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Mundo

Serviços secretos dos EUA e do Reino Unido espionam fabricante de chips de celular

Novas denúncias de Edward Snowden apontam que NSA e agência britânica acessaram a rede interna da holandesa Gemalto, maior produtora de cartões SIM do mundo, interceptando dados e conversas telefônicas.

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) e a sua equivalente britânica GCHQ acessaram ilegalmente a rede interna da companhia holandesa Gemalto, a maior fabricante de chips para telefones celulares do mundo. O relatório com a denúncia foi divulgado nesta quinta-feira (19/02) no website The Intercept, que afirma ter tido acesso a documentos vazados pelo ex-consultor da NSA, Edward Snowden.

Glenn Greenwald, o jornalista por trás da divulgação de denúncias de práticas ilegais de espionagem feitas pelo ex-consultor, escreveu no Tweeter que essa seria "uma das maiores histórias de Snowden até agora".

Greenwald é um dos fundadores do The Intercept, portal que afirma ter como objetivo divulgar as denúncias de Snowden e praticar um jornalismo "sem medo e confrontador sobre uma série de temas".

A multinacional Gemalto, cujo lema é "Segurança para ser Livre", produz dois bilhões de chips de celular por ano. Entre seus clientes estão companhias telefônicas em 85 países, como T-Mobile, Verizon e AT&T.

Os jornalistas Jeremy Scahill e Josh Bigley, que divulgaram a denúncia sobre a Gemalto, afirmam que os serviços de espionagem britânico e americano invadiram redes internas da empresa holandesa e, dessa forma, interceptaram dados e comunicações telefônicas de indivíduos específicos. A violação de sistemas encriptados dava às agências a possibilidade de monitorar uma parte significativa das comunicações via telefones celulares em todo o mundo.

"Defensores da privacidade e especialistas em segurança afirmam que o roubo de códigos encriptados de uma grande empresa de telefonia celular pode ser comparado a um ladrão que rouba as chaves-mestras de um zelador de um edifício, ganhando acesso a todos os apartamentos", escreveram os jornalistas, citando um documento confidencial de 2010.

A Gemalto diz que foi pega de surpresa pelas notícias. "Estou perplexo, muito preocupado com o fato de isso ter acontecido. O mais importante para mim é entender exatamente como isso foi feito, para que possamos tomar todas as medidas necessárias para assegurar que não aconteça novamente", declarou Paul Beverly, vice-presidente executivo da empresa, aos jornalistas do The Intercept.

Líderes políticos holandeses também expressaram preocupação com as informações vazadas, principalmente por se tratarem de agências estrangeiras espionando em território holandês, onde a prática de hacking é ilegal. O parlamentar Gerard Schouw afirmou via Tweeter que a Holanda exigiria explicações sobre o incidente.

O FBI e outras agências americanas podem pedir autorização judicial para interceptar clientes de empresas de telefonia, mas isso é mais difícil no âmbito internacional. O especialista em criptografia Mathew Green afirmou aos jornalistas do The Intercept que tal acesso ao banco de dados das chaves encriptadas é uma "má notícia para a segurança na telefonia".

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