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Mundo

Satélite europeu Corot parte em busca de uma segunda Terra

Missão tem por objetivo localizar planetas rochosos semelhantes à Terra em outros sistemas solares. A DW-WORLD conversou com a cientista Heike Rauer, coordenadora da equipe alemã no projeto.

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Satélite ficará em órbita terrestre a cerca de 900 quilômetros de altitude

O satélite europeu Corot foi lançado ao espaço nesta quarta-feira (27/12) da base de Baikonur, no Cazaquistão, com a missão de descobrir planetas semelhantes à Terra em outros sistemas solares. Equipado com um telescópio com lente grande angular, o satélite de 4,2 metros de comprimento partiu a bordo de um foguete russo Soyus-2 às 15h23 (horário de Berlim) e ficará em órbita terrestre a cerca de 900 quilômetros de altitude.

O nome Corot é a sigla para Convection, Rotation and Transits. O projeto é comandado pela agência espacial francesa, a CNES, com participação de Alemanha, Áustria, Bélgica e Espanha, além da agência espacial européia, a ESA. O Brasil é o único país não europeu envolvido no projeto. A DW-WORLD conversou com a cientista Heike Rauer, que coordena a participação alemã na missão espacial. Segundo ela, as pesquisas se voltam para a busca de "uma segunda Terra".

DW-WORLD : A agência espacial européia, a ESA, classifica o Corot como uma missão astronômica única. O que há de tão especial nesse projeto?

Heike Rauer: O satélite Corot procurará pela primeira vez por planetas que orbitam não em torno do nosso sol, mas em torno de outras estrelas, em outros sistemas solares. Com o Corot, esperamos encontrar planetas rochosos muito pertos de uma estrela. Até hoje não se conhece tais planetas, mas supomos que eles existam. Mas é claro que as pesquisas se voltam para a busca por uma segunda Terra.

O Corot pode localizar planetas semelhantes à Terra?

O Corot localiza planetas através da medição de luminosidade. Ele observa uma estrela a partir de um determinado ponto e, quando um planeta, durante seu movimento de translação, passa entre a estrela e o satélite, a luminosidade da estrela se altera, e o Corot mede essa alteração. É algo semelhante a um eclipse lunar.

Mas como o Corot pode ficar apenas cinco meses obervando uma determinada região, é pouco provável que ele veja um planeta como a Terra, já que o nosso planeta leva um ano para completar sua volta em torno do sol e, assim, passa apenas uma vez a cada ano pela região em observação. Não iremos, portanto, encontrar uma segunda Terra, mas planetas mais próximos de uma estrela porque esses têm um período de translação mais curto.

Seres humanos poderiam viver nesses planetas?

Caso a estrela, em cuja órbita esses planetas estão, seja tão quente quanto o sol, eles são inabitáveis para seres humanos porque a temperatura neles também seria muito elevada. Mas existem também as assim chamadas estrelas M, que não são tão quentes. Planetas que orbitam em torno dessas estrelas também são menos quentes e neles, no que depender da temperatura, poderia haver vida.

Caso o Corot encontre tais planetas, seria uma grande sensação. No entanto, o Corot não pode identificar se há vida ou mesmo se a vida seria possível nos planetas. Se quisermos saber isso, teremos que examinar a atmosfera e moléculas como água, ozônio e oxigênio.

Pode-se confiar nos resultados do Corot ou ele fornece apenas pontos de referência?

O Corot mede a oscilação na luminosidade de uma estrela, fator que pode ter muitos motivos. Esperamos, é claro, que essa alteração seja causada por um planeta. Mas também é possível que a estrela apresente manchas ou que não seja um planeta que esteja orbitando em torno de uma estrela, mas que duas estrelas estejam orbitando uma em torno da outra. Os cientistas deverão, primeiro, descobrir o motivo da oscilação na luminosidade.

Por isso, também não se pode esperar do Corot que, logo após o seu lançamento, sejam descobertos os primeiros planetas rochosos. Os cientistas se comprometeram a apenas anunciar a identificação de novos planetas quando estiverem realmente certos disso.

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