1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

"Sentir contornos", uma mostra de arte para cegos

Exposição na Alemanha traz obras de arte que podem ser reconhecidas por deficientes visuais. Diferentes materiais e formas são o segredo para aguçar a percepção dos cegos.

default

Cegos raramente podem apreciar obras de arte

Tocar os contornos, apalpar os relevos, sentir o calor de um material. A arte para o tato faz parte da mostra permanente da Sala de Exposições da Central de Fomento à Profissão em Halle, leste da Alemanha. A excepcional exposição é fruto do trabalho de uma ano da instituição, a única responsável pela profissionalização de cegos e portadores de deficiências visuais no país.

"Eu nem imagino o que seja arte abstrata, mas gosto muito de pinturas antigas e esculturas", afirma Michael Kortz, que desde criança tem catarata e hoje, aos 49 anos, é totalmente cego. Limitado pela sua deficiência visual, o serralheiro não entende muito de arte, mas reconhece a sua importância: "Quem não se interessa por arte tem uma parte vazia dentro de si".

Sentir contornos explora materiais, formas, cores e tamanhos. A exposição conta com uma planta em alto-relevo, que serve como base de orientação para os visitantes. Cada ambiente está representado com a forma de um animal, que corresponde ao desenho da maçaneta da porta de acesso ao local. O prédio principal da Sala de Exposições, por exemplo, aparece em forma de um grande peixe, que os cegos reconhecem ao tocar a maçaneta da porta de entrada com o respectivo desenho. Esta planta estilizada planta do prédio foi produzida pela artista Jorinde Jentsch.

A mostra também traz esculturas em formato grande. No total, 17 artistas produziram esculturas em bronze. Bruno Raetsch reproduziu um Rei sentado em bronze, um Pégaso em ferro e uma Atenas em madeira. Já Philipp Fritsche, apostou nas cores para estimular a percepção dos visitantes. Ele criou esculturas em aço pintadas em azul, vermelho, laranja e verde. Alguns deficientes visuais têm sensibilidade a tons luminosos e conseguem, portanto, visualizar as obras parcialmente.

O pintor alemão Moritz Götze, que possui obras expostas em renomadas galerias em Nova Iorque e Amsterdã, também abusou das cores no painel criado para a mostra. Freqüentemente, o artista contribui com a Central, expondo seus trabalhos

A percepção da arte pelos cegos

Segundo Michael Kortz, o segredo da arte para os cegos está na matéria-prima dos trabalhos. Pessoalmente, ele prefere as obras feitas de metal, pedra e plástico. No entanto, relembra que para a produção de quadros em alto-relevo, a madeira é mais indicada, pois "sempre transmite mais calor".

Para ele, as diferentes superfícies, variando entre macio, duro, grosso, fino, despertam fortes sentimentos. Dessa forma, Kortz considera as formas e materiais decisivos para que um cego defina se uma obra é "bonita ou artisticamente excitante".

Futuramente, os cegos poderão não só se valer do tato para conhecer a arte. Um estudante alemão tem um projeto para criar obras que possam ser percebidas pelo olfato. Se o projeto se concretizar, todos os sentidos humanos serão solicitados frente a uma obra artística.

Links externos