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Economia

“Se é Bayer...”

O conglomerado da indústria química começou numa casinha, com apenas duas pessoas. Atualmente ocupa 128 mil, em 350 empresas. Em grande parte graças ao milagre da aspirina.

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Ouro em comprimidos

“Dor de cabeça? Tome ácido acetil salicílico!”

O que mais parece uma ameaça de morte reflete uma ação corriqueira para grande parte da população mundial. Pois esta substância de nome ameaçador é o componente principal da aspirina. Há milhares de anos, chineses, egípcios, gregos e romanos descobriram as propriedades medicinais do salgueiro. Já no século 4 a.C., Hipócrates, o pai da medicina ocidental, tratava dores com uma infusão desta planta.

Apenas três anos após a sintetização do ácido acetil salicílico a partir da salicilina, a empresa química alemã Bayer lançava em 1900 a Aspirina. De início a droga foi vendida em pó, mas logo tornou-se o primeiro medicamento produzido em comprimidos. Iniciou-se uma história de sucesso sem precedentes: em 1952, o Livro Guinness dos Recordes apontava-a como o analgésico mais consumido do mundo.

Na década de 60, esse monopólio foi ameaçado pelos medicamentos à base de acetaminofeno e suas vendas caíram seriamente. Mesmo assim, em 1969 as pílulas brancas chegavam à Lua, a bordo da nave Apollo 11, prontas para livrar os astronautas norte-americanos de eventuais dores de cabeça.

Contudo a aspirina provou ser mais versátil do que se imaginava: em 1985, constatou-se que um comprimido por dia diminuía em 20% a probabilidade de um segundo ataque cardíaco. Estudos mais recentes sugerem sua eficácia na prevenção de várias formas de câncer.

Calcula-se que o mundo consome atualmente 12 bilhões de comprimidos de aspirina por ano, o que representa para a Bayer um faturamento de 600 milhões de euros. Mais uma prova da popularidade do analgésico, antipirético e anti-inflamatório: o poema que o escritor João Cabral de Melo Neto lhe dedicou, Num monumento à aspirina.

Do Wupper para o mundo

A história de sucesso mundial da Bayer começou em 1863, numa casa no vale do Rio Wupper. Lá o comerciante de corantes Friedrich Bayer e o tintureiro Johann Weskott abriram uma pequena fábrica de corantes artificiais. O crescimento da firma foi rápido: quatro anos mais tarde, ela já possuía três escritórios de vendas na Alemanha e um na Suíça.

Sua primeira firma de representação comercial própria no Brasil foi fundada no Rio de Janeiro, em 1911. Atualmente seu conjunto industrial em Belford Roxo ocupa quase dois milhões de metros quadrados. Em 1973, a sede administrativa foi transferida para o Bairro do Socorro, em São Paulo. Depois da aspirina, o inseticida Baygon é talvez seu produto mais conhecido. Seu criativo slogan para o Brasil, criado em 1922 por um brasileiro, foi até mesmo adotado nos países de língua espanhola: “ Si es Bayer, es bueno”.

Lipobay e muita aspirina

Em 2001, a Bayer teve fortes motivos para dores de cabeça, com o escândalo do Lipobay. Também conhecido como Baycol, o medicamento para redução do colesterol teve que ser retirado do mercado, sob a suspeita de haver causado 100 mortes em todo o mundo. Após admitir que o remédio pode ter efeitos colaterais fatais, a Bayer responde a mais de dez mil pedidos de indenização, e apenas pouco a pouco seu faturamento vai se recuperando do sério baque.

Hoje a multinacional mantém sede em Leverkusen, na Renânia do Norte-Vestfália, porém engloba mais de 350 empresas nos cinco continentes, com 127.800 funcionários. Sua produção abrange os setores de saúde humana e animal, alimentação, plásticos e proteção de plantas, além de especialidades químicas e produtos de consumo.

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