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Cultura

San Sebastián torna-se vitrine do cinema latino-americano

O festival, que acontece até o dia 28 próximo na cidade basca, destaca filmes de diretores jovens e abre as portas para longas da América Latina inacabados por falta de financiamento.

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Wim Wenders preside o júri do festival na Espanha

À sombra dos grandes festivais como Berlim, Cannes e Veneza, o festival de San Sebastián tem um rosto específico: o incentivo a co-produções européias, mostras especiais dedicadas a filmes espanhóis e latino-americanos e, principalmente, portas abertas a cineastas jovens ainda aquém do mainstream. Esta 50ª edição do festival dá continuidade à tendência, firmada nos últimos anos, de co-financiar longas de diretores iniciantes – entre outros em uma parceria com os "Encontros de Cinema da América Latina", realizados em Toulouse, na França.

Realismo social - Com isso, o festival da cidade basca firma-se cada vez mais como um pólo de reflexão e produção do cinema latino-americano, além de ter se consolidado como uma vitrine de filmes de língua espanhola. Este ano, sete dos 17 longas em competição vêm da Espanha ou da América Latina. Estes, diga-se de passagem, não fazem parte do contingente que trabalha aos moldes de Hollywood, mas pelo menos boa parte deles traz a San Sebastián roteiros individuais voltados para o que se convencionou chamar de "realismo social" na última década.

Um bom exemplo desta tendência é Los Lunes al Sol (Às Segundas-Feiras ao Sol), do espanhol Fernando León de Aranoa, um portrait de um grupo de desempregados no norte da Espanha. "Não quero fazer um manifesto político, onde a força do filme fica sempre na superfície, mas pretendo exercer uma crítica social de maneira sutil", observa León de Aranoa em entrevista à emissora Deutschland Radio.

Ajuda financeira - A parceria entre San Sebastián e os Encontros dos Diretores Latino Americanos de Toulouse – que aconteceram em março último – tem como prioridade selecionar longas de toda a América Latina, que, em função de dificuldades financeiras, não puderam ser concluídos. Produtores, pós-produtores e distribuidores são convidados a conhecer as películas em andamento, visando eventuais colaborações.

Quatro filmes "semi-acabados" expostos em Toulouse seis meses atrás, e que puderam ser concluídos a partir do projeto, participam de uma mostra especial em San Sebastián. Mais oito "em plena realização" estão sendo vistos nesta terça-feira (24) por profissionais da área. O destaque ao cinema latino-americano é dado ainda pelos concorrentes ao Prêmio Made in Spanish, entre eles Uma Onda no Ar, do brasileiro Helvécio Ratton.

San Sebastián prima-se, acima de tudo, por ser um festival que abre as portas aos iniciantes, procurando cada vez mais acentuar a originalidade do cinema regional e nadando contra a corrente da uniformidade da grande indústria cinematográfica.

Gerações rápidas - Para o estreante alemão Chris Kraus, que participa do festival com Scherbentanz (Dança dos Cacos), etiquetas como "cinema jovem" ou "diretores iniciantes" são, no entanto, apenas um paliativo para esconder as fragilidades do cinema tradicional. "Eu, como autor, já presenciei várias gerações de cineastas, pois cada uma delas só dura de três a quatro anos e aí já vem a próxima. É sempre a mesma coisa: as pessoas vão em busca de talentos e o que acontece? Os talentos são entregues à indústria. Originalidade significa ir à frente", finaliza Kraus em entrevista à Deutschland Radio.

Schlöndorff - Apesar de um filme na mostra competitiva e cinco representações na paralela Novos Diretores, a Alemanha está, para o diretor Volker Schlöndorff, pessimamente representada em San Sebatián. O festival dedica uma retrospectiva ao trabalho de Schlöndorff, que por sua vez destaca a imagem passé da cinematografia alemã no exterior.

"Fora do país, o cinema alemão é até hoje identificado comigo e com Wim Wenders (que preside o júri em San Sebastián este ano)", observa o diretor. "Nós não queremos atrapalhar o caminho de uma nova geração de cineastas, mas o cinema alemão mais jovem simplesmente não é assimilado internacionalmente. Isso acontece porque os novos filmes se isolam da realidade do país, o que me faz lembrar o cinema dos anos 50", completa Schlöndorff.

Coppola - San Sebastián, que pertence aos festivais chamados de "classe A", traz este ano não só uma retrospectiva de 23 longas do diretor alemão, como uma homenagem a Francis Ford Coppola, que recebe um prêmio especial de reconhecimento por sua trajetória no cinema.

Entre os 18 filmes que disputam a Concha de Ouro, compete em San Sebastián Pigs Will Fly (Porcos Irão Voar), uma produção alemã do irlandês Eoin Moore. O filme de Moore foi apresentado como trabalho final na Academia de Televisão e Cinema de Berlim (DFFB) e questiona, sob a perspectiva do agressor, as razões que levaram um policial berlinense a espancar sua mulher.