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Cultura

Símbolo de Berlim, centro cultural Tacheles fecha as portas

Espaço artístico da capital alemã foi desocupado. Artistas que ali trabalhavam e recebiam a visita de turistas de todo o mundo tiveram que deixar o local. Prédio será agora será levado a leilão.

Um dos símbolos culturais de Berlim foi fechado na última terça-feira (04/09). O centro cultural Tacheles, na Oranienburger Straße, teve que ser desocupado. Em um ato simbólico, artistas entregaram a chave do edifício a um oficial de justiça. Um grupo de 70 artistas, boêmios e simpatizantes usando roupas coloridas protestaram diante do local.

“O Tacheles é muito importante para Berlim. É um monumento à cultura livre”, diz Gina Yadegarie, que trabalhou no Tacheles em 2011. A artista, natural do sul da Alemanha, não consegue entender por que alguns berlinenses veem o Tacheles somente como uma decadente atração turística. Yadegarie considera inevitáveis as muitas disputas travadas entre os próprios artistas no ano passado. “Aqui há pessoas, aqui há vida”, diz. E desentendimentos fazem parte.

Räumung des Tacheles in Berlin

Policiais observam desocupação e manifestantes diante do Tacheles

Em 1990, tempo de reviravolta após a queda do Muro de Berlim, artistas ocuparam as ruínas da loja de departamento para evitar sua demolição. A estrutura, erguida em 1909, fora inicialmente parte de um complexo de lojas no antigo bairro judeu de Berlim. Mais tarde, o prédio foi usado pelos nazistas e, durante a Segunda Guerra Mundial, foi severamente danificado.

Depois da queda do Muro, estabeleceu-se ali um espaço artístico livre – agora massa falida que deverá ser levada a leilão. Durante anos, os artistas lutaram contra o fechamento do local. Tentaram negociar com o proprietário, o banco HSH Nordbank, apelaram ao prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, e recolheram mais de 200 mil assinaturas. Tudo em vão. “Mas há uma certeza: alguma coisa que não pode ser tirada e continuará viva permanece”, considera o ilustrador Roman Kroke.

Lugar da cultura alternativa

Sons delicados percorrem a Oranienburger Straße. Dois artistas, que se autointitulam guardiões do Tacheles, tocam piano sobre a calçada, numa espécie de despedida de uma era da arte livre. “Quando a decisão da justiça saiu no início de junho, os artistas gritaram, alguns até mesmo choraram”, conta a jovem francesa Marie Gutbub.

Há três anos, ela descobriu o Tacheles como turista e voltou para ajudar o centro cultural como tradutora. “O Tacheles é um dos locais de cultura alternativa mais famosos do mundo”, diz. Cerca de 400 mil turistas vieram ao local no ano passado – dos Estados Unidos, da América do Sul, da Europa e da Ásia – para ver exposições ou apresentações de teatro.

Tacheles Räumung Berlin

Em protesto, artistas tocam piano na calçada em frente ao Tacheles

“Nós confiamos na arte”, entoa a artista Adler A.F. e, assim, define bem a filosofia do lugar. Há muitos anos, o Tacheles é um espaço cult internacional. Aqui, a arte foi celebrada sem subvenções. Os visitantes podiam ver os artistas trabalhando em seus estúdios e conversar com eles espontaneamente – uma experiência totalmente nova para muitos.

Liam Melaluk, de Melbourne, na Austrália, compara o centro cultural a uma caverna moderna, em cujas paredes muitos deixaram seus nomes grafitados como vestígio. Para o australiano, o Tacheles é uma obra de arte que abarca duas décadas.

O mundo inteiro perde o Tacheles

Tacheles Räumung Berlin

Artistas lamentam fechamento do centro cultural

“Para onde devemos ir agora?”. Tal pergunta está estampada em um pano na fachada do edifício. Alguns artistas encontraram novos estúdios no bairro berlinense de Neukölln. Na internet, há um Tacheles virtual.

Mas a estudante berlinense Marie Charlotte, de 14 anos, mostra indignação. “É uma vergonha o Tacheles ser fechado. Ele é um dos símbolos da cidade." O porta-voz do centro cultural, Martin Reiter, classifica o fechamento como “um roubo artístico sob proteção policial”. "Não somente Berlim, mas o mundo inteiro perde o Tacheles”, resume o ilustrador Kroke.

Autora: Susanne Lenz-Gleißner (fc)
Revisão: Luisa Frey

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