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Mundo

Serviço secreto alemão no Iraque: com quem está a verdade?

Artigo do "New York Times" põe em xeque assertivas do governo alemão de que não auxiliou EUA na guerra do Iraque. Berlim e serviço secreto desmentem sumariamente. Oposição insiste em CPI.

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Joschka Fischer (esq.) e dois outros políticos acompanham debate sobre atividades do BND no Iraque

O jornal New York Times noticiou nesta segunda-feira (27/02): o governo alemão apoiou a guerra no Iraque de maneira bem mais decisiva do que tem admitido publicamente. O periódico fundamenta suas afirmações num estudo das Forças Armadas norte-americanas de 2005, até então confidencial.

Planos de Saddam

BND soll Amerikanern im Irak-Krieg geholfen haben

Soldado dos EUA vigia local bombardeado em Bagdá (foto de 04/06/2003)

Em dezembro de 2002, dois agentes do Serviço Federal Alemão de Informações (BND) haveriam supostamente conseguido uma cópia dos planos secretos do então presidente iraquiano Saddam Hussein, para defesa de Bagdá. Graças a esta ajuda, os militares americanos puderam antecipar quando e como Saddam pretendia mobilizar seus soldados mais leais.

Inicialmente, os espiões encaminharam o material a seus superiores, segue o NYT. Somente em fevereiro de 2003, um mês antes do início dos bombardeios, no Catar, na Península Arábica, um oficial do serviço secreto alemão entregou o dossiê em questão a um colega norte-americano.

Governo: atuação dos agentes "definida e restrita"

O porta-voz de Berlim, Ulrich Wilhelm, classificou como "falsas" as acusações, acrescentando que o governo – na época liderado por Gerhard Schröder – jamais soube do documento mencionado. O BND igualmente desmentiu sumariamente as informações do New York Times.

Ainda segundo o periódico, na véspera o mesmo Wilhelm se recusara ao telefone a fornecer qualquer informação sobre as atividades dos dois agentes. O jornal enfatiza o fato de o governo Schröder haver sido um dos críticos mais ferozes da intervenção militar norte-americana no Iraque.

Na quinta-feira (23/02), o governo alemão divulgara relatório sobre as atividades no BND. Segundo esta, a atuação dos dois agentes era "claramente definida e muito restrita".

Reviravolta dramática

A oposição alemã continua insistindo que se realize uma CPI sobre o caso. Após a exigência dos partidos Verde e de Esquerda, a decisão no Bundestag (parlamento) depende do Partido Liberal Democrático (FDP), na qualidade de maior agrupamento de oposição.

O deputado Max Stadler exigiu um posicionamento do governo: "Caso estas informações se confirmem, haverá obviamente uma reviravolta dramática", previu o político liberal-democrata, membro do grêmio parlamentar de controle encarregado de investigar o caso.

Christian Ströbele in Hannover

Hans-Christian Ströbele

Um outro integrante do grêmio, o verde Hans-Christian Ströbele, já declarara na quarta-feira passada estar convencido de que os dois agentes estacionados no Iraque após o início da guerra haviam "recolhido dados e os enviado à Alemanha, para serem repassados aos EUA".

Ströbele enumerou quatro relatórios escritos, contendo 11 alvos. A maior parte desses relatórios incluiria coordenadas geográficas. O deputado acrescentou, entretanto, que o governo alemão não estava informado sobre as atividades concretas dos agentes em Bagdá.

O NYT ilustra seu artigo com esboços dos agentes do BND, que faziam parte do estudo militar secreto das Forças Armadas norte-americanas.

Esclarecimento urgente

Bundesnachrichtendienst in Pullach

Sede do Serviço Federal de Informações, nas proximidades de Munique

O presidente do Partido de Esquerda, Oskar Lafontaine, interpretou as revelações da imprensa americana como "mais uma prova de que o governo federal oculta informações importantes do público e do parlamento".

Comentando que "o pôquer acabou", o ex-social-democrata considera como "fracassadas" todas as tentativas de esclarecimento diante do grêmio de controle, tamanhos "o alcance e potencial explosivo" do artigo do NYT.

As primeiras reações da imprensa alemã também demonstram o quanto as afirmações do NYT, sobrepondo-se às assertivas de Berlim, podem abalar a confiança da opinião pública alemã em seu governo.

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