Secretária do Clima na ONU confia no controle do desmatamento no Brasil | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 06.06.2011
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Brasil

Secretária do Clima na ONU confia no controle do desmatamento no Brasil

Christiana Figueres, secretária executiva da ONU para Mudança do Clima, acredita que o Brasil irá cumprir a meta de reduzir o desmatamento – com novo Código Florestal, país anda na direção oposta a que se comprometeu.

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Christiana Figueres, chefe da Unfccc

Pelos corredores da conferência do clima em Bonn, na Alemanha, a conversa é de que o Brasil manda maus sinais às negociações, retomadas nesta segunda-feira (06/06). A aprovação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados indica que o país caminha na direção oposta a que se comprometeu, de diminuir o desmatamento.

"Em todo o percurso rumo à meta, há sempre umas curvas que saem fora da linha", relativizou Christiana Figueres, secretária executiva da Unfccc (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) quando questionada pela Deutsche Welle sobre o aumento da derrubada de árvores divulgado no mês passado. "Mas tenho plena confiança de que o Brasil fará tudo para cumprir o compromisso assumido em Copenhague e em Cancún", concluiu.

Na COP 16, na cidade mexicana, o Brasil chegou de cabeça erguida, anunciando que 80% da meta de redução de emissões de carbono em 38,9% até 2020, assumida voluntariamente em Copenhague, já seriam alcançados em 2016. Segundo especialistas, no entanto, a flexibilização do Código Florestal pode contribuir para o aumento da degradação.

Mas Christiana Figueres não encara o assunto como bad news. Otimismo, aliás, é uma característica que a secretária executiva logo fez transparecer em suas conversas – e também no verde de todas as peças de roupa que vestia. Figueres afirmou que os representantes dos 183 países presentes se propuseram a trabalhar intensivamente para cumprir a "ambiciosa agenda" acertada em Cancún: limitar o aumento da temperatura global em 2ºC.

Mas o mundo emite sinais desencontrados sobre o rumo que segue. Na semana anterior à conferência, a notícia de que as emissões de CO2 nunca foram tão altas como em 2010 soou bastante desanimadora. Por outro lado, pontuou Figueres, grandes economias como China e Reino Unido demonstram mais vontade de investir em energia limpa, assim como o setor privado. E estudiosos do IPCC garantiram que é possível que, até 2050, 77% de toda a energia produzida no mundo venha de fontes renováveis.

Flash - Galerie Amazonas Brasilien

Rio Tapajós, na região da floresta amazônica

Desconfiança e proteção florestal

Tove Maria Ryding, coordenadora de política climática do Greenpeace, olha para a atual discussão brasileira com desconfiança. "Sabemos que o Código Florestal ainda tem que passar pelo Congresso, mas achamos que Dilma Rousseff tem que entrar no debate", disse à Deutsche Welle.

E o governo brasileiro, que até então era visto como exemplo a ser seguido por outros países pelas organizações ambientais internacionais, passou a ser observado com suspeita. "É difícil pensar que o Brasil, com toda aquela Amazônia tão representativa para o mundo, vá abrigar a conferência Rio+20 no ano que vem com uma lei ambiental enfraquecida", confessou Ryding.

Um ponto-chave em discussão em Bonn é como estabelecer o mecanismo REDD – Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação – para proteger florestas em países em desenvolvimento. Aproximadamente 1,7 bilhão de toneladas de carbono são liberadas anualmente na atmosfera por meio do uso da terra e derrubada de mata – cerca de 17% das emissões mundiais. No Brasil, as emissões oriundas do desmatamento e do uso da terra correspondem a 61% do total de CO2 que o país joga na atmosfera.

O futuro de Kyoto

Depois da desilusão de Copenhague e dos acordos firmados em Cancún, a conferência do clima encara novamente o momento "agora ou nunca". Apesar de todo o alarde e a ameaça que o aquecimento global representa, a concentração de gás carbônico está aumentando em vez de diminuir – mesmo depois de 20 anos de esforços dos negociadores do clima.

O futuro do Tratado de Kyoto, que expira em 2012, segue tão incerto quanto no final da conferência no México em dezembro passado. Países ricos, como Canadá, Japão e Rússia, não querem se comprometer com num novo período em que tenham que controlar suas emissões.

Quanto a esse assunto, Christiana Figueres afasta o pessimismo e diz que as conversas devem avançar um pouco em Bonn. Para reforçar a confiança em relação ao futuro, a líder da Unfccc garante: "Todos os governos chegaram aqui com altas expectativas. Acredito que também consigamos algum avanço aqui quanto ao que virá depois de Kyoto."

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

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