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Eleição na Alemanha

Schröder, Merkel e a ópera que se chama governo

A política vai além de leis e campanhas eleitorais, vivendo de representação, glamour e auto-encenação. Será que todo governo pode ser visto como uma ópera e que na Alemanha esta terá um fim trágico para Schröder?

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Schröder e Merkel: ópera wagneriana

"Não se deve deixar levar por pensamentos sobre o fim", disse Gerhard Schröder certa vez. Mas será que ele estava falando sério? "Despedir-se é para ele uma diversão", diz Norbert Seitz, que acaba de publicar um livro sobre o atual chanceler federal alemão e as artes. O escritor nomeia dois fatores que caracterizaram Schröder como chefe de governo: a arte e a representação no cenário político internacional, ou seja, a beleza e o poder.

Ingredientes de um grande teatro, de uma ópera em grande estilo. "Ele celebra sua predileção pela arte em detrimento de atos como sentar-se com algum representante de uma câmara de comércio, para discutir como criar empregos para jovens. Isso mostra como a encenação teatral é priorizada", teoriza Seitz.

Primeiro ato: O charme do herói

Wahl Fernsehduell Merkel - Schröder Gerhard Schröder

Schröder em campanha eleitoral

Essa força da imagem remete a um arquétipo alemão: Wotan, do Anel dos Nibelungos, ópera de Richard Wagner. O deus-pai impotente, que faz uso da ajuda alheia para completar sua obra. Mas, no fim, não consegue finalizar aquilo a que se propôs. Na ópera de Wagner, ele canta algo como "tudo que construí se desmorona. Desisto de minha obra. Só quero uma coisa: o fim, o fim". Frases que lembram Schröder e seu voto de confiança.

Também Norbert Bolz, pesquisador em Comunicação Social, afirma que o aspecto estético da política se põe à frente das negociações políticas em si: "A auto-encenação, a entrada do glamour, a aparição presunçosa, tudo isso é novo. Toda a dimensão estética só veio a ser descoberta no país por este governo social-democrata-verde".

CDU-Anhaenger und -Delegierte halten Schilder waehrend der Eroeffnung des CDU-Wahlparteitags in der Westfalenhalle in Dortmund, Sonntag, 28. August 2005, hoch

Cartazes de campanha por Merkel

Trata-se de uma questão que vai além da simples encenação, de ternos de políticos cortados por alfaiates particulares e de um show para ser aplaudido. O político ganha ares de ópera, drama e teatro – aspectos que vão além das arenas alaranjadas da campanha eleitoral.

A impressão que fica é a de que se trata de um acontecimento pop, com direito a estádios cheios e balões coloridos. O cantor popular Roland Kaiser canta para Schröder, enquanto a canção dos Rolling Stones Angie é usada pelos fãs da candidata Angela Merkel.

O que acontece no segundo e terceiro atos da encenação? Clique ao lado para continuar a ler.

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