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Alemanha

Salvem as gordas!

Apesar de inúmeras campanhas em todo o mundo, as baleias continuam ameaçadas. Para mudar esse quadro, a Comissão Baleeira Internacional está reunida em Berlim. Caçadores e defensores discutem os destinos dos cetáceos.

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Debate decide os rumos da atividade baleeira internacional

"Salvem as gordas!" são os dizeres de dezenas de cartazes espalhados pelas ruas da capital alemã. Não se trata de uma campanha pelas mulheres obesas, mas da tentativa de impedir um processo em curso: a extinção gradual das baleias. A partir desta segunda-feira (16) até o próximo 19/06, está sendo realizado em Berlim um congresso da Comissão Baleeira Internacional (IWC - International Whaling Commission).

Na conferência deste ano, vários dos membros da Comissão, entre eles o governo alemão e a Iniciativa Berlinense, pretendem priorizar a defesa das baleias, indo contra a corrente que insiste na perpetuação da caça comercial. Dentro da IWC, dois blocos antagônicos lutam por seus pontos de vista: de um lado, Japão, Noruega e Islândia - que acaba de entrar para a Comissão - formam o grupo dos países que continuam praticando a caça comercial da baleia. Do outro lado, EUA, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia unem-se na oposição à atividade.

Arpão japonês não dá trégua

Walfleisch

Carne de baleia oferecida em mercado japonês

Segundo dados fornecidos pelas organizações de defesa do meio ambiente, como o Greenpeace, todas as 79 espécies de baleias existentes hoje nas águas de rios e mares estão ameaçadas. Em seu habitat natural, a baleia, na condição de mamífero extremamente inteligente, não encontra praticamente inimigos naturais. Contra o homem, no entanto, ela não tem chances de lutar. Apesar de uma moratória internacional datada de 1986 pelo fim da caça comercial, o Japão e a Noruega capturaram, apenas no último ano, 1318 baleias.

O Japão, por sua vez, argumenta que o homem deveria usar a baleia como fonte de alimentos, da mesma forma que faz com outros animais, contanto que não provoque sua extinção. A Noruega, que não está legalmente submetida à moratória de 1986, criou suas próprias quotas para a caça às baleias anãs. Também a Islândia pretende retomar a caça comercial da baleia de acordo com regras estipuladas sem o aval da IWC.

Para as organizações de proteção aos animais, o argumento de que a caça à baleia é destinada a fins científicos não passa de uma desculpa esfarrapada. "Eles cortam as barrigas das baleias para verificar que elas comem peixes", ironizam os membros da delegação alemã no congresso de Berlim.

Segundo dados divulgados pela IWC, estima-se que cerca de 60 mil baleias morrem anualmente nas redes de caçadores em todo o mundo. O número, na realidade, deve ser ainda maior. Praticamente às portas da Alemanha, nos Mares do Norte e Báltico, cerca de sete mil baleias-porco acabam sendo capturadas por caçadores dinamarqueses todos os anos.

Um número cada vez maior de baleias morre também em conseqüência da poluição de rios e mares e em função da poluição sonora nas águas. A diversidade do ruído nos mares, causada pelo enorme tráfego de embarcações e por explosões utilizadas para a extração do petróleo, causa distúrbios na comunicação entre as baleias. Em casos extremos, isso pode levar até a problemas auditivos entre os cetáceos e ao registro de naufrágios desses animais, em massa, nas regiões costeiras.

Ameaçadas pela poluição ambiental

As baleias, que se alimentam do plâncton vegetal e animal e em parte de peixes e de outros cetáceos, são extremamente prejudicadas pela poluição do meio ambiente. Em função da exposição a substância nocivas, as baleias brancas beluga, por exemplo, registram o maior índice de câncer entre os mamíferos. Houve também casos de baleias cachalote que procuraram alimentos a dois mil metros de profundidade no Oceano Atlântico e tiveram que ser removidas mortas, sendo tratadas como "lixo especial".

Wale mit Neugeborenem in SeaWorld, Orlando

Baleia com filhote perto de Orlando, EUA

Organizações de defesa dos animais sugerem que países como a Noruega e a Islândia deveriam se preocupar mais em desenvolver o turismo de observação das baleias, em vez de ampliar as quotas da caça comercial. "Há soluções pacíficas, que permitem fazer com que o homem possa tirar proveito financeiro da presença destes animais", observa Peter Prokosch, do World Wide Fund (WWF).

Através da Iniciativa Berlinense, 19 dos 49 membros fixos da IWF pretendem empreender uma mudança definitiva na conduta do homem em relação aos "gigantes suaves" dos mares. De acordo com esses países, entre eles Alemanha, Reino Unido e EUA, a IWF deveria assumir uma clara posição em defesa das baleias em todo o mundo.

Com isso, organizações de ambientalistas esperam que baleias pequenas e golfinhos, até agora relegados a segundo plano pela legislação internacional, recebam também a devida proteção oficial. No entanto, contra esses propósitos de preservar a vida dos descendentes de Moby Dick, estão, como de praxe, os países que não querem abrir mão da caça comercial.

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