Santos tenta salvar acordo com as Farc | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 04.10.2016
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Mundo

Santos tenta salvar acordo com as Farc

Resultado do plebiscito gera incertezas quanto ao futuro do país. Governo e Farc se dizem dispostos a continuar com as negociações pela paz, mas oposição insiste em mudanças no texto do pacto.

Kolumbien Juan Manuel Santos (picture alliance/dpa/M. Duenas Castaneda)

O presidente, Juan Manuel Santos, terá que buscar novas opções num país amplamente dividido sobre o acordo de paz

Após a vitória do "não" no plebiscito sobre o acordo de paz, o governo colombiano iniciou nesta segunda-feira (04/10) os esforços para tentar salvar o tratado que visa pôr fim a mais de 50 anos de hostilidades com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A vitória apertada do "não" (50,22% dos votos) deixou a Colômbia em terreno incerto. Os mercados financeiros reagiram negativamente, uma vez que contavam com a aprovação do acordo e com o capital político do presidente Juan Manuel Santos para atrair investidores e tentar frear a desaceleração da economia. 

Entretanto, muitos dos eleitores, principalmente na região central do país, consideraram o acordo leniente demais para com os guerrilheiros, oferecendo-lhes o que muitos consideram como impunidade.

Santos e o líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenco", anunciaram que continuarão com os esforços para tentar impedir o reinício dos confrontos. Ambos confirmaram que o cessar-fogo bilateral será mantido.

Apesar de o presidente não ter a obrigação de levar o acordo para aprovação através da consulta popular, ele assim o fez para que tivesse maior legitimidade. Santos, que chegou a afirmar que não tinha um "plano B" em caso de vitória do "não", terá que buscar novas opções num país que se mostrou amplamente dividido sobre a questão.

Kolumbien Trauer und Bestürzung bei Befürwortern des Friedenabkommens (picture alliance/dpa/L. Muñoz)

Colombiana lamenta resultado do plebiscito em Bogotá

Ele indicou o chefe de sua equipe de negociações Humberto de La Calle, a chanceler María Ángela Holguín, e o ministro da Defesa Luis Carlos Villegas como representantes do governo para dialogar com a oposição, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

"Com a boa vontade de ambas as partes, estou seguro que poderemos chegar rapidamente a soluções satisfatórias a todos, de forma que o país sairá ganhando e o processo terminará fortalecido", afirmou Santos, que pediu urgência para que o acordo não ameaçado.

O partido de Uribe, o Centro Democrático, anunciou sua disposição para negociar e "corrigir" o que considera erros do acordo de paz. "Temos a vontade de negociar, mas existiria a disposição do governo e do presidente da República de escutar para introduzir algumas mudanças?", questionou o líder oposicionista.

As Farc, em comunicado, afirmam que o cessar-fogo bilateral será mantido. O líder Timochenco disse que o grupo guerrilheiro "mantém sua vontade de paz", e quer seguir usando "somente a palavra como arma de construção para o futuro".

O partido de Uribe pede a prisão dos rebeldes que cometeram crimes e defende que os líderes guerrilheiros não possam concorrer a cargos públicos.

RC/rtr/dw 

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