Sarkozy quer novo indicador da riqueza e bem-estar das nações | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 16.09.2009
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Economia

Sarkozy quer novo indicador da riqueza e bem-estar das nações

Presidente francês critica instrumentalização do Produto Interno Bruto (PIB) como indicador do bem-estar social dos países.

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Sarkozy quer acabar com 'religião da cifra'

O presidente francês Nicolas Sarkozy declarou, no início da semana em Paris, que a Europa deveria dar um bom exemplo e se libertar do que denominou "religião da cifra".

Segundo Sarkozy, para a medição da riqueza e bem-estar de um país, as estatísticas também deveriam incluir dados sobre meio ambiente, problemas sociais, lazer, qualidade do serviço público e valor do trabalho familiar não remunerado.

Em discurso pronunciado na Universidade Paris-Sorbonne, Sarkozy declarou que a França estabelecerá um "aparato estatístico próprio" e lutará para que "todas as organizações internacionais modifiquem seu sistema estatístico".

Novo-keynesianismo

Na segunda-feira, o presidente francês recebeu o relatório de uma comissão de 25 especialistas formada em fevereiro de 2008 para analisar o assunto. O grupo de especialistas presidido pelo americano Joseph Stiglitz, prêmio Nobel da Economia de 2001, considera os métodos atuais de medição do rendimento econômico insuficientes para descrever a situação real de um país.

"Em si, o Produto Interno Bruto não é errado, mas pode ser utilizado de modo errôneo", apontou a comissão chefiada por Stiglitz, questionando o indicador criado em meados dos anos de 1930 nos Estados Unidos e propagado após a Segunda Guerra. O PIB mede todos os bens e serviços produzidos numa determinada região durante um determinado período de tempo.

Prof. Joseph Stiglitz

Joseph Stiglitz

O economista norte-americano lembrou que "o PIB foi inicialmente criado como medida de atividade econômica, mas passou cada vez mais a ser utilizado como medida de bem-estar social".

Stiglitz é um dos representantes mais importantes do novo-keynesianismo. Ele ficou conhecido por suas violentas críticas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial, onde trabalhou como economista-chefe até 2000.

Novo termômetro de desenvolvimento

Sarkozy levantou essa questão poucos dias antes do encontro dos chefes de Estado e governo do G20 (grupo que reúne os mais importantes países industrializados e emergentes), a ser realizado em 24 e 25 de setembro, em Pittsburgh (EUA). Nesse encontro, o presidente francês pretende se empenhar para regulamentar os lucros excessivos no mundo das finanças.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera relevantes as conclusões da comissão criada pelo presidente francês. A OCDE também anunciou que vai organizar, em final de outubro próximo, um fórum mundial sobre estatísticas na Coreia do Sul.

Na União Europeia, também há políticos que reivindicam um novo termômetro de desenvolvimento. "Para mudar o mundo, também temos que alterar a forma e o modo pelo qual o compreendemos", afirmou na semana passada o comissário europeu do Meio Ambiente, Stavros Dimas. "Para tal, temos que pensar além do PIB".

Segundo Dimas, um novo indicador deverá considerar fatores como grau de poluição, saúde, lazer e moradia. Um projeto-piloto do novo indicador está planejado para o próximo ano.

CA/afp/dpa

Revisão: Simone Lopes

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