Senado dos EUA confirma Gina Haspel como diretora da CIA | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 18.05.2018
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Estados Unidos

Senado dos EUA confirma Gina Haspel como diretora da CIA

Primeira mulher a comandar a agência supervisionou prisão secreta onde suspeitos de terrorismo eram torturados. Escolha dividiu tanto republicanos quanto democratas e foi duramente criticada por ativistas.

Gina Haspel, de 61 anos é uma veterana no ramo da inteligência

Gina Haspel, de 61 anos é uma veterana no ramo da inteligência

O Senado dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (17/08) a nomeação de Gina Haspel como nova diretora da Agência Central de Inteligência (CIA), que será comandada pela primeira vez por uma mulher. Ela recebeu 54 votos favoráveis e 45 contrários, numa votação que dividiu os blocos democrata e republicano.

A indicação de Haspel para o cargo foi cercada de controvérsias. Durante o governo do presidente George W. Bush, após os ataques de 11 de setembro de 2001, ela supervisionou um centro de detenção secreto na Tailândia, onde suspeitos de terrorismo eram brutalmente torturados com técnicas de afogamento simulado, humilhações, privação de sono e agressões.

Após a CIA fechar a prisão da Tailândia, Haspel passou a trabalhar para José Rodríguez, diretor de Serviços Clandestinos da agência. Três anos mais tarde, Rodríguez, a pedido de Haspel e sem aprovação da Casa Branca, ordenou a destruição de 92 fitas de vídeo com registros das sessões de tortura.

Haspel, de 61 anos é uma veterana no ramo da inteligência. Ela atuou na África, Europa e localizações confidenciais em diversas partes do mundo. No governo do presidente Donald Trump, ela trabalhou com o ex-diretor da CIA e atual secretário de Estado, Mike Pompeo, até ser indicada para substituí-lo no comando da agência.

Sua nomeação teve o apoio de diversos membros da CIA, inclusive autoridades de alto escalão e ex-diretores da inteligência americana. Mesmo assim, Haspel enfrentou uma audiência dura no Comitê de Inteligência do Senado.

Pressionada, ela disse possuir um "código moral forte" e que não retomaria o programa de torturas implementado no governo Bush mesmo se recebesse uma ordem de Trump.

Os senadores republicanos Rand Paul e Jeff Flake se uniram à maioria dos democratas e votaram contra a nomeação de Haspel. Outro que se opôs à indicação foi o veterano senador John McCain, torturado durante a Guerra do Vietnã. Ele está licenciado para tratar um câncer e não participou da votação.

Do lado democrata, vários senadores votaram a favor da nomeação, entre eles, Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, além de Joe Donnelly, Joe Manchin e Heidi Heitkamp.

Após a votação, diversas organizações de direitos humanos divulgaram comunicados criticando a nomeação de Haspel e o programa de tortura do qual ela participou.

"O Senado recompensou essa conduta terrível ao promover alguém que supostamente a administrou e que vai comandar uma das agências mais poderosas do governo", afirmou a Anistia Internacional.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) lamentou a escolha, dizendo se tratar de uma "desgraça completa" para a democracia americana.

"Pela primeira vez na história dos EUA, a CIA será dirigida por alguém que promoveu a tortura no passado", afirmou em nota o diretor da ACLU, Christopher Anders.

RC/ap/efe/afp

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