Síria emprega tanques de guerra em principais focos dos protestos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 25.04.2011
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Mundo

Síria emprega tanques de guerra em principais focos dos protestos

Regime usa militares para conter protestos. Nota assinada por escritores e jornalistas sírios condena violência e critica como "tendenciosas" as notícias da imprensa estatal.

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Tanque em Daraa: escalada da repressão na Síria

O conflito na Líbia tomou uma nova dimensão nesta segunda-feira (25/04), com ofensivas militares contra os manifestantes que exigem o fim do regime. Em Daraa, militares e tanques leais ao regime do presidente Bashar al-Assad invadiram a cidade durante a madrugada e abriram fogo contra as casas, causando a morte de pelo menos 25 pessoas.

Syrische Truppen stürmen Widerstandshochburg Daraa

População de Daraa resiste à violência militar

Tanto as linhas telefônicas como o abastecimento de energia elétrica à cidade foram cortados, mas alguns ativistas usam celulares jordanianos para se comunicar. "Posso assegurar que 3 mil militares entraram na cidade e estão revistando as casas", disse um motorista de táxi à agência de notícias DPA. "Há muitos feridos, mas as ambulâncias não podem se movimentar devido aos fortes ataques", acrescentou.

Daraa, no sudoeste do país, é um dos principais focos dos protestos contra o regime sírio. Segundo informações disponibilizadas pelos opositores na internet, podem-se ver dezenas de cadáveres pelas ruas.

Acusações de extrema brutalidade

Após manifestações na cidade litorânea de Jableh, neste domingo, pelo menos 13 civis teriam sido mortos por tropas do governo e franco-atiradores, informou uma organização de defesa dos direitos humanos. Jornalistas estrangeiros foram banidos do país, por isso não há relatos de fontes independentes.

Segundo um ativista, também Duma, na periferia de Damasco, foi invadida. Forças de segurança teriam atirado contra civis desarmados e detido moradores. A estratégia do regime é semelhante em todos os centros da rebelião. "Eles querem sufocar a revolução e para isso usam extrema brutalidade", disse um ativista.

Reformas infrutíferas

Ativistas dos direitos humanos calculam que desde o início dos protestos na Síria, tenham sido mortas mais de 350 pessoas, um terço das quais nos últimos três dias. Os protestos, inspirados pelas rebeliões em outros países árabes nos últimos meses, começaram há seis semanas com manifestações a favor de reformas democráticas.

As palavras de ordem dos manifestantes, no entanto, mudaram depois que o movimento teve suas primeiras vítimas fatais. Agora, é exigida a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

Os opositores não se calaram, mesmo após as concessões feitas por Assad, como a revogação da lei de exceção, uma exigência central dos oposicionistas. Este passo, no entanto, foi em vão, pois o governo prosseguiu sua tática de intimidação através de violência e tortura. Damasco, por seu lado, assegura que os protestos se devem a uma ação de "conspiradores".

Intelectuais sírios lançam nota

A Síria fechou nesta segunda-feira as passagens de fronteira terrestre com a vizinha Jordânia, em Daraa e Nassib, conforme informaram autoridades do país vizinho. Um funcionário declarou à agência de notícias Reuters que o fato deve estar vinculado ao que parece ser "uma grande operação de segurança, agora em andamento".

A violência empregada pelo regime sírio não recebe apenas críticas do exterior. Nesta segunda-feira, 102 escritores e funcionários da imprensa divulgaram uma nota conjunta, em que condenam os métodos de repressão do regime e lastimam os mártires do levante.

O documento foi assinado também por intelectuais da minoria alauita, que tem grande influência na Síria. Os signatários também chamam de tendenciosas as reportagens da mídia estatal sobre os protestos. Os meios de comunicação "mentem" sobre os protestos no país, acusam.

RW/dpa/rtd/afp
Revisão: Augusto Valente

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