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Cultura

Sangue foi tema de exposição em Frankfurt

Dois museus de Frankfurt apresentaram uma insólita exposição: "Sangue – arte, poder, política e patologia", procurando analisar o "elixir da vida" microscópica e macroscopicamente em todos os seus significados.

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Doenças transmitidas pelo sangue - parte científica da exposição "Sangue"

Terminou domingo (27), em Frankfurt, uma exposição singular intitulada Sangue - arte, poder, política e patologia. Interdisciplinar por explorar vários aspectos da temática, ela apresentou cerca de 160 quadros, livros e objetos, divididos entre a Kunsthalle Schirn e o Museu de Artes Aplicadas.

Símbolo de vida e morte Poucas substâncias têm tanto valor simbólico. Derramado desde o nascimento do ser humano, o sangue é o símbolo da vida e da morte, de saúde e doença, de força ou de impotência, de sacrifício, redenção, renovação. O sangue também foi usado como meio de manter o poder em mãos de certas dinastias e até como justificativa para a expansão geopolítica de povos e raças.

Enquanto a exposição romana Sangue e Arena, encerrada recentemente no Coliseu, limitou-se aos jogos sangrentos dos gladiadores, a de Frankfurt procurou demonstrar como mudou a forma de considerar o "elixir da vida" através de diferentes épocas e culturas.

Os sacrifícios sangrentos dos maias

O capítulo Sangue e Sacrifício, com a exposição de punhais e dos estranhos instrumentos com que os maias realizavam suas sangrias rituais ou o brutal sacrifício de seus inimigos, foi certamente o mais estarrecedor. Um dos objetos era um disco de ouro do século IX, representando a cerimônia em que se arrancava o coração de um prisioneiro.

Os maias acreditavam que os deuses criaram o ser humano a partir de uma espiga de milho, que preencheram com o seu próprio sangue. Isso explicaria o ritual de gratidão, retribuindo com o que tinham de mais precioso: o próprio sangue. Por mais absurdo que hoje isso pareça, o ato de entrega estava ligado à sua cosmologia. O sangue era a substância mágica que visava apaziguar a ira dos deuses e manter o equilíbrio da ordem social e do mundo, seja garantindo a colheita ou o nascer do sol todos os dias.

O sangue como sede da alma entre o micro e o macrocosmo

Na Antigüidade, o sangue, sob a forma do sacrifício de animais, era de grande significado para se entrar em contato com a alma dos mortos. Sua ajuda era tida por imprescindível na profecia do futuro. A Odisséia, de Homero, é o primeiro livro que menciona esse uso mágico do sangue. Os mortos precisavam "beber" o líquido rubro para recuperar sua memória e sua consciência. Só então podiam ver o futuro. A associação do sangue com a consciência, portanto, era muito antiga. A filosofia grega não entendia o sangue apenas como a essência do pensamento, como o igualava à alma.