Setor vinícola brasileiro projeta negócios de 1 milhão de dólares em feira alemã | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 29.03.2011
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Brasil

Setor vinícola brasileiro projeta negócios de 1 milhão de dólares em feira alemã

Em 2011, produtores brasileiros de vinho esperam dobrar o faturamento com as exportações, que no ano anterior alcançou 2,3 milhões de dólares. Preço elevado é uma das barreiras do produto nacional.

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Andreia Milan, da Wines of Brasil, destaca estratégia de atingir o público jovem

Termina nesta terça-feira (29/03), na cidade alemã de Düsseldorf, a ProWein, uma das mais importantes feiras de vinho da Europa – ao lado da Vinexpo, em Bordeaux (França), e da Vinitaly, em Verona (Itália).

Este ano, cerca de 3.600 expositores de 50 países participam do evento, que está em sua 17ª edição. Segundo os organizadores, de domingo passado até o seu encerramento a feira terá recebido 36 mil visitantes. A maioria, comerciantes e importadores da bebida de várias partes da Europa.

É grande a expectativa de negócios dos expositores brasileiros na ProWein. De acordo com Andreia Gentilini Milan, gerente de Promoção Comercial da associação Wines of Brasil, os cerca de 40 produtores que participam da feira esperam faturar entre 300 mil e 500 mil dólares em novos contratos, e outros 500 mil dólares em negócios futuros iniciados no local. A Wines of Brasil é formada por produtores do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e conta com o apoio do governo federal.

"O Brasil é uma marca forte, as pessoas têm uma imagem positiva do país, querem provar coisas brasileiras. Com isso, nosso vinho não tem rejeição no mercado internacional", garante Andreia. "O vinho brasileiro é um produto novo, que está iniciando um processo de inserção agora. É uma página em branco que a gente está começando a escrever", diz.

Os produtores brasileiros esperam faturar alto no mercado internacional em 2011 – pelo menos 90% a mais do que no ano passado, quando o país exportou 2,3 milhões de dólares da bebida. Além de pesados investimentos na produção e em prospecção de negócios, os produtores esperam contar com a curiosidade pelo vinho brasileiro no exterior para entrar com tudo em países como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha – considerados os três maiores e mais difíceis mercados mundiais.

Düsseldorf ProWein

Estande brasileiro: belas fotos e petiscos nacionais

Vinho nordestino

Para atrair a atenção dos representes do trade do vinho, a Wines of Brasil montou um estande com fotos do ensolarado céu brasileiro e ofereceu típicos salgadinhos nacionais. Um grande mapa do país apontava os locais onde mais se produz vinho: na região Sul, especialmente na serra gaúcha, e, para surpresa de muitos visitantes, em pleno Nordeste brasileiro, no Vale do São Francisco, em Pernambuco.

"Como a uva sofre mais estresse nessa região, mais quente e seca, os vinhos de lá têm uma concentração aromática maior, são mais ricos em polifenóis [substância antioxidante presente na casca da uva]", explica Ricardo André Oliveira Henriques, representante da Vini Brasil, que produz vinhos no Vale do São Francisco desde 2002.

A empresa, um braço da portuguesa Dão Sul, resolveu apostar alto na região pela baixa concorrência e pela possibilidade de produção com qualidade. Após anos de pesquisas sobre uvas mais adaptáveis à área e sobre logística para aquisição de insumos e de distribuição, Henriques garante que o risco valeu a pena. A Vini Brasil produz mais de 1,5 milhão de garrafas por ano, entre tintos, brancos e espumantes.

Preço ainda é barreira

Apesar de algumas empresas nacionais já exportarem para até 20 países, ainda existem grandes dificuldades de penetração do vinho brasileiro no mercado internacional. Uma delas, segundo o gerente-comercial da importadora Sucos do Brasil, Christian Wurm, é o preço. A produção no Brasil não é barata, avalia Wurm, o que dificulta a competição com países vizinhos, como Chile e Argentina, que conseguem oferecer produtos mais em conta ao consumidor final. Produtores nacionais reclamam dos altos custos de distribuição e de insumos no Brasil, além da pesada carga de impostos.

Wurm diz que, no ano passado, a situação foi ainda mais complicada. Com a valorização do real frente ao dólar e ao euro, o vinho brasileiro no mercado europeu sofreu um aumento de preço de até 30%, o que acabou reduzindo o volume de importação.

Düsseldorf ProWein

Preço alto e desconfiança dificultam vendas, diz Wurm

Para 2011, no entanto, as expectativas são boas. "O Brasil tem um bom vinho. Então é possível investir mais nas classes média e alta. Nessa categoria, é possível competir no preço com praticamente todos os países", avalia o gerente-comercial. A Sucos do Brasil importa atualmente entre 40 mil e 50 mil garrafas de vinho brasileiro por ano, e espera um crescimento de até 25% de aumento da demanda europeia em 2011.

Paladar desconfiado

Andreia Milan garante que o vinho brasileiro deixou para a trás a fase em que ainda era considerado um produto exótico aos olhos dos estrangeiros. Mas admite que o consumidor da bebida no exterior ainda tem um perfil bem limitado: geralmente são pessoas mais jovens, moradoras de cidades grandes, abertas a novas experiências.

Christian Wurm conta que ainda encontra resistências entre seus clientes: donos de restaurantes e de grandes estabelecimentos em vários países da Europa. "Quando ofereço o vinho brasileiro sem dizer de onde ele vem, a pessoa não consegue adivinhar sua origem, mas afirma que a qualidade é muito boa. Mas se entro dizendo que é vinho brasileiro, percebo que ficam céticas", conta.

O preço pouco competitivo e um certo preconceito ainda impedem que o vinho nacional conquiste o próprio mercado interno. Por isso, na perspectiva da Wines of Brasil, é importante a busca pelo reconhecimento internacional, como premiações e entrada na carta de bons restaurantes mundo afora. "No momento em que eu me estabeleço num mercado norte-americano, por exemplo, mostro que fiz vários esforços para adaptar meu produto. O reconhecimento, mesmo no Brasil, será uma conseqüência", afirma Andreia.

Autores: Mariana Santos e Tim Lokotsch
Revisão: Alexandre Schossler

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