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Mundo

Semanas decisivas

A Guiné recebeu da Alemanha a presidência do Conselho Mundial de Segurança. Como o parlamento da Turquia negou o uso do país como base americana para a guerra, o cronograma da operação poderá ser alterado.

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Iraque começou a destruir mísseis Al Samoud 2

Com o grande alívio de não ter sido tomada a decisão sobre guerra ou paz no Iraque durante sua presidência no Conselho Mundial de Segurança, a Alemanha passou o turno à Guiné neste sábado. O país da África Ocidental, um dos dez membros temporários, assume por um mês a presidência do órgão máximo das Nações Unidas em um momento crucial para a paz mundial. Dentro em breve deverá ser votada a proposta de resolução dos EUA e da Grã-Bretanha. Ela não menciona explicitamente uma guerra, mas constata que o regime de Saddam Hussein não está disposto a efetivar o desarmamento, o que forneceria a base para legitimar uma operação militar no Iraque.

O governo de Berlim fez um balanço positivo da presidência alemã do Conselho, considerando um fato histórico que duas seções, em fevereiro, tenham sido em nível ministerial. O ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer presidiu a seção no dia 5, quando o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, apresentou os indícios de que o Iraque continuaria de posse de armas de extermínio em massa, não estaria cooperando devidamente com os inspetores da ONU e manteria ligações com a organização terrorista Al Qaeda. Nove dias depois, Fischer tornou a presidir o Conselho, quando seu colega francês Dominique de Villepin fez um veemente discurso contra uma eventual guerra.

Pressão sobre os membros do Conselho

Enquanto a Alemanha esteve bastante isolada com sua posição antibélica no início do ano, agora sua posição conta com o apoio da maioria dos membros do Conselho de Segurança, segundo o Ministério das Relações Exteriores. No entanto, a correlação de forças no Conselho, entre adeptos e adversários de uma solução de força para desarmar Saddam Hussein, está sujeita a constantes mudanças diante das eficazes promessas e ameaças dos EUA para não sofrer uma derrota humilhante no Conselho, se não conseguir evitar o veto de um dos membros permanentes.

País pobre, a Guiné acolhe atualmente os refugiados dos países vizinhos em guerra, Libéria e Serra Leoa. Juntamente com Angola e Camarões, ela integra o grupo de países africanos que poderão abrir mão de sua posição contra a guerra. Um comentário no site Guinéenews considera que, para a Guiné, a aprovação de uma guerra não é uma questão de ideologia, mas de dinheiro. O México e o Chile, por sua vez, não definiram posição oficialmente, mas tendem cada vez mais para os Estados Unidos, a deduzir das últimas declarações de seus governantes.

Dificuldades imprevistas na Turquia

A Turquia, que não integra o Conselho mas é um aliado da OTAN imprescindível para as operações de guerra dos EUA, recebeu garantias de ajuda de mais de 20 bilhões de dólares para compensar prejuízos que a guerra acarretaria a sua economia e socorrer refugiados do Iraque. Não obstante, a questão ainda não está esclarecida. Depois que o governo de Ancara aprovou o estacionamento de mais de 60 mil soldados americanos e 300 aviões e helicópteros, este foi negado pelo parlamento, que adiou várias vezes a decisão, ao que tudo indica devido à resistência dos partidos islâmicos.

Uma votação neste sábado terminou com uma maioria relativa de 264 votos a favor do estacionamento, 251 contra e 19 abstenções. Faltariam pelo menos quatro votos para a maioria absoluta. Enquanto Washington manifestou se consternado com o resultado, o governo turco indicou que apresentará novamente o pedido ao parlamento. A maioria dos turcos é contra uma guerra. Mais de 10 mil pessoas participaram de manifestações contra a guerra e a presença de tropas americanas no país.

Destruição de mísseis na última hora

O Iraque começou a destruir os mísseis Al Samoud 2 neste sábado, quando se esgotava o prazo concedido pelo chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix. Acredita-se que o Iraque possua de 100 a 120 desses mísseis, cujo alcance deveria limitar-se a 150 quilômetros. Testes, contudo, verificaram que alguns alcançavam até 180 quilômetros, pelo que foi exigida a sua destruição. O líder iraquiano, ao que tudo indica, prossegue com sua tática de ceder parcialmente quando o gongo está para tocar.

A Rússia saudou a destruição, interpretando o fato como uma importante prova da cooperação de Bagdá com as Nações Unidas. O presidente Vladimir Putin tornou a exigir uma prolongação das inspeções de armas, após afirmar, na sexta-feira que vetaria uma nova resolução sobre o Iraque. Para os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, a destruição dos mísseis não passa de uma manobra para distrair a atenção do fato de que não apresentaram provas do paradeiro de armas químicas e biológicas.

Não obstante, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell falou em conceder mais tempo aos inspetores da ONU, indicando que Washington não quer submeter sua proposta de imediato à votação no Conselho de Segurança. Disso se deduz que tanto o Iraque como os EUA tratam de ganhar tempo - um para impedir a guerra, o outro para ultimar seus preparativos - militares e políticos.

Em um encontro da Liga Árabe no Egito, os chefes de Estado e governo rejeitaram unanimemente uma operação militar contra o Iraque, que interpretariam como um ataque à segurança nacional de todos os países árabes. Os Emirados Árabes Unidos propuseram a renúncia e o exílio de Saddam Hussein, além de anistia a seus seguidores que permanecerem no país. A Liga Árabe, contudo, recusou-se a discutir a proposta.

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