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Cultura

Sempre um passo na frente: pintor Gerhard Richter faz 75 anos

Nascido em 9 de fevereiro de 1932, Gerhard Richter é um dos pintores de maior sucesso na atualidade. Pinturas a partir de fotografias e colagens de recortes de jornais e fotos são algumas de suas marcas registradas.

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'Zehn grosse Farbtafeln' (Dez grandes cartelas de cor), 1966–1971/72

O pintor Gerhard Richter, nascido em 9 de fevereiro de 1932, em Dresden, é considerado por críticos de arte o "Picasso do século 21". Ele é, sem dúvida, um dos pintores de maior sucesso na atualidade: suas obras se encontram nos museus mais importantes do mundo; trabalhos com sua assinatura alcançam preços recordes no mercado de arte. A revista Capital posiciona Richter, em sua "bússola da arte", no topo dos artistas vivos. O número de prêmios recebidos pelo artista no mundo inteiro é incontável.

À margem do glamour

Der Maler Gerhard Richter

Gerhard Richter

Não há, no entanto, muitas coisas em comum entre Richter e Picasso. Embora também ame as mulheres, como o pintor espanhol – Richter está casado pela terceira vez –, ele evita mostrar-se em público. Quase não concede entrevistas e raramente é visto nos eventos glamorosos em que os artistas costumam circular. Nas ruas de Colônia, onde vive, dificilmente é reconhecido pelos passantes.

O alemão nascido no Leste do país e que vive há 40 anos na região da Renânia tampouco faz de sua biografia o centro de sua arte, como era o caso de Picasso. "Picasso era alguém que buscava seus motivos em sua vida particular, e isso por décadas a fio", afirma Dietmar Elger, biógrafo de Richter. "Gerhard Richter evitou isso por décadas a fio. E quando deu espaço para isso, sempre tentou camuflar", esclarece.

Realismo capitalista

Mas há, sim, um ponto em comum entre os dois artistas: ambos sempre foram precursores nas sucessivas tendências da arte. É o caso de Gerhard Richter: quando um determinado artista chega lá, ele já partiu há muito para outra. Foi assim com seus primeiros quadros de pop art e, em inícios da década de 60, com as primeiras tentativas no expressionismo abstrato, que Richter rebatizou de "realismo capitalista" – uma resposta irônica à doutrina oficial da antiga Alemanha Oriental, o "realismo socialista".

Deutschland Kunst Gerhard Richter Ausstellung in Flensburg Mao

'Mao, 1968'

Sua despedida definitiva do realismo socialista deu-se em 1961, quando Richter fugiu para a então Alemanha Ocidental. Depois que a Escola Superior de Artes Plásticas de Dresden recusou sua inscrição, ele matriculou-se na Academia de Arte daquela cidade, em 1951. Após a fuga, prosseguiu os estudos na Academia de Arte de Düsseldorf, onde mais tarde lecionou, de 1971 a 1993.

Pouco depois de chegar ao Ocidente, deu início ao seu Atlas, uma coletânea de recortes de jornais, fotografias, esboços, paisagens, retratos, naturezas mortas e colagens. Uma espécie de arquivo de motivos, ao qual ele recorreu continuamente, ao longo das décadas, e que foi exposto na Documenta de Kassel de 1997.

O resgate da pintura

Desde cedo as contradições e as rupturas se tornaram marcas registradas da arte de Gerhard Richter. Representações realistas da natureza, pinturas "tremidas" a partir de fotografias, objetos de vidro e espelhos, instalações: é amplo o leque de seus trabalhos. O que muitos criticam como falta de continuidade ou falta de estilo é, na verdade, manifestação de um único intento: Richter está sempre pesquisando e experimentando com a realidade.

"Gerhard Richter é um dos artistas que conseguiram resgatar a pintura para o século 21. Já tivemos muitas vezes a situação de que a pintura foi considerada morta diante de outras técnicas, tais como a arte de ação ou a escultura", diz o biógrafo Egler. "Com sua pintura baseada em motivos da mídia, Richter encontrou uma forma de continuar se dedicando à pintura numa época em que todos pensavam que já não seria mais possível pintar."

Gerhard Richter gestaltet Südquerhausfenster im Kölner Dom

Vitral para a Catedral de Colônia

O Arquivo Gerhard Richter, do acervo estatal de arte de Dresden, acaba de completar um ano. Seu diretor é o ex-secretário do artista e seu atual biógrafo, Dietmar Elger. A cidade natal de Richter o homenageia neste sábado (10/02) com um simpósio. Colônia, para cuja catedral o pintor está criando um vitral, vai conceder-lhe em breve o título de cidadão honorário. Gerhard Richter conseguiu uma façanha rara: ser um artista reconhecido no Leste e no Oeste da Alemanha e gozar de fama mundial. Mesmo que ninguém o reconheça na rua.

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