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Economia

Saída grega da crise pode ser investimento

Meta-análise com base em mais de 100 estudos defende que Estado grego deveria investir mais para sair da atual situação. Mesmo a aquisição de novas dívidas para isso poderia garantir sucesso a longo prazo.

Poucos duvidam que a Grécia precisa de reformas básicas, que resultem em melhor administração, menos corrupção e mais competição. Também é compreensível que os credores estabeleçam condições para a concessão de novos empréstimos.

A questão, contudo, é que o Eurogrupo colocou muita ênfase nas medidas de austeridade durante as negociações com Atenas enquanto, na verdade, o foco poderia ter sido maior nos investimentos.

Este é o ponto em que os alemães vão, de forma reflexiva, evocar a imagem da dona de casa responsável: aquela que mantém as finanças da família na mais perfeita ordem e nunca gasta mais do que pode.

Tal mantra também é repetido pelo ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, quando justifica a sua postura nada flexível perante os gregos.

“Minha avó, que era dos Alpes Suábios, dizia que a generosidade está a um passo da libertinagem”, disse Schäuble em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel. “Existe um certo tipo de generosidade que pode ter rapidamente um efeito oposto ao que se pretendia."

Retorno quase certo

O fato é que economias deterioradas não podem ser comparadas às contas de uma dona de casa suábia. Economistas concordam que a Grécia só será capaz de superar a crise quando sua economia voltar a crescer e começar a criar novos empregos. Mas, para chegar até lá, são necessários investimentos.

Existem vários estudos nos quais economistas discorrem sobre como os países podem impulsionar melhor as suas economias. Um desses especialistas é Sebastian Gechert, do instituto independente de macroeconomia IMK, de Düsseldorf.

Ele analisou os resultados de 104 estudos publicados entre 1992 e 2012 em jornais especializados ao redor do mundo. Todos lidaram com os chamados multiplicadores fiscais –simulações que preveem como os gastos do governo afetam o crescimento.

O resultado é que os investimentos públicos são de longe a melhor forma de estimular o crescimento. A cada euro investido pelo Estado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresce de 1,30 a 1,80 euros.

O efeito é significativamente mais fraco quando o Estado usa o seu dinheiro para contratar mais servidores públicos ou quando um governo simplesmente aumenta os gastos com educação, esportes, cultura, rede de segurança social, segurança pública ou proteção ambiental.

Os gastos militares são o menor estimulante econômico. Na melhor das hipóteses podem criar um euro em crescimento para cada euro gasto. No entanto, na maioria das vezes nem mesmo este resultado é obtido.

A Grécia – juntamente com Espanha, Portugal e Irlanda – perdeu uma grande oportunidade de fortalecimento econômico durante a crise financeira. O desemprego também aumentou.

As políticas de austeridade tiveram “impacto negativo no crescimento e no emprego”, escreve Gechert em sua meta-análise para o IMK. “Em contraste, investimentos públicos teriam causado um momentum relativamente longo de crescimento.”

Como investir sem dinheiro

A única questão é como o Estado pode financiar investimentos públicos quando não tem dinheiro nem para se sustentar. Uma forma poderia ser o aumento de impostos, outra seriam os cortes de gastos públicos. Foram essas as medidas aplicadas em Grécia, Espanha e outros países.

O único problema é que tais medidas têm um efeito negativo no crescimento, o que acaba compensando os impactos positivos produzidos com novos investimentos.

Por isso, Gechert se debruça sobre a seguinte questão: não valeria mais a pena financiar investimentos inteiramente através de novos empréstimos? “Um déficit crescente ou um superávit menor como resultado de mais investimento não aumenta necessariamente a taxa de endividamento”, diz o economista.

Isto acontece porque, quando os investimentos têm o efeito desejado e desencadeiam o crescimento, as despesas acabam praticamente se pagando de forma automática. Os custos para o Estado seriam “comparativamente baixos”, escreve Gechert, apenas sendo percebida uma sobrecarga extra de entre 10% e 40%. Isso exigiria, no entanto, um sistema de impostos funcional.

Plano de investimento

Nas conversas sobre um novo programa de ajuda à Grécia, muito pouco foi mencionado sobre investimentos. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, acenou com 35 bilhões de euros dos cofres regulares europeus, mas isso exigiria que a Grécia usasse seu próprio dinheiro como cofinanciadora do programa – o que o governo grego não tem como fazer.

A União Europeia então diminuiu suas exigências para o cofinanciamento. O economista chefe e diretor do IMK, Gustav Horn, recomenda levar as coisas um passo adiante.

“Nossa sugestão seria permitir que a Grécia tivesse um ano de ajuda sem participar de qualquer cofinanciamento. Assim, o governo seria capaz de adquirir um plano de investimento em curso imediatamente – e teriam que lidar com a pressão do tempo”, disse Horn.

Economicamente, baseado nos termos do acordo que a Grécia e o Eurogrupo têm hoje, Horn entende que existe “pelo menos uma pequena chance de a Grécia conseguir se recuperar”. No entanto, afirma, isso só será possível se houver investimentos:

“Se a estratégia de resgate for restrita à continuidade da intensificação de cortes do orçamento do Estado, então esse programa vai fracassar como os programas anteriores.”

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