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Cultura

Schlöndorff reconstrói episódio da história européia

Diretor alemão volta à Polônia trinta anos depois de "O Tambor", para contar a história da heroína precursora do sindicato Solidariedade.

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Diretor retoma os fatos que antecederam a queda do Muro de Berlim

A co-produção teuto-polonesa Greve – A Heroína de Gdansk (Strajk – Die Heldin von Danzig), que estréia nos cinemas alemães nesta quinta-feira (08/03), usa a biografia da operadora de grua Anna Walentynowicz, para tratar dos fatos que antecederam a queda do Muro de Berlim: os movimentos grevistas no estaleiro Lênin e o conseqüente nascimento do sindicato Solidariedade.

A heroína em questão tem hoje quase 80 anos e critica o filme de Schlöndorff. Os motivos: a personagem Agniezka – esse seu nome no filme – é retratada como analfabeta e, não raro, visualizada em companhia de algumas garrafas de vodca. Para o diretor polonês Andrzey Wajda, contudo, seu colega alemão não quis desmerecer a ex-sindicalista, mas, muito pelo contrário, a coloca num pedestal.

A personagem

Agniezka é no filme uma mulher baixa e enérgica, católica praticante e sindicalista convencida, mãe solteira liberal e a alma do estaleiro onde trabalha.

Ela luta por seu filho Krystian, enfrenta as durezas do dia-a-dia sob um governo comunista e opõe-se aos dirigentes linha-dura do partido. A operária, funcionária exemplar, acaba se transformando numa crítica ferrenha do regime depois de ser, por acaso, testemunha de um acidente fatal, que levou à morte de um trabalhador.

A história real

Em agosto de 1980, os operários do estaleiro Lênin, em Gdansk, foram realmente às ruas exigir a reintegração de Anna Walentynowicz ao trabalho, depois que ela havia sido despedida, cinco meses antes de se aposentar, por ter ousado reivindicar melhores condições de trabalho.

Lech Walesa, Solidarnosc 1980

Lech Walesa, líder do Solidariedade, 1980

Os protestos acabaram levando à formação do sindicato independente Solidariedade, o mesmo que dez anos mais tarde levaria às mudanças políticas na Polônia.

Proibição do uso de dados biográficos

"Minha intenção foi contar a história desta mulher corajosa", diz o diretor Schlöndorff, ao afirmar que concluiu seu filme mesmo sem o aval da operária, cuja história o inspirou a construir sua personagem principal. Anna Walentynowicz, por sua vez, proibiu o diretor alemão de usar seu nome e seus dados biográficos reais.

Talvez por isso, apontam alguns críticos, percebe-se uma certa insegurança do diretor na condução do filme: faltam, por exemplo, cenas que remetam às barricadas do Solidariedade. Apesar das críticas, a atriz Katharina Tahlbach (Agniezka) foi premiada pela Academia de Cinema da Baviera por sua "sensível representação" no filme.

Narrativa convencional

"A queda do Muro de Berlim foi desencadeada por esses acontecimentos. Não pensei muito se era uma história polonesa ou alemã, mas vejo o filme como uma história européia", afirma o diretor. Katharina Tahlbach, a única atriz alemã, atua ao lado de atores poloneses.

A Heroína de Gdansk, contudo, com sua narrativa convencional, está destinado principalmente ao público alemão. Afinal, os ícones do Solidariedade são hoje, até para os poloneses, uma imagem mais do que pálida do passado. Neste ponto o longa de Schlöndorff não toca. O filme termina antes que a heroína, operadora de gruas, se desentenda definitivamente com o líder Lech Walesa.

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