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Mundo

Schily quer acampamento para refugiados na África

Requerimentos de refugiados devem ser examinados antes de sua entrada na União Européia, exige ministro alemão. Tripulação do Cap Anamur rechaça acusações de que teria encenado o drama.

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Ministro alemão quer que refugiados esperem na África pela decisão da Europa

A polêmica gerada pelo drama dos refugiados africanos que atracaram em Porto Empedocle, na Sicília, a bordo do navio alemão Cap Anamur fez com que o ministro alemão do Interior mudasse de opinião. Até agora, Otto Schily estivera cético quanto a uma proposta dos britânicos de criação de um acampamento no norte da África para recolher refugiados do continente em busca de asilo político na Europa. Na conferência dos ministros do Interior da União Européia de segunda-feira (19/07), Schily exortou seus colegas de pasta a tomar providências imediatas neste sentido.

Candidatos a asilo político na Europa seriam recolhidos num acampamento a ser criado num dos países do norte da África, onde ficariam à espera de uma decisão das autoridades européias sobre seus requerimentos. "Acredito que os países norte-africanos devam ter interesse em que as coisas não prossigam da forma como andam", afirmou Schily. Salvar refugiados em situação de emergência no mar continuaria sendo naturalmente um dever, mas seria preciso evitar que essas pessoas fossem então levadas automaticamente a um porto europeu, ressaltou o político alemão.

A proposta do social-democrata foi classificada pela organização de direitos humanos Pro Asyl de cínica. "Seria o fim da proteção internacional a refugiados", declarou em Frankfurt Bernd Mesovic, representante da ONG. O Partido Verde, parceiro de coalizão em Berlim, manifestou igualmente preocupação com o debate, que poderia ser o início de "uma política que barra os refugiados diante da cidadela Europa e os rejeita".

Capitão: "Eu faria o mesmo de novo"

Cap Anamur im Hafen von Porto Empedocle

O Cap Anamur ao receber permissão para atracar na Sicília

A mais recente ação de resgate do Cap Anamur, navio mantido pela organização humanitária alemã de mesmo nome, continua ocupando os noticiários na Alemanha, mesmo após a libertação da tripulação, na sexta-feira (16/07). As autoridades italianas haviam detido o capitão e o primeiro-oficial do navio, bem como o presidente da organização, sob a acusação de ajuda para a imigração ilegal. Há quem acuse os ativistas de terem encenado o drama para chamar a atenção dos meios de comunicação.

O capitão Stefan Schmidt rechaça todas as acusações neste sentido. Na edição desta terça-feira do Lübecker Nachrichten, diz que voltaria a agir da mesma forma. "Fiz apenas o que o capitão de um navio precisa fazer, do começo ao fim." Schmidt relata que o Cap Anamur tinha saído para dar uma volta, após um conserto, quando deparou com o barco de borracha avariado que transportava 37 africanos. Como capitão de um navio, ele seria obrigado por lei a resgatar náufragos e conduzi-los a um porto seguro.

"Refugiado honesto" isenta ONG

A versão da tripulação é endossada por um dos africanos resgatados, Benjamin Robert, que ficou conhecido na Itália como "o refugiado honesto". Robert foi o único a não mentir sobre sua procedência. Enquanto os demais 36 africanos afirmavam vir do Sudão, contando com maior benevolência das autoridades italianas, ele admitiu desde o começo ser nigeriano. Em recompensa, os italianos o colocaram num asilo, onde pode ir e vir à vontade, enquanto os demais refugiados estão internados num acampamento fechado. Desses 36, 14 estão ameaçados de repatriação.

Elias Bierdel, Vorsitzender der Hilfsorganisation Cap Anamur, gestikuliert waehrend einer Pressekonferenz in Berlin am Dienstag, 20.Juli 2004

Elias Bierdel na entrevista coletiva em Berlim

Em seus depoimentos na Itália, Robert garante que a situação dos fugitivos a bordo do barco de borracha era dramática e que o presidente da ONG, Elias Bierdel, fez de tudo, não só para salvá-los, como também para descobrir sua identidade verdadeira.

Bierdel já admitira em entrevista radiofônica ter "cometido um erro". Ou seja, deveria ter buscado contato com as autoridades italianas mais cedo, o que teria tornado a situação mais fácil. Nesta terça-feira, convocou a imprensa em Berlim para refutar que a ONG tivesse instrumentalizado os refugiados em causa própria. Trata-se aqui de uma "questão central de direitos humanos", afirmou, acusando por sua vez a Europa de não "ter até agora nenhuma resposta para o problema dos refugiados".

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