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Mundo

Saiba quais são as demandas do Hamas

No controle da Faixa de Gaza, o grupo radical islâmico tem uma lista de dez revindicações para interromper os disparos contra Israel. Entenda quais são elas e como é a correlação de forças nos territórios palestinos.

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O chefe do Hamas, Khaled Meshaal, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas

Nas últimas semanas, o Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam (seu braço armado) e a Jihad Islâmica apresentaram dez condições aos mediadores egípcios para aceitar um armistício com Israel válido para os próximos dez anos:

1- Suspensão do bloqueio à Faixa de Gaza, território controlado pelo Hamas;

2- Retirada das Forças Armadas israelenses da Faixa de Gaza e permissão para que os agricultores palestinos possam usar suas terras até a fronteira com o território israelense;

3- Libertação definitiva dos palestinos que, inicialmente soltos após a troca pelo soldado israelense Gilad Schalit, acabaram presos novamente pouco depois;

4- Ampliação da zona de pesca;

5- Reconstrução do aeroporto e construção de um porto;

6- Controle internacional da zona de fronteira em Rafah (divisa entre Faixa de Gaza e Egito)

7- Aceitação, por parte de Israel, de um cessar-fogo também por dez anos e do fechamento do espaço aéreo para aviões israelenses sobre a Faixa de Gaza;

8- Permissão para que moradores da Faixa de Gaza possam ir a Jerusalém, para rezar na Mesquita de Al-Aqsa;

9- Fim das tentativas de Israel de tentar sabotar o pacto de reconciliação entre Hamas e a facção moderada Fatah;

10- Fim das operações militares de Israel na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza.

Para tentar superar os maiores obstáculos ao acordo, mediadores egípcios têm tentado chegar, como um primeiro passo, a um pacto menos denso, mas que possibilite o fim das hostilidades mútuas. O pacto deveria prever, ainda que de maneira limitada, a abertura das fronteiras de Gaza e uma expansão gradual da zona de pesca.

A importação de materiais de construção deveria ficar sob vigilância internacional. Pontos mais polêmicos e complicados – como a demanda do Hamas para construção de um porto e de um aeroporto, assim como a libertação de presos – deveriam ser discutidos mais para frente.

As facções palestinas

A luta dos palestinos pelo fim da presença israelense num território que consideram seu e pela criação de um Estado independente já dura décadas.

A partir dos Acordos de Oslo, em 1993, a comunidade internacional passou a ver também a solução de dois Estados – um palestino e um israelense – como a única saída para o conflito.

Nahostkonflikt Palästina Israel Zerstörung im Gazastreifen

O Hamas defende a suspensão do bloqueio israelense à Faixa de Gaza

Em abril deste ano, o moderado Fatah e o radical Hamas conseguiram superar suas diferenças e, em junho, formaram juntos um governo após uma cisão violenta que se estendeu por sete anos.

O atual governo israelense, chefiado por Benjamin Netanyahu, não reconhece a nova autoridade de unidade palestina, por ela incluir o Hamas, um grupo que considera terrorista.

Na década de 1980, a população era representada pela Organização pela Libertação da Palestina (OLP). E, entre 2007 e 2014, Fatah e Hamas passaram a se dividir no controle da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, respectivamente.

Hamas e Brigadas Ezzedine al-Qassam: os militantes do Hamas e de seu braço armado, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, defendem a resistência contra a Israel sob todas as formas, incluindo a resistência militar. As ideias vão de encontro ao que é defendido pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. Apesar de o braço político do Hamas, por algumas vezes, ter aceitado um cessar-fogo com Israel, seu braço armado quebrou o acordo sem avisar os líderes do grupo.

Jihad Islâmica e Brigadas Al-Quds: os integrantes da Jihad Islâmica e das Brigadas Al-Quds defendem a resistência armada e têm ficado cada vez mais populares, especialmente entre as populações jovens da Faixa de Gaza.

Fatah: o grupo também quer uma solução que envolva a solução de dois Estados e a suspensão do bloqueio à Faixa de Gaza. No entanto, sob a liderança de Abbas, a organização apoia incondicionalmente a atual proposta do Egito e tenta convencer o Hamas a concordar com ela. O Fatah ainda se diz disposto a aceitar um abrandamento do bloqueio à Gaza, e não apenas a suspensão. Após a Primeira Intifada, o grupo se afastou da guerra armada contra Israel e seguiu o caminho diplomático.

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