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Mundo

"Sacerdotisas" excomungadas prosseguem batalha

Vaticano persiste na recusa do sacerdócio feminino e confirma excomunhão de sete mulheres que se deixaram "ordenar" sete meses atrás.

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Duas das "sacerdotisas" excomungadas pelo papa

As sete mulheres ficaram "profundamente chocadas" com a decisão do Vaticano de excomungá-las, principalmente porque nenhuma delas foi informada pessoalmente de um passo tão decisivo. Elas não tinham perdido a esperança de que a Congregação da Fé voltasse atrás e revidasse o passo, encaminhado já em agosto de 2002, pouco depois da "ordenação" a bordo de um barco de passageiros no rio Danúbio. As "sacerdotisas" tinham entrado com pedido de revisão e mais nada ouviram, até o final de janeiro, quando souberam pela imprensa da confirmação de sua excomunhão.

O movimento de base alemão Nós Somos a Igreja, que apoiou a iniciativa das mulheres (quatro alemãs, duas austríacas e uma americana) desde o início, criticou com veemência a excomunhão. A medida do Vaticano mostra "de maneira assustadora a incapacidade da Igreja Católica para o diálogo e sua inflexibilidade" na questão da vocação das mulheres para o sacerdócio, declarou uma porta-voz do movimento.

Reivindicação gera polêmica há décadas

Não é de hoje que a teologia feminista se rebela contra o que considera uma discriminação das mulheres. A reivindicação de abertura da ordenação — reservada segundo o Direito Canônico a "homens batizados" — para as mulheres data já de quatro décadas.

Entre as que se bateram esse tempo todo por isso, estão Iris Müller, 72 anos, e Ida Raming, 70, ambas doutoradas em teologia. As duas alemãs estavam entre as sete mulheres que se deixaram "ordenar" em fins de junho por um bispo não reconhecido pelo Vaticano. Elas não vêem em sua iniciativa um ato de rebeldia e de desobediência à Igreja oficial. Pelo contrário, sua intenção seria dar um impulso à Igreja Católica, que sofre com a falta de vocações para o sacerdócio.

Convictas de sua vocação e de sua decisão, as "sacerdotisas" não deixam — nem mesmo após a excomunhão — de celebrar missas diariamente e de conceder a bênção quando solicitadas.

Sua atitude conta pelo menos com a compreensão de outras teólogas. Para Marie-Theres Wacker, diretora do Seminário de Pesquisa da Teologia Feminina, trata-se de um "ato simbólico profético", necessário para questionar estruturas empedernidas. Mas a professora admite que mulheres que estudam teologia católica hoje em dia têm menos problemas com o fato de não poderem ordenar-se. A questão afeta muito mais mulheres que vivenciaram a época anterior ao Concílio Vaticano. Muitas estudantes não vêem mais a Igreja centrada no sacerdote; para elas, os leigos — homens e mulheres — é que são as figuras de identificação mais importantes para o trabalho pastoral.

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