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Alemanha

Schröder: da política aos negócios, sem tomar fôlego

Após governar a Alemanha e enfrentar-se com alguns dos mais poderosos líderes do mundo durante sete anos, ex-chanceler federal poderia dar uma pausa. Mas Schröder parece não ter a menor intenção de pendurar as chuteiras.

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A vida começa aos 61 para o ex-premiê (d)

Menos de três semanas após entregar a Chancelaria Federal alemã nas mãos de Angela Merkel, o social-democrata Gerhard Schröder se reinventa como alto executivo, com interesses na Rússia e Suíça.

O ex-premiê não perdeu tempo em distanciar-se da política, após a transferência do cargo, em 22 de novembro último. Porém sua decisão de mergulhar imediatamente no mundo dos negócios internacionais não está a salvo de críticas.

Conflito de interesses?

Na sexta-feira (09/12), Alexei Miller, presidente do conglomerado russo de energia Gazprom, anunciou que Schröder encabeçaria o comitê de acionistas do consórcio criado para construir um controverso gasoduto, ligando a Rússia à Alemanha por sob o Mar Báltico. A Gazprom detém 51% das ações do consórcio, contra 24,5% das alemãs Eon e Basf.

Schröder foi peça vital em assegurar essa transação envolvendo quatro bilhões euros, no início de 2005, quando ainda era chefe de governo. Assim, sua indicação despertou debate nacional quanto a um possível conflito de interesses, assim como sobre a necessidade de regulamentar a passagem de políticos aposentados para a vida de negócios.

Embora admitindo a necessidade do gasoduto, a imprensa aproveitou para especular sobre as relações entre política e o mundo de negócios, assim como sobre as estreitas relações de Schröder com o presidente russo Vladimir Putin, quando ainda ocupava o cargo de governante alemão.

Amizade suspeita

Putin Schröder

Presidente Vladimir Putin (esq.) e Gerhard Schröder

"A coisa cheira mal", declarou ao jornal Tagesspiegel . Reinhard Bütikofer, um dos líderes do Partido Verde, que dividia o governo com o Partido Social Democrata (SPD), na época em que o acordo relativo ao gasoduto foi fechado.

Dirk Niebel, do Partido Liberal (FDP), de oposição, define assim a situação: "Schröder perseguia uma linha para a Alemanha, da qual agora tirará vantagem pessoal".

Já há algum tempo, circulavam especulações de que o ex-chanceler pretendesse trocar o mundo da política pelo dos negócios. Mais especificamente: de que ele assumiria um alto cargo no setor energético russo.

Durante seus sete anos de mandato, construiu uma relação pessoal próxima com Putin, incluindo freqüentes visitas particulares. Muitos na Alemanha criticavam essa amizade, em especial o silêncio de Schröder quanto à política de Moscou no Cáucaso, ou sua linha dura na saga da empresa petrolífera Yukos.

Integridade acima de suspeita

Entretanto, o presidente da Transparência Internacional na Alemanha, Hansjörg Elshorst, afirma não haver motivo para alarme: "A nosso ver, um cargo no Conselho de Administração é certamente algo que um ex-político de destaque pode aceitar. Só se pode falar de má-fé, se a remuneração for excessiva".

O atual presidente do SPD, Matthias Platzeck, também defendeu seu antecessor, afirmando que a integridade de Schröder estaria acima de qualquer dúvida.

Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung, nesta segunda-feira (12/12), o Schröder rebateu com placidez as acusações: "Tanto a comunidade política como a mídia andaram dizendo muita bobagem a respeito. No passado, apoiei o projeto por achar que fazia sentido. Tenho apenas 61 anos e quero trabalhar – não quero ficar atrapalhando minha mulher em casa. Além do mais, é uma honra".

De qualquer forma, ele só haveria aceitado o posto após consultar as acionistas alemãs Eon e Basf. Quanto às afirmativas de que seu salário alcançaria um milhão de euros, "elas são certamente exageradas", completou .

Prazeres mais inocentes

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Schröder apela pela arqueóloga Susanne Osthoff na TV

Bem menos polêmica foi a decisão de Schröder de entrar para o mundo da comunicação. Tantas vezes apelidado de "o chanceler da mídia", ele aceitou um cargo de consultor junto ao grupo suíço de mídia Ringier, que publica o tablóide Blick o mais vendido na Suíça, além de manter interesses no Leste Europeu, China e Vietnã.

O social-democrata, que nunca escondeu seu amor pelos prazeres da vida e pelo futebol, foi nomeado membro honorário da Federação Alemã de Futebol (DFB), nesta sexta-feira. Assim, esta reconheceu o apoio do ex-premiê tanto à candidatura da Alemanha para sediar a Copa do Mundo 2006 como à organização do campeonato. Este se realizará entre 9 de junho e 9 de julho do próximo ano, em 12 cidades alemãs.

Para completar, Schröder está escrevendo suas memórias, com publicação prevista para o segundo semestre de 2006.

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