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Mundo

"Schröder encontrou as palavras certas"

O chanceler federal assumiu sem reservas a culpa da Alemanha e rechaçou reivindicações de reparação feitas por alemães que viviam em territórios hoje poloneses. Grande parte da imprensa elogia seu discurso em Varsóvia.

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Homenagem do chefe de governo da Alemanha às vítimas em Varsóvia

"Nós, alemães, sabemos muito bem quem começou a guerra e quais foram suas primeiras vítimas. Por isso, hoje não pode haver mais nenhum espaço para reivindicações de reparação por parte da Alemanha, que viram a história de cabeça para baixo", declarou o chanceler federal Gerhard Schröder na capital da Polônia, onde participou da cerimônia em memória dos 60 anos do Levante de Varsóvia. "Hoje, nós nos curvamos de vergonha pelos crimes cometidos pelas tropas nazistas."

Lições do passado tendo em vista o futuro

Para boa parte da imprensa, Schröder encontrou "as palavras adequadas de vergonha e culpa" ( Die Welt, Berlim) no discurso que pronunciou na qualidade de primeiro chefe de governo alemão convidado a participar da rememoração em Varsóvia. Foram "palavras dignas, pensativas, mas que ao mesmo tempo apontam para o futuro", opina o Neue Osnabrücker Zeitung, para o qual os políticos de Varsóvia também mostraram, com o convite a Schröder, "que estão dirigindo o olhar para a frente".

"A história funesta continua pesando nos ombros dos dois povos", lembra o Mannheimer Morgen. "Por debaixo da superfície, dominam de ambos os lados preconceitos e desconfiança, medo e rejeição. Mas a Alemanha e a Polônia estão a caminho de deixar as sombras do passado." O fato de Gerhard Schröder ter sido convidado a fazer um discurso num dia tão significativo para os poloneses "é um sinal de que ambas as partes levam a sério sua reconciliação, apesar de todos as perturbações. A cooperação teuto-polonesa está apenas começando."

Schröder não é Brandt

Willy Brandt kniet in Warschau

Willy Brandt cai de joelhos no Gueto de Varsóvia, em dezembro de 1970

Muitos foram levados a se recordar da simbólica genuflexão de Willy Brandt no Gueto de Varsóvia, em 1970, ato que deu início à reaproximação dos dois povos depois das tragédias da Segunda Guerra. Para o Die Welt, faltou a Schröder a emoção, "a habilidade de pronunciar palavras veementes, capazes de chegar não apenas às cabeças, mas também aos corações das pessoas". Mas o Tagesspiegel, de Berlim, aprova a decisão do chanceler federal de não copiar Brandt – e isto não porque lhe faltasse a capacidade para tal, "mas sim porque não seria adequado. Ele não é Brandt, e os tempos mudaram".

Reconhecimento internacional

Bundeskanzler Schröder und ein Veteran des Warschauer Aufstands

Schröder cumprimenta um veterano do levante

"Gerhard Schröder tentou encerrar um dos mais sangrentos capítulos da história européia, exprimindo a vergonha dos alemães diante do assassinato de centenas de milhares de poloneses durante o Levante de Varsóvia, em 1944. O discurso breve satisfez muitos poloneses, embora não a todos. A indignação sobre os massacres cometidos pelos alemães durante a guerra parece arrefecer", afirma o londrino The Times.

Para o Les Dernières Nouvellses d'Alsace, de Estrasburgo, "esta visita assinala o espírito de reconciliação reinante na Europa. Em suas palavras, o chanceler federal vai além do simbólico. Seu discurso é um testemunho da verdadeira coragem diante da situação política na Alemanha. [...] No domingo, Schröder sem dúvida encerrou em Varsóvia o último capítulo alemão em relação à Segunda Guerra Mundial".

O fato de que cabe a Schröder o papel de "encerrar oficialmente o pós-guerra na Alemanha" é ressaltado também pelo Handelsblatt, que também lembra, no entanto, que o chefe de governo alemão – depois das comemorações dos 60 anos do Dia D na Normandia e desta visita em Varsóvia – ainda tem outra viagem semelhante pela frente: no ano que vem, ele viaja a Moscou, para participar das comemorações dos 60 anos do fim da Segunda Guerra.

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