Sem candidato ao FMI, Brasil espera maior controle sobre países mais ricos | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 04.06.2011
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Brasil

Sem candidato ao FMI, Brasil espera maior controle sobre países mais ricos

Guido Mantega, ministro brasileiro da Fazenda, defende que FMI fiscalize mais os países desenvolvidos e alivie o cerco aos emergentes. Brasil não deve apresentar candidato a cargo de diretor-gerente.

The new Finance Minister Guido Mantega, speaks during news conference at the Presidential Palace, in Brasilia, Brazil, on Monday, March 27 2006. Finance Minister Antonio Palocci, the architect of Brazil's economic recovery and market-friendly fiscal policy offered his resignation Monday after becoming caught up in a political scandal, Brazil's Finance Ministry said. Palocci was sending a resignation letter Monday evening to President Luiz Inacio Lula da Silva outlining his reasons, the ministry said in a statement. (AP Photo/Eraldo Peres)

Mantega: FMI precisa prestar mais atenção nos países ricos

No fim de junho, o Fundo Monetário Internacional deverá ter um novo diretor-gerente, sucessor de Dominique Strauss-Kahn, que renunciou ao cargo depois de ser acusado de abuso sexual. O prazo para os candidatos manifestarem interesse vence em 10 de junho, mas Guido Mantega, ministro brasileiro da Fazenda, já avisou: "O Brasil não está apresentando nenhum candidato para o posto de diretor-gerente do FMI", em resposta à Deutsche Welle, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (03/06).

Na última semana, Mantega recebeu em Brasília a francesa Christine Lagarde, ministra de Finanças que concorre ao cargo, e o candidato mexicano, Agustin Carstens, presidente do Banco Central do México. "Também teremos prazer de conversar com o candidato sul-africano, se ele vier até o Brasil", respondeu sobre a provável candidatura de Trevor Manuel, ex-ministro de Finanças daquele país.

Campanha sutil

Uma oposição não tão declarada se forma na disputa pela liderança do Fundo Monetário Internacional: de um lado estão os europeus, do outro, os emergentes críticos e ansiosos por mais espaço. "Essa regra de que tem que ser um europeu está superada pelo tempo. O Brasil irá analisar se os candidatos estão sintonizados com um FMI mais moderno, mais representativo dos problemas e dos interesses de todos os países, inclusive dos emergentes", adianta Mantega.

Por enquanto, a exigência dos "novos ricos" ainda não ecoou no território dos afortunados tradicionais. Angela Merkel, líder do governo alemão, já declarou apoio a Christine Lagarde – que teria o que ela chamou de "experiência ideal" – e pediu que os países em desenvolvimento tomem uma decisão imparcial.

Internationaler Währungsfond in Washington DC

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Maior fiscalização sobre ricos

Enquanto apresentava os números da economia brasileira, que registrou crescimento de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2011, Guido Mantega pediu que o FMI pare de "pegar no pé" dos mesmos governos de sempre, "e que fiscalize mais os países avançados, que fiscalize melhor os que apresentam mais desequilíbrios, e não fique, como fazia tradicionalmente, só fiscalizando os países emergentes".

O ministro da Fazenda revelou que o governo brasileiro espera que o Fundo caminhe na direção de reformas. "É importante que o FMI continue apresentando linhas de créditos mais flexíveis, como a que foi apresentada recentemente, e apoie medidas fiscais anticíclicas que, em determinados momentos, significam gastos maiores do governo para recuperação da economia."

Reconhecimento a controle de capitais

Ainda defendendo o fim da antiga ortodoxia do órgão, que o Brasil conheceu de perto ao ter que pedir socorro diversas vezes ao FMI no passado, Mantega afirmou que é importante que a instituição mantenha o reconhecimento das políticas de controle de capitais que alguns países – como o Brasil – tiveram que fazer para limitar o excesso de capitais e a valorização da moeda.

Enquanto o debate pela sucessão do posto mais alto do órgão se acirra, o Comitê Executivo do Fundo Monetário Internacional promete uma avaliação "aberta, baseada no mérito e transparente", assegura Shakour Shaalan em comunicado. A postura do FMI aparentemente quer evitar um clima de "já ganhou" por parte de um ou outro candidato.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Marcio Damasceno

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