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Mundo

Schröder propõe estratégia antiterror

Chocado com os atentados em Istambul, chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, sugeriu, nos Estados Unidos, uma estratégia comum da União Européia e de Washington contra o terrorismo internacional.

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Gerhard Schröder (dir) com judeus em Nova York

Por causa dos ataques com carros-bombas contra o consulado da Grã-Bretanha e o banco HSBC em Istambul, com saldo de 27 mortos e mais de 400 feridos, o chefe de governo alemão deixou para segundo plano o programa de sua visita de dois dias aos EUA. Ele viajou com o propósito principal de atrair investimentos americanos para a Alemanha. Mas logo ao chegar ao Hotel Waldorf-Astoria, em Nova York, Schröder disse que o banho de sangue no Bósforo justifica, da maneira mais cruel, a necessidade que o governo alemão vê de uma estratégia euro-americana contra o terrorismo.

No mesmo hotel, Schröder teve, há dois meses, o seu encontro de reconciliação com o presidente George W. Bush, depois da crise gerada pela rejeição alemã à guerra contra o Iraque.

Necessidade recíproca - O político social-democrata deixou claro que o terrorismo islâmico é o principal desafio da política de segurança dos europeus, uma vez que Istambul "não fica tão longe da Europa". O ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, que deixou os EUA na véspera da chegada de Schröder, também propagou a mensagem de que Europa e América precisam um do outro na luta antiterror. "E os dois lados só podem ter sucesso se desenvolverem uma estratégia conjunta e acatá-la, de forma bem planejada, a longo prazo", disse Fischer.

O chanceler federal e o seu ministro não apresentaram, todavia, uma oferta concreta para a luta antiterror. Mas Fischer levou a idéia de um debate estratégico com os americanos. Schröder manteve, ao mesmo tempo, a determinação de não mandar soldados ao Iraque.

Ele viajou para Nova York na quinta-feira, a fim de mostrar ao empresariado americano as vantagens de se investir na Alemanha, dialogar com organizações judaicas e outorgar o prêmio Global Leadership. Mas tudo isso ficou em segundo plano depois que carros-bombas explodiram contra os prédios do consulado e do banco HSBC da Grã-Bretanha na metrópole turca.

Ligações com a Al Qaeda - Ao desembarcar na cidade onde aconteceram os piores atentados da história dos EUA, em 11 de setembro de 2001, Schröder disse que "os ataques criminosos perpetrados em Istambul mostram que a luta contra o terrorismo não está ganha e deve prosseguir de maneira conseqüente, pois tudo indica que há ligações com a Al Qaeda". Não existem provas, segundo disse, "mas fortes indícios" de que se trata de atos da organização de Osama Bin Laden.

Schröder deixou igualmente de lado o discurso que tinha preparado para a entrega de um prêmio no Instituto de Estudos da Alemanha Moderna e falou primeiro dos banhos de sangue em Istambul. Em vez de esclarecer as metas do seu pacote de reformas econômico-sociais, conforme planejado, ele evocou a cooperação teuto-americana, "uma comunidade de valores na luta contra o terror."

Perspectiva para Turquia na UE - Em Berlim, os atentados desencadearam uma nova discussão sobre um ingresso da Turquia na União Européia. Para políticos dos partidos governistas social-democrata (SPD) e Verde, os atos de terror mostram a necessidade de a UE dar perspectivas de um possível ingresso do Estado laico turco. Políticos da oposição democrata-cristã, por outro lado, avaliaram o ataque terrorista como argumento contrário a uma aceleração do processo para adesão da Turquia.

Para o ministro do Interior, Otto Schily, "a única resposta só pode ser uma cooperação mais estreita com a Turquia". O vice-líder da União Democrata Cristã (CDU), Wolfgang Bosbach, acha, porém, que a União Européia importaria o problema do terrorismo com uma adesão rápida da Turquia.

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