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Alemanha

Sexo do bebê sob encomenda

Estudo da Universidade de Giessen revelou que poucos alemães predefiniriam o sexo dos filhos, mesmo que já houvesse medicamento garantindo dar à luz só meninos ou só meninas. Cientistas enfocam aspectos legais e morais.

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Menino ou menina?

Desde a Antigüidade, as pessoas já tinham interesse de predefinir o sexo dos filhos. Aristóteles tinha uma teoria, segundo a qual o casal que quisesse um menino deveria concebê-lo em noites frias, de vento norte. Por outro lado, quem quisesse uma filha, deveria providenciá-la em noites úmidas, quentes e de vento sul.

Crendices à parte, o avanço da genética permitiu que os desejos se tornassem realidade. Para isso, os casais precisam apenas comparecer a uma clínica, onde o óvulo será fertilizado após o isolamento do cromossoma X ou Y, conforme o sexo desejado para o rebento.

Na Alemanha, esta possibilidade preocupa políticos, cientistas e sociólogos, pois teme-se que no futuro possam nascer mais meninos que meninas. Para averiguar se este temor tem fundamento, o Centro de Dermatologia e Andrologia e a Clínica de Fisioterapia e Medicina Psicossomática da Universidade de Giessen encomendaram uma pesquisa ao Instituto Forsa, cujos resultados foram publicados na edição de outubro da revista Human Reproduction.

Clínicas são descartadas

Para alívio dos que se preocupavam com um desequíbrio entre homens e mulheres na sociedade, a pesquisa, realizada entre 1094 pessoas de 18 a 45 anos, mostrou que os alemães não têm preferência em relação ao sexo dos filhos. Questionados, no entanto, o que prefeririam se pudessem escolher, 58% disseram que realmente não se preocupam com o sexo do filho que está por vir, enquanto 30% responderam que gostariam de ter o mesmo número de meninos e meninas. Apenas 4% preferem ter mais meninos e 3% mais garotas. Um por cento deseja ter só filhos do mesmo sexo.

O que surpreendeu os cientistas foi que 92% dos questionados disseram que jamais gastariam dois mil euros numa clínica especializada para uma fertilização que garantisse o sexo de um filho. Apenas 6% responderam afirmativamente. Mesmo que já existisse um "comprimido rosa" ─ para só ter meninas ─ ou uma "pílula azul" ─ para dar à luz exclusivamente garotos ─ apenas 8% dos alemães a usariam.

A pesquisa demonstrou o erro de avaliação dos que viam nos negócios com a genética uma galinha dos ovos de ouro. Em todo o mundo, existem 65 clínicas que oferecem a fertilização do óvulo com a garantia do sexo do bebê. Três delas ficam na Inglaterra. Elas admitem que 95% dos seus casos são famílias que já têm um grande número de filhos do mesmo sexo e querem garantir que o próximo seja do sexo oposto.

Aspectos legais e morais

Quanto às implicações legais e morais do processo de seleção do sexo dos bebês, a equipe de cientistas da Universidade de Giessen não conseguiu chegar a uma conclusão, mas concorda que o desequilíbrio entre os sexos é a razão mais poderosa dos críticos desta tecnologia. Os cientistas advertem, também, para o perigo de possíveis abusos da técnica, que poderiam levar à produção em massa de "bebês estereotipados" ou ao "design de crianças".

A justificativa para o baixo interesse dos alemães pela predefinição do sexo dos filhos é tema de uma segunda pesquisa dos mesmos cientistas, ainda não divulgada. Nela, 85% dos pais na Alemanha responderam que os filhos devem ser amados do jeito que são, e não por causa de características como a beleza, inteligência ou sexo.

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