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Cultura

Salão de Âmbar volta a reluzir na Rússia

Símbolo da história russo-alemã é inaugurado neste sábado (31), após 22 anos de minucioso trabalho de reconstrução.

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O Salão de Âmbar, aberto ao público

A obra de arte barroca volta a brilhar no Palácio de Catarina, nas imediações de São Petersburgo. A Câmara de Âmbar, considerada durante séculos a “oitava maravilha do mundo”, demorou mais de duas décadas para ser reconstruída, após ter desaparecido misteriosamente durante a Segunda Guerra Mundial. A reconstituição, finalizada por restauradores russos em meados de maio, é inaugurada neste sábado (31) pelos chefes de governo Gerhard Schröder e Vladimir Putin.

Histórico da “Oitava Maravilha”

A longa história do Salão de Âmbar começa em 1716, quando o rei Frederico Guilherme I mandou fazer os preciosos painéis, como presente ao czar russo Pedro I, em sinal de amizade entre os reinados. Em 1755, a czarina Elisabeth mandou instalar a preciosa obra de arte no palácio de verão de Tsarskoye Selo. Nessa ocasião, o Salão de Âmbar foi ampliado com alguns painéis e espelhos, ganhando quatro mosaicos florentinos de mármore e pedras semipreciosas.

Em 1941, os soldados alemães desmontaram a sala e levaram os painéis para o Palácio de Königsberg (atual Caliningrado). Grande parte da obra foi queimada nos bombardeios do final da guerra, segundo acreditam alguns historiadores. No entanto, o desaparecimento do Salão de Âmbar rendeu muita especulação e fomentou a fantasia dos caçadores de tesouros durante décadas.

Quem lançou a caça ao tesouro perdido foi o secretário do Partido Comunista de Caliningrado, em 1958. Ele assegurou, na ocasião, que o Salão de Âmbar não tinha se consumido nas chamas dos bombardeios, mas sim pela ganância dos invasores. Foi assim que a obra de arte extraviada começou a ser tratada como espólio de guerra.

Em agosto de 1987, Georg Stein, um agricultor residente das imediações de Hamburgo, foi encontrado morto numa floresta. A polícia acreditava em suicídio, mas os caçadores de tesouros de todo o mundo sabiam que ele era mais uma das vítimas do Salão de Âmbar. Stein, que encarava sua missão como uma forma de compensar os crimes de guerra alemães, era um dos mais famosos na busca do tesouro.

A Sala de Âmbar voltou a se tornar uma questão de Estado em 1997, quando um fragmento de mosaico foi encontrado em Bremen e uma cômoda de seu mobiliário, em Berlim. Três anos depois, o governo alemão devolveu as peças à Rússia.

O trabalho dos restauradores

Bernsteinzimmer

Sob a direção artística de Boris Igadalov, mais de 50 artesãos trabalharam quase 22 anos na reconstituição da obra-prima, composta por 500 mil placas ou seis toneladas de âmbar. Tomando como base apenas algumas fotos antigas, os reconstrutores tiveram que pesquisar intensamente as antigas técnicas de trabalhar o âmbar. Afinal, trata-se de um material “fora de moda”: não é pedra, nem preciosa, nem semipreciosa, mas sim resina vegetal fossilizada, encontrada no Mar Báltico.

O âmbar pode ser cortado em chapas e polido. Dependendo das substâncias aditivas ou do grau de aquecimento, ele muda de cor, podendo assumir as mais diferentes tonalidades, do amarelo claro ao ocre, passando pelo marrom escuro e dourado. Sob efeito da luz, a variação é ainda mais impressionante. É por isso que o âmbar também é chamado de “ouro do Báltico”. A reconstrução foi financiada pela Ruhrgas, de Essen. Por ocasião de seu jubileu de 75 anos, a empresa, considerada a maior importadora de gás russo na Alemanha, subsidiou a reconstrução da Câmara de Âmbar com 3,5 milhões de dólares.

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