais", assinalou Peres.

Responsabilidade especial da Alemanha

A responsabilidade da Alemanha em relação ao Estado de Israel foi lembrada pelo presidente do Bundestag, Norbert Lammert. "Onde seu direito de existência e sua segurança estiverem ameaçados, não há neutralidade para nós, alemães", afirmou. "Algumas coisas são negociáveis, mas não o direito de existência de Israel".

Referindo-se ao Irã, Lammert disse que um país com armas nucleares na vizinhança de Israel, "liderado por um regime abertamente antissemita", seria insuportável não apenas para Israel. "A comunidade internacional não deve tolerar tal ameaça", completou.

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Shimon Peres (d) é aplaudido de pé no Bundestag

Peres foi o primeiro presidente israelense a fazer um pronunciamento no Bundestag, no dia em que o Parlamento alemão lembra as vítimas do regime nacional-socialista. Também Eser Weizman (em 1996) e Moshe Katzav (2005) já falaram diante do Parlamento enquanto presidentes de Israel,, mas não nesta data.

Em 27 de janeiro de 1945, tropas soviéticas libertaram o campo de concentração de Auschwitz, hoje na Polônia. A data foi declarada Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto.

Para Charlotte Knobloch, presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, o 27 de janeiro serve de advertência, para que se combata de forma decisiva "o esquecimento, os revisionistas da história e os negadores do Holocausto".

"A falta de empatia, a indiferença em relação ao destino dos outros e a falta de disposição para defender os valores de uma sociedade democrática e tolerante foram os fatores que prepararam caminho ao criminoso regime de Hitler", acrescentou.

Descaso com o antigo campo de Auschwitz

O vice-presidente do Comitê Internacional Auschwitz, Christoph Teubner, alertou em matéria publicada no jornal Berliner Zeitung para o descaso com o antigo campo de concentração na Polônia, hoje Memorial Auschwitz-Birkenau.

Segundo ele, muitos prédios estão em ruínas, não podendo mais ser visitados, enquanto outros apresentam profundas rachaduras em suas paredes. As obras de restauração estão orçadas em cerca de 120 milhões de euros, dos quais o governo alemão pretende dispor 60 milhões de euros.

Piotr Cywinski, diretor do museu na área do antigo campo de concentração, reclama que, se as verbas não forem logo disponibilizadas, muitos prédios não poderão mais ser salvos. Segundo ele, é preciso investir também na segurança da área de quase 200 hectares. No ano passado, o local recebeu 1,3 milhão de visitantes, principalmente jovens.

RW/afp/ap/dpa/epd

Revisão: Carlos Albuquerque

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