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Economia

Sem maiores expectativas

Representantes da UE alertam para o risco de expectativas demasiadas durante a conferência de ministros da OMC em Cancún. Propostas de países como o Brasil são consideradas "extremas" e chamadas de "odisséia no espaço".

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Abrir ou fechar portas aos produtos agrícolas de países pobres?

O comissário para assuntos relacionados à agricultura da União Européia, Franz Fischler, não poupa palavras ao atacar as posições defendidas por países como Brasil, China ou Índia na conferência de ministros da OMC, que começa nesta quarta-feira (10/09) em Cancún, no México.

Para Fischler, as "propostas extremas" desses três países e de outros "deixa a impressão de que eles estão circulando em uma órbita diferente. Se estão querendo fazer negócios, então deveriam retornar à Terra. Se optarem por continuar essa odisséia no espaço, não chegarão nem às estrelas nem à lua, mas acabarão simplesmente de mãos vazias", alfineta o comissário.

Algodão nacional - O pomo da discórdia gira em torno das subvenções agrárias nos países desenvolvidos - ponto central do debate nesta rodada de negociações dos ministros da OMC. Um exemplo: segundo informações fornecidas pelo Banco Mundial, o governo norte-americano destina anualmente três bilhões de dólares às subvenções para o plantio do algodão no país.

Isto significa um montante de recursos três vezes maior do que o repassado por Washington para a ajuda ao desenvolvimento de países africanos. Cortar ou reduzir estas subvenções internas significaria, no caso, abrir as portas do mercado mundial para os produtos de países em desenvolvimento.

Ecos na economia mundial - Apesar do conflito de interesses e do grau de dificuldade das negociações, os representantes da UE estão cientes de que um fracasso da rodada poderá servir como mais um balde de água fria para o comércio internacional como um todo. "Se tenho alguma certeza é a de que resultados negativos em Cancún significarão más notícias para a economia mundial", observa Pascal Lamy, comissário da UE para assuntos relativos ao comércio internacional.

Menu de muitos pratos - Lamy faz uma analogia entre a conferência ministerial da OMC no México e a preparação de um grande banquete, que envolve a participação de cozinheiros de mais de 146 países do mundo. A finalidade? Levar à mesa um menu com mais de 20 pratos.

"Em Doha (sede da última conferência de ministros da OMC), nós entramos em acordo no que diz respeito ao menu. Depois chegou a hora de cuidar dos ingredientes, ir às compras e começar a elaborar os pratos. E agora trata-se de estabelecer um calendário para servir o menu", explica o comissário europeu.

Visões heterogêneas - Só não se sabe se os cozinheiros conseguirão mesmo chegar a um acordo final sobre os ítens deste cardápio, considerando o altíssimo grau de heterogeneidade das diretrizes dos países presentes. Via de regra, as delegações reunidas em Cancún têm em mente um alvo: reduzir e/ou eliminar barreiras alfandegárias e subvenções. Estimativas do Banco Mundial apontam que uma redução das tarifas alfandegárias sobre produtos agrícolas poderia trazer ao mercado mundial valores entre 190 e 520 bilhões de dólares.

Essas mudanças, se forem mesmo consolidadas, poderão trazer enormes vantagens às nações mais pobres. A questão é saber se os mais ricos do mundo estão mesmo dispostos a deixar de subvencionar a produção agrícola dentro de suas fronteiras, mesmo sob o risco de causar com isso rombos nos respectivos mercados de trabalho. A rodada de Cancún será, neste contexto, mais uma prova de fogo para os limites do que os grandes do planeta costumam orgulhosos chamar de "ajuda ao desenvolvimento".

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