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Mundo

Saída de tropas alemãs leva incerteza à população de Kunduz

Moradores da cidade afegã temem que retirada dos militares provoque aumento da insegurança e prejudique economia local. Talibã, que antes da invasão tinha redutos na região, já teria retomado controle de algumas áreas.

Quando, há uma década, as tropas alemães chegaram a Kunduz, Abdullah Rasoli, diretor de uma ONG local, conta que a sensação era positiva. Na cidade afegã, capital da província de mesmo nome, a população teve a esperança, ainda que por um curto momento, de que poderia passar a viver em segurança.

"Na época em que os alemães chegaram, a coisa mais importante que eu me lembro é que a segurança voltava não só a Kunduz, mas a muitas províncias do nordeste do país", conta Rasoli. "Os alemães sempre tiveram uma relação especial com Kunduz."

Foram dez anos na cidade – tempo suficiente para que os soldados alemães se tornassem rostos familiares. Agora, porém, os moradores vão ter que se acostumar com a ausência dos militares europeus – o que, para muitos, é sinal de preocupação.

Hindus und Sikh in Afghanistan Hanod dar Kundoz

Comércio local de Kunduz não quer perder a clientela militar

"Sabemos que não podemos continuar sem o apoio das Forças Armadas alemãs", reconhece Rasoli. Há rumores de que o Talibã já tenha o domínio de alguns bairros da periferia da cidade e de que grupos armados estariam rondando a região. "Isso causa muito medo entre os moradores de Kunduz", completa.

Fator econômico

A empatia ficou patente também em projetos de infraestrutura. Ruas foram construídas, escolas foram renovadas, professores e artesãos receberam treinamento. E os próprios soldados alemães se tornaram um importante fator econômico. Depois de Estados Unidos e Reino Unido, a Alemanha é o país que mais enviou soldados ao Afeganistão.

Mahboba Heider é dona de uma pequena fábrica têxtil que emprega 20 mulheres. Durante anos a fio, o caderno de encomendas esteve cheio devido aos militares alemães, que gostavam de comprar roupas locais como lembranças para levar para casa.

"Mas há um ano a situação de segurança se deteriorou, e os soldados raramente deixam o quartel", lamenta Heider. Após a retirada das tropas alemãs, ela não sabe como seu negócio sobreviverá. E seus funcionários também estão preocupados.

Ainda há muito a fazer para ajudar Kunduz após a retirada das Forças Armadas. A Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) pretende continuar ativa no norte do Afeganistão. Peter Palesch, do escritório da GIZ no Afeganistão, afirma que desenvolveu um projeto abrangente de segurança, por encomenda do governo alemão. "O elemento mais importante deste plano é que haja aceitação por parte da população", explica.

Afghanistan neuer Brunnen in Kundus

Projetos civis continuam, como esta barragem, construída com ajuda alemã

Com a retirada do Exército alemão de Kunduz, os funcionários da GIZ enfrentam novos desafios, já que terão que trabalhar sem a proteção dos militares alemães. Mesmo em Taloqan, perto de Kunduz, e Faizabad, no extremo nordeste do Afeganistão, a Bundeswehr já se retirou no ano passado. A GIZ, entretanto, continua seu trabalho pelo menos até 2016.

Medo entre colaboradores

Os trabalhadores locais que prestavam serviço para o Exército alemão também temem por seu futuro. Muitos veem a retirada das tropas como uma ameaça para suas vidas e as de suas famílias – eles se tornariam alvo do Talibã simplesmente por terem colaborado com militares ocidentais.

"E não somente o Talibã, mas muitos outros grupos criminosos e armados ameaçam a vida das pessoas. Se estes grupos souberem que eu estive trabalhando com os estrangeiros, não vão me deixar viver aqui", afirma um tradutor, que prefere ficar no anonimato.

Übersetzer der Bundeswehr in Kundus Protest

Tradutores protestaram diante do quartel alemão: medo de represálias por colaboração com estrangeiros

Já ocorreram manifestações diante do quartel alemão. E os alemães prometem ajudar. "Aqueles que veem suas vidas em perigo podem solicitar uma autorização de residência na Alemanha", explica Marco Schmidl, porta-voz do Exército alemão em Maaar-i-Sharif.

Esperança de tranquilidade

Se essa autorização será dada, será decidido caso a caso, segundo o oficial. A regra serviria não só para colaboradores das Forças Armadas, mas para todos os afegãos que já trabalharam para outros ministérios alemães, como Interior, da Defesa e para o Ministério para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Muitos, entretanto, têm alguma esperança de que a situação possa até mesmo melhorar com a retirada das tropas. "É bem possível que após a retirada dos soldados não haja mais motivos para a presença de grupos inimigos e eles parem de combater", diz Heidar Heider, diretor da fundação cultural e literária Paserlei ("primavera", na língua local), em Kunduz.

Ela ressalta que os moradores mais simples acreditam que "as forças estrangeiras não fizeram um trabalho particularmente bom". A população espera, segundo Heider, que a tranquilidade retorne a Kunduz. A região era um reduto talibã até a intervenção americana, em 2001.

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