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Mundo

Serviço secreto alemão sustenta informantes neonazistas

Skinheads acusados de distribuir CDs de teor xenófobo e anti-semita eram informantes ocasionais do serviço secreto alemão. Comissão Parlamentar exige explicações do ministro do Interior, que defende a atuação do órgão.

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Neonazistas usam coturnos de saltos reforçados com metal como arma

Nesta quinta-feira (29), a comissão do Parlamento da Alemanha (Bundestag) que trata dos serviços de inteligência, interpelou o Ministro do Interior, Otto Schily, sobre o caso: o Departamento Federal de Proteção à Constituição - que centraliza e coordena os serviços de inteligência dos estados - sustenta há anos informantes ocasionais entre grupos de jovens neonazistas. Após um escândalo desencadeado pelo semanário Focus, tornou-se público que dois desses espiões trabalham ativamente para o "outro lado", ou seja, disseminando propaganda nazista.

Relações Obscuras - O caso provocou uma discussão no país sobre os limites a serem estabelecidos nas relações entre informantes e Estado. A oposição democrata-cristã e social-cristã exigiu do governo um esclarecimento urgente sobre o envolvimento de agentes federais com extremistas de direita. Schily defendeu perante a comissão parlamentar a política do serviço secreto alemão, afirmando "que o perigo vem dos extremistas de direita, que promovem essas coisas terríveis e abomináveis, e não daqueles que combatem essas atividades".

Notas do Ódio - Desde meados dos anos 90, o neonazista Mirko H., da Saxônia, vem trabalhando como informante do serviço de inteligência do país. H. é acusado de, neste período, ter produzido e distribuído milhares de cópias do CD Notas do Ódio, da banda White Aryan Revels (Rebeldes Arianos Brancos), além de outros dez CDs contendo canções que pregam a morte de judeus e imigrantes.

Uma reportagem publicada pelo semanário Focus acusa o Departamento Federal de Proteção à Constituição de ter continuado a trabalhar com Mirko H., mesmo sabendo da produção dos CDs. A distribuição dos mesmos não foi, tampouco, bloqueada. Segundo o semanário, o acusado ganhou mais de 105 mil euros com a produção musical xenófoba.

Ameaças de Morte - A canção The Bullet is for You , presente no álbum Notas do Ódio, inclui uma ameaça de morte ao entrevistador de TV e vice-presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Michel Friedman, além de pregar a morte de políticos e personalidades públicas do país.

Friedman declarou, estarrecido, ao diário Der Tagesspiegel, que "o fato dos departamentos de segurança do Estado terem se tornado parte da ameaça me abala e me apavora". Também a apresentadora de TV Mo Asumang, de origem africana, reagiu perplexa: "Não quero nem imaginar que o serviço de inteligência sabia o que estava acontecendo. Eu iria então duvidar de tudo nesse país", resume Asumang.

O segundo informante ocasional envolvido nos escândalos, Toni S., um neonazista de Cottbus, no leste alemão, trabalhava para o serviço de inteligência do estado de Brandemburgo. Toni S. está detido para investigações sobre suas ligações com os White Aryan Rebels.

Omissão - O Ministério do Interior é ainda acusado pela imprensa de ter omitido à comissão do Bundestag o fato de que Mirko H., antes de trabalhar como informante para o serviço de inteligência, havia sido condenado a dois anos de prisão - em liberdade condicional - por porte ilegal de armas. O ministro do Interior Schily revida a acusação, afirmando que não poderia ter passado "detalhes da operação" para a comissão parlamentar.

Schily acentuou ainda que "quem quer quebrar as estruturas conspirativas" do circuito de extremistas de direita no país, está fadado a contar com o trabalho de informantes ocasionais. O ministro defendeu a conduta de atuação do serviço secreto, ao citar o fato de que nos últimos anos vários CDs de conteúdo nazista tenham sido confiscados, pessoas detidas e processos iniciados.

Métodos questionáveis - Para o deputado verde Christian Ströbele, o incidente "é apenas um exemplo dos questionáveis métodos de trabalho do Departamento de Proteção à Constituição". Ströbele questiona os limites que separam as atividades que extremistas de direita "desempenham sozinhos" e aquelas "inspiradas e financiadas" indiretamente pelo serviço secreto. "Você tem que se perguntar se algumas das autoridades estão fazendo mais para prejudicar ou para proteger a Constituição", alerta Ströbele.

Partido Nazista - O último escândalo envolvendo os neonazistas é apenas a ponta do iceberg das relações obscuras do serviço de inteligência alemão. O Tribunal Federal Constitucional interrompeu há pouco um processo de proibição da facção de extrema direita NPD (Partido Nacional da Alemanha), ao detectar que vários membros do partido serviam de informantes ao serviço de inteligência do país.

O pedido de proibição do partido radical de direita foi apresentado pelo governo e as câmaras baixa (Bundestag) e alta (Bundesrat) do Legislativo. Os argumentos principais são a semelhança do NPD com o partido nazista de Adolf Hitler e o envolvimento de filiados seus em atos de violência por motivo racistas, xenófobos e anti-semitas.