Segundo pacote de ajuda só adia falência da Grécia | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 21.02.2012
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Economia

Segundo pacote de ajuda só adia falência da Grécia

Especialistas ouvidos pela DW creem que a Grécia precisa de socorro financeiro pelos próximos oito anos. Segundo pacote não resolve problema e o risco é que falência só tenha sido adiada.

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Atenas não deve conseguir resolver crise da dívida sozinha

A previsão dos economistas não é otimista: mesmo com o segundo pacote de resgate, a Grécia não deve conseguir resolver sozinha o seu problema da dívida. "O plano de recuperar a Grécia radicalmente dentro da zona do euro é uma ilusão", opina Hans-Werner Sinn, chefe do instituto alemão de estudos econômicos Ifo, de Munique. Há tempos a organização pede a saída do país da zona da moeda comum.

Especialistas estão certos de que, mais cedo ou mais tarde, será preciso um corte ainda maior do déficit grego. "Está claro para todos que o pacote atual não será suficiente", opina o pesquisador Ansgar Belke, da Universidade Duisburg-Essen, em conversa com a DW. "Trata-se apenas de ganhar tempo. Segundo a análise interna da Troika, formada pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, a Grécia precisará de apoio ainda por oito anos."

O que dizem internamente

O ponto crítico é o até agora limitado desenvolvimento econômico na Grécia – isso porque enquanto o país precisar economizar radicalmente, a economia não pode se recuperar.

Numa análise interna sobre a dívida grega – trechos do documento foram divulgados na internet pelo jornal Financial Times –, a Troika alerta para um agravamento da recessão. Se as reformas necessárias e as privatizações sofrerem mais atrasos, toda a dívida de Atenas corre o risco de em oito anos persistir em 160% do Produto Interno Bruto (PIB).

"O perigo continua: de que a Grécia economize tanto a ponto de mergulhar numa depressão financeira, declare falência e tenha que sair da zona da moeda comum", diz a análise assinada pelo economista Christian Schulz, do Banco Berenberg. Para aumentar as chances de recuperação, o foco dos esforços deveria mover gradualmente dos cortes para reformas estruturais.

A torneira pode secar

Jörg Kramer, economista-chefe do Commerzbank, também vê sinais de perigo. "Nossos cálculos mostram que a Grécia sozinha praticamente não pode, em longo prazo, arcar com a dívida já reduzida sem a implementação de reformas estruturais. No segundo semestre aumenta a probabilidade de que uma comunidade internacional frustrada não dê mais dinheiro para a Grécia."

Muitos especialistas ainda se perguntam o que há para comemorar caso o nível da dívida grega de fato seja reduzido dos atuais 160% do PIB para 120%. "Depois do Tratado de Maastricht, o nível de endividamento permitido é de 60%. Não há razão econômica que justifique um nível de dívida de 120%", comentou Ansgar Belke.

Segundo Belke, seria mais importante que a economia crescesse para diminuir a dívida e pagar os juros. "E isso é na Grécia o ponto fraco", adicionou. Há grande resistência contra as reformas na Grécia, "e a política também não dá a impressão de que queira levá-las adiante."

Autor: Rolf Wenkel (np)
Revisão: Francis França