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Mundo

Segundo turno na Sérvia: pró-Rússia ou pró-UE?

Sérvios votam no segundo turno das eleições que definem a orientação política do país. Eleitores optam se país se alinhará à Rússia ou à União Européia, mas Bruxelas relativizou importância estratégica do pleito.

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Pleito foi marcado pela possível independência do Kosovo

O segundo turno das eleições na Sérvia foi marcado pela disputa entre o ultranacionalista Tomislav Nikolic, favorável a uma aproximação à Rússia, e o reformista pró-União Européia Boris Tadic, atual presidente do país balcânico. No primeiro turno, realizado em 20 de janeiro, Nikolic assegurou 40% dos votos, enquanto Tadic obteve apenas 35,4%.

No entanto, estima-se que as chances de vitória de ambos sejam comparáveis, o que faz com que os resultados das eleições fiquem completamente em aberto. Previsões indicavam que a disputa seria tão acirrada que avaliou-se inclusive a possibilidade de não divulgar números parciais da apuração.

Kosovo: obstáculo para Tadic

Para os adeptos do atual presidente Tadic, a vitória é especialmente complicada, pois, neste segundo turno, ele teve que acentuar ainda mais suas promessas de campanha. "Nunca desistirei de nosso futuro europeu, assim como nunca desistirei de defender a integridade de nosso país no Kosovo", afirmou.

Serbien Wahlen Tadic bei der Stimmabgabe

O atual presidente, Boris Tadic, pró-UE: vitória incerta

No entato, os dois pilares de sua política são praticamente impossíveis de se realizar, uma vez que o Kosovo está prestes a proclamar sua própria independência e a União Européia já anunciou seu apoio à minoria étnica albanesa.

Além disso, a UE recentemente dificultou a situação para Tadic ao adiar a assinatura de um acordo interino para o diálogo político, a cooperação econômica, o livre comércio e a liberalização de vistos com Belgrado. Em vez disso, facilitou apenas as transações comerciais e a concessão de determinados vistos, o que poderia ter ajudado a aumentar as chances de seu opositor.

Nikolic apostou na emoção

O radical Tomislav Nikolic se via confirmado. Para ele, estava claro desde o começo que o nacionalismo sérvio e valores europeus não são compatíveis. Ele criticou seu opositor por querer assinar um acordo com a UE e, ao mesmo tempo, manter o Kosovo como parte da Sérvia. "Ele mesmo sabe que isso não é possível, pois o acordo da UE prevê a independência do Kosovo", disse Nikolic. "Não faz sentido. Nossos cidadãos não são burros e sabem disso."

Serbien Wahlen Nikolic bei der Stimmabgabe

Candidato pró-Rúsia Tomislav Nikolic: volta ao isolamento?

Nikolic sabia que nunca esteve tão perto de vencer as eleições e procurou se mostrar sob outros aspectos. Desde o começo de sua campanha, tentou expressar-se num tom mais moderado e mostrar-se emocionado e preocupado com a situação dos sérvios.

"Dediquei toda minha vida à Sérvia e entrei de todo coração nesta campanha, que poderá ser a última, mas que com grande probabilidade será bem-sucedida", apelara. "Peço aos cidadãos que, pela primeira vez, decidam com o coração quem deverá assumir o poder. A razão então seguirá o coração."

Futuro está em jogo

Mas a razão também deveria lembrar os sérvios de que Tomislav Nikolic nada mais é que um ultranacionalista, que desempenhou um papel importante na década de 90. Com sua política da Grande Sérvia, ele pode levar o país novamente ao isolamento – alternativa que ele próprio não exclui. "Viram o caro tapete persa costurado com linhas de ouro? Esta é a UE. Mas esse tapete tem um buraco. E esse buraco seremos nós."

Serbien Wahlen Soldaten der KFOR

Soldados belgas em patrulha no Kosovo

O apoio político ao presidente Tadic, em contrapartida, não foi grande e muitos o deixaram na mão. "Decidíramos tomar o caminho pró-Europa pois queríamos melhorar nosso país. Este é um processo longo e eu sei que não vivemos como gostaríamos de viver. Mas tenho certeza de que estamos no rumo certo e uma vida melhor se aproxima", disse Tadic.

UE relativizou pleito

A Comissão Européia, no entanto, tentou abafar a importância estratégia do pleito, alegando que a inclusão da Sérvia no contexto europeu é praticamente irreversível. Em 2003, durante a Cúpula de Thessaloniki, a UE prometeu a todos os países dos Bálcãs que seriam admitidos no bloco assim que atendessem aos critérios exigidos. Segundo Javier Solana, encarregado diplomático da UE, as eleições na Sérvia nada mudam nesta perspectiva.

Para a UE, a Sérvia é parte essencial de uma Europa estável nos Bálcãs. Olli Rehn, comissário da UE para a ampliação do bloco, admite que muito depende do resultado das urnas: "As pessoas na Sérvia escolheram entre um passado nacionalista e um futuro europeu".

Já as investidas russas no país, com investimentos maciços da Gazprom, companhia estatal russa de exploração de gás, são vistas com reserva pela UE, para quem uma Sérvia que sirva como âncora russa nos Bálcãs não combina com sua visão da inclusão de todos os países da ex-Iugoslávia no bloco.

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