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Mundo

Schröder concentra campanha em mercado de trabalho e política externa

O chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, falou em entrevista exclusiva à Deutsche Welle-TV sobre os pontos principais de sua campanha para as eleições de 22 de setembro. Christian Trippe conduziu a conversa.

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O chefe de governo alemão é contra uma intervenção militar no Iraque

Sr. Schröder, as pesquisas de intenção de voto levam a crer que dentro em breve outra pessoa estará ocupando o gabinete da Chancelaria Federal, ou seja, o candidato da oposição conservadora. O Partido Social Democrático (SPD) está na rabeira. O que deu errado em sua campanha, que falhas cometeu o seu partido?

Acho que não há uma resposta simples para esta pergunta. As pesquisas mostram um quadro dividido e, no que concerne meu partido, elas poderiam ser melhores. Mas o contrário é também verdade quando se compara os dois candidatos. Como quase a metade dos votantes ainda está indecisa, existe um enorme potencial para os dois candidatos principais – e, especificamente, para nós – de mobilizar esses eleitores. É por isso que não nos esforçamos em ganhar as pesquisas de intenção de voto, queremos vencer as eleições, e esta é a meta pela qual trabalhamos.

O senhor prometeu baixar para 3,5 milhões o número dos desempregados. As cifras do mercado de trabalho para julho acusam quatro milhões. A culpa é somente da recessão mundial ou os erros domésticos – por exemplo a demora em reformar as leis do mercado de trabalho – foram responsáveis pelos números crescentes?

Não creio que muito da culpa seja doméstica. A situação econômica global é bem pior do que era quatro anos atrás. Durante toda a década de 90, quando o desemprego alcançou o pico de 4,5 milhões, os EUA ainda apresentaram um crescimento de 5%. Mas no ano passado e no anterior quase houve recessão nos Estados Unidos; as coisas não vão bem lá, com efeitos obviamente negativos para um país exportador como a Alemanha. Não podíamos prever o redemoinho que abalaria a economia global. Nossa meta era clara, e poderíamos tê-la alcançado nas condições dadas em 2000. Mas infelizmente Berlim não pode determinar os efeitos da economia mundial.

Esta campanha eleitoral se concentra bem fortemente na questão do desemprego, mas, pela primeira vez, a política externa está merecendo debate considerável, em particular quanto à posição da Alemanha sobre uma intervenção norte-americana ao Iraque. Seu partido enfatiza que a Alemanha não participaria de tal ação, nem com mandato das Nações Unidas. Será possível manter esta posição por muito tempo?

Para início de conversa, aqui não se trata de uma posição, mas sim de reagir a debates e decisões de terceiros, de exprimir a própria opinião. Ainda não vencemos a batalha contra o terrorismo internacional e os talibãs do Afeganistão. A operação Paz Duradoura ainda continua e nós alemães estamos envolvidos. Somos os mais ativos da força internacional de paz no Afeganistão. Fora de Cabul, o país ainda não foi pacificado, e também nos Bálcãs as coisas não são como deveriam ser. Ou seja: não atingimos tudo o que nos dispusemos a fazer, como dar claros exemplos à comunidade internacional, para mostrar que vale a pena unir-se ao Ocidente na luta contra o terrorismo e que a conseqüência é o desenvolvimento pacífico.

Além disso, acho que também devemos ter uma idéia de o que acontece depois de uma eventual intervenção, à qual me oponho, de qualquer maneira. É vital pensar nas conseqüências políticas e econômicas, pois a região é importante, em especial para a economia global. Por isso, recomendo cautela e moderação. Espero que nossa voz – que unimos às dos outros europeus, mas que é também decididamente alemã – seja ouvida. Afinal de contas somos um país que não foge da raia, quando se trata de mostrar firmeza na batalha contra o terrorismo e assegurar o desenvolvimento internacional pacífico – mesmo que isto signifique mobilização das tropas alemãs no exterior.

Mas Saddam Hussein é um ditador que esteve brincando de gato e rato com os EUA durante anos. Que remédio o senhor sugere?

Acho que a atual política da ONU – de conter Saddam Hussein, isolando-o – não deve ser abandonada. Mas isso é precisamente o que poderia acontecer, caso a coalizão internacional antiterror fosse posta em perigo. E ela será provavelmente ameaçada, no caso de uma intervenção militar. Mas, ao mesmo tempo, concordo inteiramente com os que dizem que devemos manter a pressão sobre Saddam. Não questiono de modo algum sua classificação como ditador. Temos que manter a pressão para que admita no país os inspetores internacionais de armas. Mas também precisamos ser decididos e eficientes e conferir a seriedade de todas as propostas do Iraque.

Sigamos para a política européia. Há alguns dias, a Turquia aprovou reformas abrangentes, tais como a abolição da pena de morte. Agora o país está insistindo em negociar sua filiação à União Européia. Qual a sua opinião a respeito?

Antes de tudo, considero extremamente importante a iniciativa, pois é um tipo de sinal. É muito importante o fato de a Turquia pretender adotar os padrões estabelecidos no acordo da UE de Copenhague. Agora é preciso conferir que a decisão tomada pelo Parlamento turco seja transformada em ação, este é o ponto decisivo. Temos que manter aberta a porta para a Turquia, mas talvez ainda seja muito cedo para negociar a filiação propriamente dita. Temos que aguardar para ver o efeito das reformas na prática, aí poderemos tomar nossas próprias decisões. De qualquer forma, ainda há questões não resolvidas, como as relações de Ancara com a Grécia e a questão do Chipre.

Antes de a filiação turca entrar na pauta, a UE terá que tratar do tema de sua ampliação para o leste. Porém existem profundos conflitos entre as instituições estabelecidas em Bruxelas. O senhor acha que a UE está preparada para rapidamente aceitar como novos membros os candidatos do leste da Europa?

Bem, não percebo muitas dificuldades em vista. Graças a Deus, desde a queda da Cortina de Ferro, o leste está agora em posição de ser parte da Europa integrada. É uma grande chance, e não devemos perdê-la. Os grêmios da UE têm que garantir que uma Europa ampliada, integrada, continue sendo politicamente viável. Este é o cerne da questão. Temos que estar preparados para aceitar esses desafios. Isso é o que queremos.