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Brasil

Santa Catarina tenta atrair nova onda de imigrantes alemães

Estado faz campanha publicitária na Alemanha para atrair aposentados e profissionais liberais que buscam novos ares na terceira idade. Deputado alemão sugere intercâmbio teuto-brasileiro de jovens.

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Material publicitário distribuído na Alemanha

Mais de 180 anos após a chegada da primeira leva de imigrantes alemães ao Brasil, governo e empresários de Santa Catarina realizam uma campanha para convencer aposentados e profissionais liberais da Alemanha a investir e morar no Estado.

A primeira apresentação da idéia ao potencial público-alvo, em outubro de 2005, na Embaixada do Brasil em Berlim, empolgou o governador Luiz Henrique da Silveira. "Não tenho dúvidas de que este projeto será um sucesso. Se existem 14 milhões de aposentados na Alemanha em condições de investir fora de seu país, temos de estabelecer como meta realista atingir 1% desse total. Só aí já teríamos 140 mil pessoas, o que seria um número fantástico", disse na ocasião.

O projeto catarinense concorre com outros destinos que têm sol e praia em fartura, como Mallorca, visitada anualmente por mais de três milhões de turistas alemães. Mais de 70 mil deles fixaram residência na ilha espanhola, que também é chamada de "17º Estado alemão".

Segundo dados da Polícia Federal, citados pelo diretor de marketing da Santur (agência oficial de turismo catarinense), Valdir Rubens Walendowsky, nos últimos cinco anos, dois mil alemães foram morar em Santa Catarina.

Um "lugar especial"

Lage des Bundesstaates Santa Catarina, Brasilien Senioren

Vista aérea do projeto Vilas do Santinho, em Florianópolis

"Os aposentados alemães, que já estão em grande número na costa da Espanha e na Itália, querem diversificar seus destinos na terceira idade. E justamente nesse nicho de mercado, nós queremos entrar", explicou o empresário Rogério Wahl, em entrevista à DW-WORLD.

Um dos 40 empresários que integraram a comitiva do governador, Wahl acaba de apresentar numa feira em Mannheim o projeto Vilas do Santinho. São cinco blocos habitacionais com 124 apartamentos (22 já prontos), a preços que oscilam entre 100 mil e 600 mil euros por moradia, localizados na Praia do Santinho, em Florianópolis. "Os alemães querem morar próximos à praia", garantiu.

Segundo os prospectos em alemão, inglês e português distribuídos na Alemanha, Santa Catarina é "um lugar especial para visitar e ficar". Tem mais de 500 praias, renda e expectativa de vida acima da média nacional, um sistema de saúde de alto nível, pouco desemprego e baixa taxa de criminalidade. E na metade dos 293 municípios há descendentes de alemães que falam, no mínimo, um dialeto do idioma de Goethe.

Profissionais liberais

Brasilianischer Stand auf der SenNova in Köln, Mai 2006 Senioren

Estande da Santur na Feira da Terceira Idade em Colônia

Na semana passada, a Santur apresentou o projeto na Feira da Terceira Idade (SenNova) e no Congresso Alemão de Idosos, dois eventos que reuniram mais de dez mil pessoas em Colônia. "Não estamos procurando apenas aposentados interessados em fixar moradia definitiva em Santa Catarina, mas também turistas para férias prolongadas (durante o longo inverno alemão) e profissionais liberais que queiram investir no Estado e começar uma vida nova", explicou Walendowsky à DW-WORLD.

Segundo ele, com cerca de dois mil euros já se pode financiar um vôo e uma estadia de um mês em Santa Catarina, o que seria um "valor interessante" para muitos aposentados alemães. E quem quiser ficar em definitivo consegue um bom seguro-saúde por aproximadamente 100 euros, acrescentou. Para conseguir o visto permanente, o aposentado estrangeiro precisa comprovar uma renda mensal de pelo menos 1650 euros, diz a publicidade oficial.

Lições de casa

Walendowsky disse que as apresentações em Berlim, Mannheim e Colônia serviram de laboratório. "Anotamos todas as questões levantadas e estamos voltando ao Brasil com muitas lições de casa a fazer, como por exemplo, esclarecer qual é a documentação necessária para pequenos investimentos. O projeto ainda está na fase de amadurecimento", avisou.

O deputado Lothar Mark (SPD), que convidou empresários catarinenses para a feira de Mannheim, considera a idéia, em princípio, boa, mas de difícil realização. "Não a rejeito, mas também não fico eufórico. Há certas dificuldades, como a distância, a falta de vôos charter, incertezas quanto ao sistema de saúde, que só os idosos mesmos podem avaliar", afirmou.

Ele acredita que mais perspectiva de futuro teria um intercâmbio entre jovens brasileiros e alemães, que permitisse estadias de três a cinco anos no Brasil e vice-versa. Uma segunda onda de imigração alemã certamente traria vantagens econômicas para Santa Catarina, mas não para a Alemanha, concluiu.

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