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Mundo

"Sem muro a Alemanha Oriental não teria sobrevivido"

Como os historiadores avaliam a construção do Muro de Berlim, há 41 anos

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Berlinenses celebram a abertura do muro em 1989

Ninguém desejava uma muralha de pedra e concreto armado mais do que Walter Ulbricht, chefe de Estado da República Democrática Alemã (Alemanha Oriental). Ele precisava dela para isolar o "Estado dos trabalhadores e operários" e, assim, impedir o êxodo de milhares de pessoas para o outro Estado alemão, a República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental).

"Sem o muro a RDA não teria sobrevivido", afirma o historiador berlinense Bernd Eisenfeld. As últimas pesquisas históricas revelam que a União Soviética não apoiou com muita convicção a "muralha antifascista" de Ulbricht. Não obstante, a fronteira de 155 quilômetros cercando Berlim Ocidental sedimentou a divisão alemã durante 28 anos.

No verão de 1961, a situação se agravara para os governantes em Berlim Oriental. O descontentamento com as condições de vida na RDA levava diariamente cerca de mil pessoas a voltarem as costas à Alemanha comunista. Nessa época, a demarcação entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental era a última brecha por onde escapar para o Ocidente, pois a fronteira entre as duas Alemanhas já estava bloqueada há muito tempo. Por isso, Walter Ulbricht insistia, junto a Moscou, para cercar Berlim Ocidental e acabar com o trânsito livre entre os setores dos Aliados, de um lado, e o soviético, de outro.

Os historiadores, contudo, estão convencidos de que o cerco a Berlim Ocidental não estava entre as prioridades dos líderes do Kremlin. Para o chefe de Estado e do PC soviético, Nikita Kruschev, Berlim seria apenas "uma peça no jogo contra os americanos", segundo o historiador Hans-Hermann Hertle, de Potsdam.

No mais, Moscou queria que a RDA, tecnologicamente o país comunista mais avançado, se tornasse o cartão de visita do bloco socialista. Assim, não faria muito sentido "estirar um arame farpado bem na frente dessa janela para o Ocidente". Outros analistas, no entanto, como o social-democrata Egon Bahr, consideram que os soviéticos desempenharam, de fato, um papel dominante.

"A RDA era tida como um satélite e satélites não são independentes", observa o ex-consultor do Partido Social Democrático (SPD) em questões armamentistas, que na época da construção do muro era o porta-voz da Assembléia Estadual de Berlim.

Na tese de Hertle, Kruschev permitiu que Ulbricht executasse seus planos, porque a cúpula soviética não poderia ficar inerte diante da fuga em massa dos alemães orientais. Em 7 de agosto, o comitê central do Partido do Socialismo Unitário (SED) decidiu cercar Berlim Ocidental de fato a partir da noite de 13 de agosto.

De madrugada, trabalhadores arrancaram camadas de asfalto e paralelepípedos das ruas, empilhando-os para formar barricadas. Os transeuntes não podiam acreditam no que viam: postes de concreto e cercas de arame farpado serem erguidos. Mais tarde, tais cercas provisórias seriam substituídas por blocos de concreto armado e todas as instalações que fizeram da fonteira entre as duas Berlins a "faixa da morte", pois fugir por essa fortaleza era arriscar a vida.

Quarenta e um anos após a construção do Muro de Berlim, discute-se sobre o seu significado histórico. O Partido do Socialismo Democrático (PDS), sucessor do SED alemão oriental, defende a tese de que o fortalecimento da fronteira também serviu para garantir a paz, do contrário as duas Alemanhas não escapariam de um conflito armado.

O historiador Hans-Hermann Hertle discorda, argumentando que a construção do muro não teve nada a ver com a política de distensão, que só começou no fim dos anos 60. No entanto, Hertle admite que o Ocidente, por mais chocado que estivesse com a barreira, de certa forma sentiu alívio, pois chegara a esperar coisa pior do que o cerco de Berlim Ocidental. O Muro, com toda a parafernália repressiva na fronteira, não tangia os direitos dos Aliados ocidentais. "Ele se voltava apenas contra os alemães orientais", segundo a amarga constatação do historiador.