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Mundo

Seis consequências de uma Grécia sem euro

Enquanto negociações entre Atenas e credores não avançam, uma possível saída grega da zona do euro assombra o continente. Confira prováveis efeitos do "grexit" para Grécia, Alemanha e Europa.

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E se a Grécia sair da zona do euro?

Poucas expressões usadas pela mídia atualmente assombram tanto a Europa como "grexit" – uma combinação das palavras Grécia e saída (exit, em inglês). Mas, para se chegar a esse ponto, os gregos devem selar o próprio destino. O país tem que desistir voluntariamente do euro, com a assinatura de um contrato de desistência da união monetária. As consequências da saída do país da zona do euro são incertas – tanto para a Grécia quanto para a Europa. Eis algumas possibilidades:

1. Corrida aos bancos

Temendo a falência estatal, os gregos já começaram a retirar, diariamente, milhões de euros de suas contas bancárias, deixando o dinheiro em casa ou transferindo-o para o exterior. Em abril, os depósitos de empresas privadas e famílias caíram para o menor nível desde setembro de 2004.

Mas nas contas bancárias gregas ainda estão depositados mais de 130 bilhões de euros. Em caso de um "grexit", os clientes devem correr aos bancos para garantir a segurança de suas economias. Assim, o dinheiro em espécie se tornaria algo escasso, o que poderia arruinar os bancos do país e trazer sérios problemas para a circulação de moeda.

Para evitar isso, provavelmente os bancos fechariam suas portas após o anúncio da saída da Grécia da união monetária. Após a reabertura das instituições financeiras, o governo poderia restringir as transações em espécie e pagamentos eletrônicos com o objetivo de controlar o fluxo de caixa.

2. Nova moeda

A saída da Grécia da zona do euro e a mudança da moeda do de um dia para o outro seria a variante mais radical de um "grexit". A casa da moeda grega poderia, por exemplo, imprimir dracmas em vez de euros. Mas especialistas acreditam que, após um "grexit", haveria uma transição gradual para uma moeda paralela.

O presidente do Centro de Pesquisa Econômica Europeia, Clemens Fuest, descreveu, no final de maio, a situação da seguinte forma no jornal alemão Handelsblatt: "No momento em que o dinheiro se esgotasse, o governo grego começaria a pagar parte dos salários de funcionários públicos e aposentados com títulos da dívida." Pouco a pouco, essas notas promissórias iriam assumir a função de uma moeda, afirma Fuest.

Seja em dracma ou moeda paralela, nos dois casos o novo meio de pagamento iria perder, claramente, valor perante o euro. Especialistas estimam uma desvalorização entre 30% e 50%. Para turistas, a Grécia se tornaria um destino muito barato e, assim, o fluxo de viajantes iria aumentar consideravelmente. Além disso, produtos locais mais em conta poderiam estimular as exportações do país.

Porém, há ainda o outro lado da moeda. Produtos e serviços do exterior importados pela Grécia ficariam mais caros. Empréstimos em euros – para a compra de imóveis e carros, por exemplo – ficariam mais caros em comparação à moeda paralela. O valor das dívidas do país com os credores também poderia crescer imensamente.

3. Tempos difíceis para os gregos

Com a falência, o país não receberia novos créditos e não teria condições de cobrir suas despesas correntes. Nesse caso, a população seria a mais afetada, já que o governo teria que realizar cortes nos investimentos em infraestrutura, hospitais, transporte público e no sistema de educação para conseguir pagar os salários dos funcionários públicos. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, previu a necessidade de ajuda humanitária à Grécia. "As pessoas no país têm o direito de viver com dignidade", afirma.

4. Quanto custaria um "grexit" para a Alemanha?

Dos cerca de 321 bilhões de euros emprestados à Grécia, o governo alemão entrou com aproximadamente 80 bilhões de euros. Já o setor privado alemão participa com relativamente pouco dinheiro. Em setembro de 2014, a participação de bancos privados no montante era de apenas 4,6 bilhões de euros e, de empresas e pessoas físicas, de 3,6 bilhões de euros. Mas os valores podem variar.

O instituto de pesquisas econômicas Ifo, de Munique, quantificou no final de março o risco das perdas máximas em caso de uma falência da Grécia e da consequente saída dela da zona do euro em 87 bilhões de euros. Caso ocorra um "grexit", porém, esse dinheiro não estará totalmente perdido. Os credores iriam tentar transferir os pagamentos da dívida para datas futuras.

A Bloomberg analisou o valor do empréstimo em relação ao desempenho econômico de cada país da zona do euro. Mesmo sendo responsável pelo maior valor absoluto, a Alemanha não faz parte do grupo dos maiores prejudicados com a falência de Atenas. De acordo com os cálculos, Eslovênia, Malta, Espanha, Itália e Estônia perderiam de 2,8% a 3% de seus Produtos Internos Brutos (PIB). Já a Alemanha aparece nesse ranking na sétima colocação, com 2,37%.

5. Poderia acontecer uma quebra das bolsas?

Cada novidade sobre as negociações entre Grécia e credores funciona como uma espécie de marca-passo das bolsas europeias. Notícias positivas fazem com que os índices subam. Já as negativas fazem com que as bolsas caiam. Com a saída de um país da união monetária, a questão é o quão grande seria o pânico e o quão rápido a poeira iria baixar. Isso estaria intimamente ligado à gestão política da crise. Mesmo assim, os nervos dos corretores das bolsas de valores já estão à flor da pele. Flutuações diárias de cerca de 2% no índice alemão DAX já aconteceram mais de uma vez. E o índice grego já chegou a cair 8%.

6. A Europa afundaria junto?

Por mais de cinco anos, os chefes de Estado e de governo da Europa trabalharam no resgate da Grécia. Um "grexit" soa como uma derrota política, já que a coesão da Europa cairia por terra. Alguns políticos veem a saída da Grécia, porém, também como um ato de força dos países-membros que têm liquidez, sob o lema "quem não quer ouvir deve sentir".

Para a Europa será crucial o desenrolar dos acontecimentos em países em crise como Portugal, Espanha e Itália. Apesar das preocupações com a Grécia, atualmente, os dados econômicos dos outros países são positivos e os investidores continuam comprando títulos. Isso significa que os países recebem dinheiro e não precisam da ajuda da União Europeia.

Caso a Grécia vá à falência e saia da zona do euro, os investidores poderiam ficar inseguros e não emprestar mais dinheiro para países em crise. Assim, a turbulência do euro poderia começar do zero. Para evitar esse desastre político e os custos associados a ele, os políticos europeus ainda devem mexer seus pauzinhos para, no último minuto, evitar um "grexit".

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