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Economia

"Saneamento" da Volkswagen: início de retrocesso trabalhista?

A maior montadora da Europa quer que seus empregados trabalhem mais pelos mesmos salários. Rejeitada pelo sindicato, a medida é apresentada pela VW como inevitável, e não exclui cortes. E há até quem esteja satisfeito.

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Funcionários da VW ficarão a ver estrelas?

Os planos de "saneamento" da Volkswagen são assunto de discussão, para além dos muros da empresa. Segundo o governador da Baixa Saxônia, Christian Wulff, da União Democrata Cristã (CDU): "Todos nós precisamos fazer mais, render mais, sem receber compensação salarial, temos que ser aplicados, nos afirmar".

Horst Neumann löst Peter Hartz ab

Horst Neumann, diretor de pessoal da Volkswagen

Em meio a pesados problemas financeiros, a maior montadora da Europa quer que seus funcionários trabalhem mais, pelo mesmo salário. "Estamos planejando retornar à jornada semanal de 35 horas", declarou o chefe de recursos humanos da VW, Horst Neumann, em seguida às conversas preliminares com o sindicato dos metalúrgicos, IG-Metall, nesta segunda-feira (12/06), em Hannover.

O que fazer com tantas horas de trabalho?

Estender a atual semana de 28,8 horas para 35 horas, sem pagamento concomitante, equivale a uma redução salarial de 20% para os empregados da multinacional. O negociador-chefe do IG-Metall, Hartmut Meine, rejeitou a sugestão: "Não haverá discussões salariais com a Volkswagen".

Meine chamou a atenção para o fato de que a montadora está com excesso de pessoal: "No momento, não temos nem trabalho suficiente para manter todos os empregados ocupados numa semana de 28,8 horas".

Essa afirmativa é confirmada pelo diretor do conselho de empresa da VW, Bernd Osterloh: "Não vejo alternativa para a semana de quatro dias, uma vez que a firma não está em condições de definir o que acontecerá com o pessoal".

Tempo de sacrifícios?

Ainda assim, o governador Wulff insiste em que se iniciem as "negociações de saneamento" entre a montadora e os sindicalistas, "existencialmente importantes" para a competitividade e a manutenção dos postos de trabalhos na VW.

"Nos próximos meses haverá decisões sobre investimentos, sobre onde se produzirá quais automóveis e em que volume. Para tal, os sítios de produção em nosso Estado devem estar em excelente forma." A Baixa Saxônia é a segunda maior acionista da empresa.

A semana de quatro dias foi adotada pela Volkswagen em 1994, como parte de um acordo salarial abrangente. Reação à crise de faturamento da empresa de 1993, a medida visava a salvar 30 mil postos de trabalho nas seis fábricas do oeste alemão.

Quebrando compromissos

Na época, o acordo foi considerado extremamente inovador, sobretudo porque não houve redução de salário proporcional à da jornada semanal. Entretanto, como resultado, os custos da VW por hora de trabalho são 20% mais elevados do que os da concorrência: 54 euros, contra 39 euros, em média.

Os acordos também incluíam o compromisso de evitar cortes de pessoal até final de 2011. Contudo, no decorrer das negociações com o IG-Metall, Neumann revelou que a empresa precisa diminuir severamente seus quadros.

Segundo o diretor de pessoal, será "muito, muito difícil" manter todos os atuais 100 mil empregos nas seis fábricas em questão. É possível que 20 mil postos tenham que ser sacrificados, admite. Recentemente, o conglomerado passou a oferecer a seus funcionários alternativas como aposentadorias precoces e vantagens nas demissões voluntárias.

Seriedade em jogo

Por outro lado, peritos estimam que a adoção da semana de 35 horas resultará em perdas de pessoal bem maiores do que se pensava, ou seja, todo o atual excedente de 30 mil postos da VW na Alemanha. Para evitar cortes dessa ordem, a montadora pretende transferir para o país a produção de novos modelos.

Arndt Ellinghorst, analista do Investmentbank Dresdner Kleinwort Wasserstein (DrKW), considera praticamente impossível um aumento da capacidade dos sítios de produção no oeste alemão.

No fundo, a meta da VW é reduzir seus custos em 20%, o que implicaria economizar um bilhão de euros, afirma Ellinghorst. Ele critica o fato de a empresa não haver apresentado, até agora, um programa claro de saneamento: "Chega uma hora em que se duvida de sua seriedade", comenta o economista.

Para Horst Neumann, o ideal seria a proposta de prolongamento da jornada passar na primeira rodada. Porém logo acrescenta: "Isso não ocorrerá". Nas preliminares de 12 de junho, a VW sugeriu um modelo de reestruturação em três etapas, incluindo aumento de produtividade, redução dos custos de produção e maior eficiência. Uma segunda rodada está em planejamento, ainda para antes do segundo semestre.

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