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América Latina

"Shakira pôs os deslocados da Colômbia na agenda internacional"

Cantora colombiana criou a Fundação Pies Descalzos com objetivo de promover a cultura da paz no país desde a infância. Em entrevista à DW, diretora da organização fala sobre os resultados alcançados.

A Fundação Pies Descalzos foi fundada pela cantora colombiana Shakira em 1997, com o objetivo de construir um país mais igualitário e solidário. Para isso, a organização não governamental aposta na educação. Neste ano, cerca de 7 mil crianças e adolescentes e 63 mil adultos, moradores das comunidades mais vulneráveis da Colômbia, são apoiadas pela fundação em escolas e centros comunitários.

A diretora da Pies Descalzos, Patricia Sierra, participa desta edição do

Global Media Forum

. Em entrevista à DW, Sierra destacou que Shakira colocou a tragédia dos deslocados na Colômbia na agenda internacional.

GMF 2015 Patricia Sierra

Patricia Sierra, diretora da Pies Descalzos

DW: A Colômbia está em meio a um processo de paz impulsionado pelo presidente Juan Manuel Santos, mas houve um recrudescimento dos ataques da guerrilha. Como os colombianos se sentem diante disso?

Patricia Sierra: Muitos apostam nesse processo de paz. Mas não podemos negar que ainda estamos em guerra. Isso fica visível como os atentados realizados nas últimas três semanas, o que interrompeu o diálogo. E a polarização do país não ajuda. Para os colombianos, está claro que as negociações em Cuba não vão resultar em paz. Temos que construir uma nova Colômbia porque, como em todas as guerras, há problemas estruturais. Na Colômbia, o problema foi o conflito pela terra durante mais de 50 anos. Por isso surgiram as guerrilhas, os paramilitares. Foi tudo envolvendo a posse de terra. Há quem tenha muita e quem não tenha nenhuma. Somos o quarto país mais desigual do mundo.

De que maneira o conflito armado afeta as crianças?

Isso se reflete na gravidez na adolescência, por exemplo. Esses jovens nasceram em meio à guerra e continuam vivendo em meio à guerra. São adolescentes de 12, 13 anos que engrossam a pobreza e a miséria. Mas também há muitas crianças que ficam órfãs. A Colômbia ocupa o segundo lugar no mundo quanto ao número de deslocados. É um deslocamento interno. A Pies Descalzos trabalha nas regiões onde há mais deslocados para ajudá-los a construir novas comunidades. O grande problema dessas famílias é que elas não têm raízes e já não creem no futuro, simplesmente vivem o dia a dia. Além disso, essas crianças são geradoras de guerra, não conhecem outra coisa. Por isso, a paz começa com a educação.

Como a violência se reflete nas crianças?

Numa sala de aula com um professor e 40 crianças, é provável que alguns alunos estejam armados. Eles perdem a concentração pensando em como fazer mal a outra criança. A Pies Descalzos cria ambientes saudáveis, e queremos que as crianças levem esses ambientes para suas casas. Por isso, nossas escolas têm as portas abertas, são centros de desenvolvimento comunitário abertos 24 horas por dia, não apenas para que as crianças e os pais estudem, mas também para que tenham espaços onde comecem a construir uma rede social. As crianças acham que quem está sentado ao lado é um inimigo, que poderia ser da guerrilha ou dos paramilitares. O primeiro passo é construir relações sociais que consigam despertar confiança.

Como a Pies Descalzos atua nas escolas?

Construímos escolas públicas em conjunto com o governo nacional, que logo entregamos aos governos porque essa é uma responsabilidade do Estado. A Pies Descalzos é um apoio. Trabalhamos na educação pública para ajudar a melhorar as propostas pedagógicas das instituições, para que sejam coerentes com o entorno de guerra. Nas escolas, as pessoas são capacitadas e trabalham em oficinas para que entendam e aprendam a reclamar seus direitos. É ali que as crianças começam a vida e, para isso, é preciso ajudá-las em todas as disciplinas, da psicologia à pedagogia e à história, trabalhando com as famílias. O que nos alegra é que temos resultados: crianças que conseguem sair e falar sobre a guerra e que agora querem construir a paz.

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